quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Cuidar...

Faz amanhã ao fim do dia, uma semana que a minha mãe teve alta do hospital, depois de uma hiperglicemia e de um "leve" enfarte...
Desde esse dia que passei a cuidar da minha mãe, isto é, fiquei em casa, com um atestado de assistência à família até ao final desta semana.
A única pessoa de quem tinha cuidado era, e é de vez em quando, o meu filho. É suposto as mães cuidarem dos filhos e é o que tenho feito com o meu e é o que a minha mãe fez durante a sua vida toda comigo, a sua filha única.
Como não estou ligada à área da saúde e como não tenho uma família grande, nunca tive que cuidar de ninguém...
Vejo-me agora, pela primeira vez na vida, neste papel de cuidadora...
Anotei e verifiquei a medicação que dou a horas certas à minha mãe.
Trato das roupas, do acordar e levantar, preparo-lhe o pequeno almoço e as restantes refeições. Trato da casa.
Ajudo no banho e a andar na rua como num dia que quis ir ao cabeleireiro pois já não suportava o cabelo que trouxe do hospital...
Andamos devagarinho pela rua, de braço dado e ainda que a minha mãe nunca tenha estado inconsciente e esteja a recupear bem, dentro do possível, tem estado manifestamente fraca e em baixo.
Dou por mim a ser a mulher da casa, a ir ao pão e a pensar em mimos, como a minha mãe me fazia a mim.
Dou o lanche. Ligo a televisão.
Cuido...
Isto dito agora parece tão egoísta mas talvez por estar longe, não cheguei a cuidar do meu pai, havia a minha mãe na frente da batalha.
Agora não há mais ninguém. Estou cá eu para dar o corpo às balas e para... cuidar...
Felizmente parece-me ser algo temporário mas isto fez-me repensar tantas e tantas coisas sobre a vida, a minha vida, a vida da minha mãe e por aí fora.
A velhice e o enfraquecimento do nosso corpo, é tramado.
Mas sim, estamos bem dentro do possível.
Cuido de todos... da minha mãe, do meu filhote, da minha cadela, do meu gato e até do meu periquito e dos cactos que me deram e que coloquei ao Sol.
A vida é mesmo uma dádiva e pêras...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ali sentada

Faz hoje uma semana que a minha mãe está internada e ontem, pela primeira vez, fui encontrá-la sentada aquando da visita, quer isto dizer que estava fora da cama. E assim, mais uma vez, a ajudei a jantar e a dar toda uma panóplia de comprimidos no final da refeição.
Tudo isto decorre no mesmo Hospital onde estive internada uma semana quando parti o ombro, por causa da queda da bicicleta. O espaço de internamento não é o mesmo mas as urgências e o sítio, é o mesmo...
Enquanto estou com a minha mãe, dou por mim a vaguear em pensamentos que recordam tudo o que se passou na altura... Na altura era eu quem ali estava 'presa' e que tinha visitas, até do meu filho. Já se passaram quase quatro anos... E era uma questão de... ossos... não de funções ou órgãos vitais, como no caso da minha mãe...
Agora 'resto' eu e a minha mãe, e ali estamos as duas, todos os dias, uma com a outra, numa proximidade, numa vida que nos leva a ambas a questionar a vida e a pensar em que raio de vida se tornaram as nossas vidas...
Chega a hora do fim da visita mas eu fico como que prostrada porque enquanto a minha mãe está sentada num cadeirão, o meu cansaço é tal que sucumbo a tombar sobre a cama de hospital onde a minha mãe está. Passo de sentada a deitada, ainda que 'de lado' e não de forma absorta, mas dei conta que ali não teria que pensar em mais nada...
E é por ali, vagueando pelas urgências, pelos corredores e pelo internamento que se dá conta do ser humano na sua não essência e da degradação do corpo humano. Afinal, é tão somente uma máquina que no fim é lixo, que se estraga e deteriora...
Hoje é um novo dia. E hoje lá estarei. Levo uma garrafa de água e um pastel de nata que me pediu para levar.
Hope...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Faz hoje um mês...

