domingo, 23 de julho de 2017

Quando estendo roupa, gosto de a ver a apanhar o vento que a faz revirar e dançar de uma forma estranha e desnivelada.
Fico muitas vezes atrás do vidro da porta da cozinha, que me permite ver a roupa estendida a esvoaçar ao vento.
De certa forma sinto uma pontinha de inveja da roupa. Também queria estar estendida a levar com o vento para me levar e apaziguar as milhentas ideias e pensamentos que fervilham e pululam dentro da minha cabeça.
Se há coisa que tento interiorizar, é que tenho que aproveitar todos os momentos no presente porque um dia mais tarde vou-me lembrar deles e pensar que os devia ter aproveitado melhor na altura.
A agitação na minha cabeça sobrepõe-se muitas vezes ao que se está a passar na hora e tento dizer basta, e tudo tem melhorado.
Apercebo-me também que tudo parecia estar bem para toda a gente enquanto eu fazia o que queriam ou que esperavam de mim por assim ter habituado essas pessoas. A partir do momento em que comecei a tentar viver mais a minha vida e não estar tão disponível e resignada e a viver num canto à espera que acenassem por mim, tudo parece ter mudado. Passei a não ser a boa pessoa que era, e sou, disso tenho a certeza...
O vento continua a bater nas janelas e eleva a roupa que acaba por se embrulhar nas cordas do estendal...
Não tarda nada a roupa está toda seca e pronta para apanhar, dobrar e passar. Poderei também estender a roupa que estava a lavar na máquina e tudo isto faz-me abstrair do que me rodeia.
Está vento sim, neste Oeste fresco para onde me mudei há 8 anos e em que desde então a minha vida nunca mais foi a mesma... nem eu...

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Por aí

Estava muito vento de manhã quando saí de casa e por isso, quando saí do trabalho à hora de almoço, achei que ainda ia estar fresco mas afinal a temperatura amena ajudava a atenuar o efeito do vento mais fresco...
O vento continuava a soprar mas o ar já não era tão frio pelo que acabei por andar de manga curta enquanto carregava o blusão num braço e a mala no outro (braço).
E o que é que isto interessa...? Pois, nada, acho eu... A não ser que me apeteceu fazer uma pausa à hora de almoço, andar mais a pé do que é costume e pensar um pouco na vida, sozinha.
Vida essa que nem sempre é simples ou fácil ou descomplicada.
Há dias assim, em que damos conta que o tempo galopa freneticamente e passa por nós como se fôssemos mais uma pequena peça insignificante do puzzle que parece não encaixar em parte alguma.
De repente, há coisas a não baterem certo e as certezas começam a tornar-se incertas.
Tenho 43 anos e nunca me imaginei nesta idade pois com 20 ou 30 anos, as pessoas de 40 parecem ser quase idosas e velhas aos nossos olhos, pelo menos eu pensava assim, e agora aqui estou, a pensar na vida, em mim, nas pessoas e nas circunstâncias que me rodeiam...
Era bom que o vento fresco do Oeste apaziguasse e levasse alguns dos pensamentos que teimam em permanecer ou vir à tona nestes momentos de solidão propositada.
Era só o vento e o café, eu, os meus pensamentos, e o meu corpo de 43 anos... Afinal, somos transportados por ele, não é, o nosso corpo que nos carrega e move dum lado para o outro...
O vento frio continua pelo Oeste, pode ser que leve com ele e desapareça com alguns dos pensamentos que persistem e insistem...
Depois, depois não sei...
Sou eu com 43 anos...


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Aqui estou com a prenda dos 10 anos, quando tudo era muito mais simples... Lembro-me do meu pai chegar com a bicicleta e de ficar extasiada...
Tive uma infância muito feliz e cheia de coisas boas.
Hoje, ao completar 43 anos, não sei bem o que dizer.
Já passei por tantas coisas e cá estou...
Não me sinto com 43 anos... não pareço ter 43 anos...
Enfim... parabéns para mim...

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Coisas sem importância...

