sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Toucas & Capacetes

Hoje estou particularmente feliz com uma decisão simples que tomei e com a ação que daí decorreu.
A verdade é que ontem, muitos anos depois de o ter feito, voltei à piscina para nadar, boiar, mergulhar e fazer o que podia numa pista livre, numa piscina sem pé, e com um braço que não funciona plenamente.
Isto quer dizer que o meu braço não roda na totalidade e desde o acidente de bicicleta que não tinha voltado a tentar nadar "mais a sério" com medo de não conseguir e de outras coisas mais.
Contudo, consegui.
Consegui nadar, não como nadava outrora mas consegui fazê-lo apesar de algumas dificuldades e limitações.
Nadei essencialmente de costas por forma a não ter que utilizar o braço em rotação para o fazer mas, ainda assim, fui perdendo os medos e lá arrisquei a rodar o braço.
Não deu para rodar como seria 'normal' mas consegui um impulso e uma força, vindos não sei de onde, que me levaram a nadar ainda mais rápido.
O fato de banho e a touca foram comprados há uns dias só a pensar na ida à piscina.
Na verdade, é preciso recuar até um pouco mais no tempo dos pensamentos desta decisão.
Há cerca de um mês e meio desisti do ginásio onde andava há sete anos. Comecei por faltar inúmeras vezes, coisa nunca vista em mim, e depois comecei a aborrecer-me com as correrias da hora de almoço a caminho do ginásio e a vir trabalhar.
Ao fim do dia começou a não haver disponibilidade e vontade para lá ir, ora porque ia pedalar na minha bicicleta (de BTT) depois do trabalho, e também porque, entretanto, passei a ir a pedalar para o trabalho, pelo menos três ou quatro vezes por semana, numa bicicleta elétrica.
Posto isto, constato que a minha cabeça passa a vida por entre toucas e capacetes, o que só por si me favorece imenso... ou não...
Vou voltar à piscina com toda a certeza, não só pela enorme sensação de bem estar e de paz de espírito ao estar na água mas também para 'insistir' com o meu braço e dar às perninhas.
Conto ir num regime livre, sem aulas, e depois logo se verá.



terça-feira, 2 de outubro de 2018

Cadeira de rodas, mas não a motor.

Ontem foi dia de andar dum lado para o outro, entre o Oeste e Lisboa e Lisboa e o Oeste.
Saí do trabalho, ao fim da tarde, e fui logo para o Hospital, em Lisboa, onde a minha mãe me esperava.
Estacionei no parque do Hospital, percorri inúmeros corredores, passei por imensa gente, apanho o elevador, e eis-me chegada ao meu destino.
Tratámos de todos os formalismos com vista à alta da minha mãe, trouxemos os seus bens e eis que me lembro de levar a minha mãe até ao carro numa cadeira de rodas.
Tal era possível se deixasse na enfermaria toda a papelada e voltasse para devolver a cadeira e levar então a papelada.
E aí vamos nós pelos corredores, elevadores e gente e mais gente que se atravessava no nosso caminho.
Para além de ir a empurrar a cadeira de rodas com a minha mãe sentada nela, levava também o seu saco com roupa, medicação e a tal papelada.
Durante o percurso apercebo-me em como é difícil transportar alguém numa cadeira de rodas.
Ou isso, ou a minha falta de jeito porque nos instantes iniciais, a cadeira fugia para o lado e às tantas pensei que a minha mãe ainda iria partir outro osso qualquer à conta da minha aselhice com a cadeira de rodas...
Mas não. Consegui levar a minha mãe até ao carro, intacta, e aí, saindo do Hospital, deparamos-nos com os obstáculos da rua: passeios, gente, carros, gente, relevos no chão, poucas rampas, gente, carros e pouquíssimo espaço para se conseguir passar com a cadeira de rodas por entre os obstáculos, e a trepidar com a irregularidade do piso.
De facto, só quem está nas situações compreende o que se passa...
Naqueles instantes desejei que o chão fosse completamente liso, sem buracos ou pilaretes, sem gente, sem mais nada para chegar até ao carro de forma tranquila e sem sobressaltos...
Bom, mas lá chegámos ao carro onde a minha mãe ficou sentada à espera enquanto eu percorro tudo novamente para devolver a cadeira.
Volto novamente de lá até à rua, pago o parque, meto-me no carro e toca de vir para o Oeste porque nestes dias a minha mãe precisa de ajuda e de amparo...
Demorámos uns 40 minutos entre o Hospital e a entrada na A8, já estava saturada!
Gosto tanto de Lisboa mas o trânsito... ai o trânsito...
Depois foi sempre a andar e eu fiquei elétrica com isto tudo...
Sim, para recuperar trouxe a minha mãe para a minha casa.
Para a semana voltamos a uma consulta no Hospital e logo se verá...
Às vezes sou tão insegura no meu dia-a-dia e nem sei porquê.
Tem dias em que faço de super mulher, e não sei...