Pois é, faz hoje um mês que... que não pedalo!!! Pelo menos, não na rua...
:-(
A verdade é que o tempo está a passar e eu cada vez tenho menos tempo no tempo... Para além disso, entre alguma inércia e preguiça em me levantar cedo por causa do frio que se faz(ia) sentir, 'coisas para fazer' em casa ou com o filhote, o filhote e a minha mãe adoentados nas férias que tive no Natal, e agora com a minha mãe internada, parece que não sobra tempo quase nenhum, nem para mim própria... Tenho tentado ir ao ginásio mas é tudo a correr e à hora de almoço, já que a minha mãe não tem visitas a essas hora, e só ao final do dia é que a posso ir ver...
Convém recordar que de Inverno só consigo pedalar ao fim de semana já que durante a semana trabalho o dia todo, fechada...
Isto daqui a pouco parece coisas daquelas pessoas que inventam sempre desculpas ou que se escudam atrás da falta de tempo para não fazerem as coisas mas, de facto, sinto que a minha vida se modificou, e quiçá a vontade e coragem também...
Estou em crer que irão regressar, a vontade e a coragem, mas... está difícil... Está-me a ser muito mais difícil levantar cedo e aguentar o frio imenso nas pedaladas matutinas... Sinto-me a ficar incomodada com o frio e com o facto de ter que vestir muita roupa... 
Também convenhamos que o ânimo não tem sido muito mas anseio por um dia de Sol no fim de semana para poder ir dar a primeira voltinha do ano...

Assim com'ássim, deixo as pedaladas e as corridas de 2016. Podia ter sido melhor pois fiquei a alguns quilómetros dos 4000 e tal pedalados em 2015, mas também podia ter sido pior. O que importa é continuar a pedalar em 2017 mas estou a ver que, por este andar, os quilómetros pedalados em 2017 serão ainda menos...


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Ei Universo, "what's going on...?"

Mas a verdade é que desde que me separei, e divorciei, que acontece algo que não acontecia antes, e garanto que isto é verdade: que é as pessoas falarem comigo...
Como é que eu hei-de explicar isto...? É que antes da separação eu estava sempre no meu canto e tal, por isso, não sei se a explicação disto está nos outros ou se fui eu que mudei algo em mim e não notei...
Desde que me separei que mal tenho tempo para 'respirar' sempre com tantas pessoas a 'quererem' falar comigo, sejam pessoas que conheço da minha vida, pessoas que conheço "de vista" ou pessoas nunca antes vistas. 
Seja no talho, na charcutaria, numa secção específica do supermercado ou no supermercado em geral, ou numa repartição pública, ou até no ginásio onde nunca falei com ninguém, e agora, mais recentemente, no Hospital onde tenho ido todos os dias por causa do internamento da minha mãe, há sempre alguém a (querer) falar comigo...
Mas isto não se fica por aqui... Através do Messenger, de SMS ou do telemóvel, as pessoas contactam-me, mas aqui são as pessoas que eu conheço mesmo, obviamente, e não estou com isto a dizer que não gosto ou não quero, é só porque às vezes nem consigo atender o telefone porque... também estão a falar comigo no meu trabalho ou noutra situação qualquer...
Parece que passei dum mundo silencioso para um mundo falador em que eu própria me vejo obrigada a falar, correndo o risco de parecer extremamente antipática e mal educada se não o fizer...
No ginásio estava sempre para lá no meu canto... Agora já falo com algumas pessoas que vão nos mesmos horários que eu vou, e há anos que também o fazem, tal como eu... Mas se encontro alguém desconhecido no balneário, também começam a falar comigo...
No Hospital já perdi a conta ao número de pessoas com quem tenho falado, pessoas que conheço do sítio de onde moro, da Escola do filhote, pessoas que conheço de vista mas que ali se aproximam, pessoas que conheci nas urgências e que têm familiares internados no mesmo sítio onde a minha mãe está e por aí fora...
Às vezes... às vezes já não sei para onde virar a cabeça para... falar...
E bem sei que é uma parvoíce estar a associar esta situação à separação e ao divórcio mas é que antes não me recordo de falar com tanta gente como depois de tal acontecer... Eu que achei que ia mergulhar numa solidão imensa qualquer, afinal, vejo-me rodeada de... gente e de pessoas realmente amigas que querem o meu bem...
É a vida...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Don't you dare to fail me