Às vezes gostava de acreditar piamente nestas patetices... É que até dão algum conforto e 'desculpam' quase tudo o que tem corrido menos bem. No artigo fala nos últimos 10 anos e acho que até bate certo, talvez incida mais sobre 7 ou 8 anos, que foi quando vim para o Oeste. Há muita coisa que mudou e correu bem mas há outras tantas coisas que nem por isso.
Ainda para mais, fala nos "cancerianos", vulgo, pessoas do signo de Caranguejo, como eu, e diz que é no dia 17/07 que: "todos sentiremos que, dia após dia, a tensão diminui e começamos a retomar o equilíbrio emocional, perdido nos últimos dias."
Era bom que assim fosse pois até é o meu dia de anos e tudo... 
Era bom que no dia em que faço 43 (!!!) anos que decorressem mudanças profundas e que tudo ficasse mais... 'positivo'... 
Estou cansada de algumas coisas e nem acredito bem que vou fazer 43 anos... 
Sinto que está tudo a passar depressa demais e que não me sinto nada com 43 anos...
"Lua deste domingo encerra ciclo maldito, um dos piores dos últimos 10 anos:
Neste domingo, dia 16, em torno das 16h20, a Lua começa a encerrar o difícil ciclo de lunação que começou no último dia 23 de junho. Este foi, sem sombra de dúvidas, um dos piores ciclos que passamos nos últimos 10 anos.
A crise se instalou na vida de todos, no entanto, arianos, cancerianos, librianos e capricornianos foram os mais atingidos por essa tsunami energética. Podemos começar, a partir deste dia 16, a nos despedir com entusiasmo dessa tensa energia.
Porém, ela ainda pode estar muito forte neste dia, em que a Lua se une a Urano e recebe um tenso aspecto de Marte. Conforme ela transita pelos outros signos e já no dia 17, segunda-feira, quando ela entra no signo de Touro, todos sentiremos que, dia após dia, a tensão diminui e começamos a retomar o equilíbrio emocional, perdido nos últimos dias.
Os signos mais atingidos, que passaram por intensas dificuldades na saúde, no trabalho e principalmente nos relacionamentos, poderão sentir o alívio da tensão e muitas situações de estresse, sentimentos negativos de separação e dificuldades emocionais ficando para trás.
Retirado daqui."

quarta-feira, 12 de julho de 2017

10 anos não é assim muito tempo & a Felicidade

É que às vezes o filhote dá-me respostas em que pareço estar a conversar com um adulto e não com uma criança a caminho dos 11 anos.
O "enquadramento" deste pequeno e breve 'post' é que o filhote foi para um acampamento durante alguns dias.
Como em tudo na vida, e principalmente na vida chata dos adultos, houve lugar a desentendimentos, a pequenas confusões, amuos e chateações entre os 'campistas mais próximos', vulgo, que estavam a partilhar a mesma tenda...
Que tenho um filho com ideias fixas, isso já eu sabia, contudo, depois de ouvir de um lado e de outro, tenho o meu filho ao telefone que não muda de ideias relativamente à sua "posição" e ao que o levou a tomar essa posição, tem argumentos em relação ao outro lado-supostamente-ofendido-com a sua posição, e não arreda pé do que diz e sente.
No fim diz-me: "Não mãe, eu não vou mudar de ideias nem vou fazer isso porque em nada contribui para a minha felicidade.".
Ora toma e embrulha... Por instantes fiz um silêncio ao telefone porque não só estava a dar razão mentalmente ao meu filho como me apercebi que, efetivamente, isto era algo que eu devia ter feito ao longo da minha vida e muitas vezes não fiz, sempre a querer agradar aos outros ou com medo de desiludir ou melindrar ou de não agradar, acabei quase sempre por não fazer o que eu queria ou sentia mas sim as coisas de forma a não desapontar os outros.
Já o meu filho, admiro-o por isso. Ainda que às vezes me enerve e me contrarie, admiro-o por ter posições fortes, seguras e ter sempre contra argumentos. Admiro-o ainda mais por fazer aquilo em que acredita relativamente a um problema que surja...