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Cenas da minha vida

Vai daí que lá fui ao Hospital durante o fim-de-semana e até fui de autocarro, e não de carro.
Assim, fui mais descansada, a ver as vistas e até a dormitar um bocadinho.
Estando já em Lisboa, fui a pé e assim lavei as vistas e até passei pelo sítio onde trabalhei antes de me mudar para o Oeste e que tantas saudades me deixou...
Mas... o que importa ou interessa isto? Nada...
Vinha aqui escrever este post para dizer que aquando da visita à minha mãe, fui petiscar qualquer coisa pois ainda não tinha almoçado.
Sem saber bem onde ir, carreguei no botão do elevador que dizia cafetaria e lá fui à descoberta.
Depressa encontrei uma espécie de restaurante/bar e pedi um bitoque.
Nestes entretantos, há algo que preciso de referir aqui: raramente ou nunca bebo bebidas alcoólicas. De vez em quando, num petisco ou outro, no restaurante, vem um belo dum panaché ou um vinho rosé mas é mesmo muito raro beber.
Pois eis que peço um panaché para acompanhar o bitoque, que é algo que não costumo pedir.
A resposta foi que não havia.
E eu continuei: "Ah, então pode ser uma imperial.".
E vem a resposta que me fez sorrir interiormente e rir sozinha o resto da tarde, que foi a seguinte: "Não vendemos álcool no Hospital..."
Ora, pois claro! Mas como é que eu não me lembrei disto?!
Não só não me lembrei como ainda me fiquei a sentir uma bêbeda da pior espécie!!! Naquele instante até parecia que eu bebia bebidas alcoólicas frequentemente!!!
Só pode ter sido dos nervos e do stress de tudo o que se está a passar.
Eu a pedir imperiais no Hospital!!!
Então não, era já a seguir!!!
Almocei tranquilamente no meio de vários estudantes, não sei se de Medicina, se de Enfermagem, voltei para junto da minha mãe e só tinha vontade de rir destas cenas.
Isto só comigo...

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Hoje o meu pai faria 74 anos.
Há coisa de 26 anos, soube neste dia que tinha entrado na Universidade no curso da primeira opção mas não do coração.
Há dois anos foi o dia de oficializar o divórcio na conservatória.
Hoje a minha mãe dá entrada no hospital para ser operada ao ombro, depois de uma queda dada há mais de uma semana nas escadas do prédio onde vive há quase 50 anos e onde nunca tinha caído.
Parece que afinal não é preciso cair da bicicleta para se partir o ombro. É que a minha mãe partiu exatamente o mesmo que eu aquando da queda da bicicleta.
Vai daí que desde a queda que tenho ajudado a minha mãe no seu dia à dia.
Vai daí que só quem passa por estas situações é que percebe que muitas coisas são irrelevantes e que muita gente inventa problemas onde não existem.
Quer-me parecer que, à falta do que fazer e à falta de problemas na vida, há quem invente dramas, que para si são reais, e problemas e ande mal disposto só porque sim.
Eu... eu estou cansada, é certo. No entanto, estou a aprender a relativizar, a focar-me no que realmente e em quem realmente importa, e a tentar dar o meu melhor, seja no que for.
Estou também a relativizar a vida e o que fazemos dela.
Passei demasiados anos numa vida em que não se passava quase nada e o relógio não pára, tic-tac, tic-tac.
Vejo a minha mãe a envelhecer e a precisar de ajuda e dou por mim a pensar que amanhã é tarde demais.
O dia de anos do meu pai sempre foi emblemático, mesmo depois da sua partida.
Vou continuar a minha rota.
Vai correr tudo bem.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Memorando de uma saia algures numa loja algures no Oeste