terça-feira, 4 de julho de 2017

Houve um tempo

Houve um tempo em que eu passava a minha vida a correr para ir pedalar ao fim do dia quando saísse do trabalho, para ir ao ginásio à hora de almoço ou ao fim do dia quando desse.
Houve um tempo em que as minhas férias e horas extra eram regidas quase tão somente pela bicicleta.
Recordo-me de treinar com afinco para provas de BTT que aí vinham...
E tudo isto para quê...?
Às vezes andava numa correria louca para ter o jantar pronto ou o almoço ou ia pedalar nas tardes de domingo como se não tivesse mais nada para fazer ou família para usufruir da sua companhia.
Não estou a dizer que isto está "mal" mas, volvidos todos estes anos e tempos, concluo que... "quase" que não valia a pena...
Continuo a adorar a bicicleta mas não lhe pego há quase três semanas e as idas ao ginásio têm sido mais escassas...
O meu corpo e o meu peso ressentem-se mas, sinceramente, deixei de sentir aquele frenesim, aquela loucura de "ter que ir pedalar" porque senão perdia a forma ou ganhava meio quilo.
Continuo a sentir prazer em pedalar e em me exercitar mas já não estou para andar em stresses e correrias por causa disso.
Quando der, vou... Até porque... nas provas de BTT nunca evoluí grande coisa, sempre fui lenta e cheguei quase no fim, nunca me tornei mais rápida ou veloz ou numa grande trepadora, o meu peso sempre aumentou na mesma independentemente de me exercitar como uma maluca ou de pedalar todos os dias...
Sinto algum desalento no meio disto tudo... Perdi em parte o prazer que tinha em pedalar ou em ir a correr para o ginásio à hora de almoço... Não vi resultados ou progressos e isto ao fim de quase sete anos, até é de estranhar que não me tenha sentido assim antes...
Quero continuar a pedalar e vou fazê-lo. Tenho sonhos relacionados com a bicicleta como fazer algumas travessias ou peregrinações ou pedalar por onde nunca o fiz, como "simplesmente" por Lisboa... Mas... de momento sinto que dou mais valor e que me apetece mais estar com as pessoas que me rodeiam...
Tudo isto pode mudar até porque eu preciso de me exercitar e de pedalar para me sentir bem mas... com conta, peso e medida, com algum equilíbrio que eu acho que não tinha... Ter a minha vida condicionada pela bicicleta e deixar quase tudo e todos em segundo plano... não me parece...
Por estes dias tive o carro avariado e nem sequer fui trabalhar de bicicleta como aconteceu noutros momentos... Fui de autocarro e tive a boleia duma colega que é uma boa amiga e assim andei quase uma semana... Não me apeteceu transpirar ou ter que mudar de roupa ou levar com um carro em cima pela estrada...

terça-feira, 27 de junho de 2017

Como é que eu posso esquecer Veneza se tudo "me leva" até "ela"...

Hoje de manhã o meu carro avariou, ponto final, parágrafo.
Estava a andar na estrada e a velocidade foi reduzindo de tal forma até que... parou... Parou de parar. Dei à chave, tinha sinais da bateria, portanto, ali fiquei numa pilha de nervos numa curva apertada e pouco visível, onde é habitual haver acidentes, principalmente quando chove.
Devido ao sentimento de incapacidade e de impotência, e dos 'nervos' que se apoderavam de mim, comecei a transpirar por todos os lados. Bom, antes a transpirar do que a chorar como uma parvinha e como acontecia "antigamente" mas... adiante...
Pela primeira vez na minha vida vesti o colete e coloquei o triângulo na estrada, sempre com receio de ser atropelada a qualquer momento...
Nem tinha o número da assistência em viagem no meu telemóvel e fiquei siderada quando me falaram numa espera do reboque de 45 minutos... Vá lá que demorou uns 15 minutos e até conhecia "de vista" o senhor que conduzia o reboque.
Agora o carro está na oficina e não faço ideia do que tem.
Escusado será dizer que me lembrei logo de... Veneza... Estive lá quase uma semana e não precisei de andar de carro, nem "podia" e nem era preciso...
Tudo me leva a pensar em Veneza onde tinha um passe para andar livremente no transporte mais usual de lá, o "Vaporetto" que utilizei frequentemente... Claro que é a andar a pé que se conhece tudo mas, em caso de cansaço ou de se querer ser mais rápido, toca a apanhar o "vaporetto" que andava para cima e para baixo e que parava em imensos sítios...
Ficam estas fotos de um Vaporetto e da estação onde entrei e saí mais vezes e que ficava mais perto do meu alojamento, a Accademia...
Tantas saudades...
E o carro... não sei... vamos ver mas... prevejo que amanhã virei a pedalar para o trabalho... 



(Fotos tiradas ao fim do dia, quando começou a anoitecer e sem filtros ou outro tipo de 'tratamento')