Quando ela chegou, peguei nela, mirei-a de cima a baixo e acabei por lhe pegar ao levá-la para o vestiário para a experimentar.
Gostei de me ver com ela e do seu formato porque eu não sou fã de modelos tradicionais de saias, vulgo, "saias a direito".
Eis senão quando me deparo com um pequeno problema: faltava um botão e ela não trazia consigo outro que pudesse substituir aquele.
Meu Deus, e agora...
Vesti-me novamente e levei-a comigo para perguntar se haveria outra saia daquele tamanho algures numa arrecadação já que pendurada não havia mais nenhuma.
Não há, foi a resposta seca e que quase dilacerou o meu coração.
Ora bolas, uma saia tão gira e não há outro exemplar do meu tamanho.
E agora, o que faço: arranco um qualquer botão duma outra saia que estivesse para lá pendurada como se estivesse a assaltar a loja, volto noutro dia para ver se a loja foi "recarregada" com mais saias ou resigno-me à minha insignificância e esqueço a saia, poupando assim uns trocos.
Passei num dia e noutro e mais outro e de cada vez que ia àquele espaço beber café passava por lá e... nada...
Até que chegou o dia em que me esqueci da saia e nunca mais a procurei.
Eis senão quando que na semana passada, de volta das roupitas, pareceu-me vislumbrar algo parecido com a saia no meio dos saldos.
Aproximei-me quase a medo e assim num repente constato que não só havia uma saia para o meu tamanho como não lhe faltava qualquer botão e, "ainda por cima", estava com mais de 50% de desconto.
Bolas, isto é que foi sorte.
Nunca pensei voltar a encontrar a saia de que tanto tinha gostado, inteira, com todos os botões e por uma pechincha...
Fiquei... feliz...
:-)


Fotos da saia retiradas do 'site' da Pull&Bear:





terça-feira, 7 de agosto de 2018

"Robert Redford anunciou o fim da sua carreira como ator aos 81 anos."

Não posso crer que Robert Redford já tem 81 anos mas também, que idade poderia ter, não é...
Ao ler as notícias da manhã deparo-me com este artigo que dá conta do final da carreira de ator de Robert Redford e lembrei-me logo de um dos filmes de que gostei mais ao longo da minha parca vida cinematográfica: "Out of Africa".
Vi o filme pela primeira vez quando ainda era uma miúda que nada entendia da vida.
Vi mais tarde e fui vendo até chegar o dia em que pensei que gostaria de ir a África por causa do filme e outras coisas mais...
Nunca me esqueci da célebre frase "I had a farm in Africa (...)"... e eu, ainda que nunca tivesse tido uma farm in Africa, nem os meus pais e sem ter qualquer ligação a África, o filme sempre despertou em mim um sentimento de liberdade, de força de vontade e de resiliência que perduraram ao longo do tempo.
O espaço infinito, o Sol, as cores, os aromas que não senti, o romantismo, o poder escrever e imaginar histórias, fizeram-me também imaginar que podia fechar os olhos e sentir tudo isto, só por ver um filme e ouvir a sua banda sonora.
Espero, muito sinceramente, também um dia qualquer da minha vida sobrevoar ou ir a África nem que seja em sonhos...







segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Coisas à gato

Assim fica difícil sair de casa de manhã...
Queria fazer a cama e este menino, que aparece de vez em quando lá em casa para comer um bocadinho de fiambre, adormeceu profundamente... 
Coisas à gato, portanto, já que quem estava incomodada por ter que acordar o Senhor Gato era eu, ainda que tivesse que sair para ir trabalhar...
Depois estas posições melosas também não ajudam nada já que uma pessoa derrete-se toda a olhar e fica com pena de acordar o gato e tal e coiso...
Estou em crer que temos ali um amigo pois já passou duas ou três noites lá por casa.
Deita-se no sofá, dorme a noite toda e de manhã lá vai ele à sua vida, mal se notando a sua presença, a não ser por causa dum pelo, ou outro... mas nada de desarrumações, objectos destruídos ou arranhados ou xixi pela casa fora...
Bem bom...