Não sei porque escrevi o título em Inglês, coisas que nos passam pela cabeça. Parece que há coisas que soam melhor na Língua Inglesa.
Estava eu a falar no Natal no 'post' aqui por baixo, quando agora digo, realmente, "Don't you dare to fail me" à minha mãe.
Na última semana do ano estive de férias e foi uma animação, só que não... O filhote esteve doente com febre e vómitos que duraram até para aí à quarta-feira, tendo nós saído de casa na quinta-feira, não fosse o filhote piorar.
Nestes "entretantos", a minha mãe também ficou adoentada. Primeiro com dores nos ossos, e no corpo, e depois começou com mais dores e alguma falta de ar.
Foi duas vezes ao hospital e das duas vezes que lá foi, veio embora, medicada e com a marcação de uma consulta no Hospital.
Mas eis que ontem, ia eu a caminho da Escola do filhote para ter a reunião sobre a avaliação do 1.º período, me liga a dizer que não se sentia bem.
Rumei para casa e tivemos que chamar a ambulância ainda que a minha mãe não estivesse inconsciente ou deitada.
Entrei em 'stress' por estar tudo a acontecer ao mesmo tempo, a reunião da Escola, a ida para o hospital da minha mãe e por aí fora.
Como estava "lúcida", foi a minha mãe sozinha na ambulância enquanto eu fui a correr à reunião da avaliação e em que pedi aos pais e mães presentes se se importavam que fosse eu a primeira a falar com a Professora, ao que todos anuíram e assim foi.
Saí disparada da Escola rumo ao Hospital e fui logo chamada pela médica. A minha mãe, sentada numa cadeira de rodas, foi observada, tiraram sangue e pediram para eu ir com ela ao Raio-X, ainda que a tenha ajudado pelo meio a ir à casa de banho.
Ficou para observação e disseram para eu regressar por volta das 22:00 e assim o fiz.
Estava consciente e acordada, deitada numa maca, ficou internada por causa da falta de ar e por ser diabética e estar com hiperglicemia.
Vim embora carregando os seus anéis e a aliança de casamento. E depois de muito matutar, acabei por desabar no carro enquanto conduzia sozinha, absorta nos meus pensamentos e na música alta que espantava aquela sensação de não ter o controle ou o domínio sobre nada.
De repente a minha mãe está-me a falhar e não pode ser. A minha mãe é um ser único e imortal, não me pode falhar, não agora, não depois de tudo por que tenho passado.
Não é nada de grave mas esta sensação de impotência ou que de repente os pais envelhecem e que não podemos fazer nada, é realmente dura.
Já perdi o meu pai, não tarda nada há quatro anos. Por isso, agora é bom que a minha mãe recupere e que não me falhe, não me o pode fazer...
Achei que o ano de 2017 ia começar de melhor forma mas, até ver, não vejo nada...

Foto do meu batizado, tendo eu 5 meses, ao colo da minha mãe e com o meu pai ao lado.
Belos tempos...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O Natal e eu (post atrasado ou extemporâneo ou... qualquer coisa do género)

Nunca liguei muito ao Natal.
Desde criança que o associo a uma seca pegada ou não fossem as memórias dos meus Natais algo tão insípido como passar o serão da noite da consoada tão somente com os meus pais num sossego desmesurado.
Por vezes, o meu pai até adormecia antes da meia-noite e ali ficava eu com a minha mãe a ver televisão, a petiscar os inúmeros doces natalícios e a desejar que o tempo passasse para poder abrir as prendas que restavam debaixo do pinheiro de Natal.
Não sei se por minha causa mas a minha mãe nunca adormeceu na noite de Natal, ao contrário do meu pai que se estava positivamente a borrifar para a época e que adormecia em pé, ainda no corredor, a caminho do quarto. A propósito, acho que estou a ficar parecida com o meu pai nisso mas... adiante...
Por volta da meia-noite eu abria as prendas e a minha mãe ia fritar camarão à sua moda e era bem bom pois ainda hoje me delicio com este camarão frio, o pão, o molho, o pão no molho e por aí fora...
Bom, e vai daí que cresci e associei sempre a noite de Natal a um serão algo triste e solitário já que a nossa família éramos apenas nós, sem mais ninguém que viesse "da terra" ou sem irmos nós "à terra" que não tínhamos, pelo menos eu e o meu pai, já que a minha mãe também não tinha mais ninguém na sua... "terra"...
Depois cresci, construí a minha família, tive um filho, e durante uns anos os Natais até passaram a ser animados com mais gente, dos dois lados da família, o meu lado e a família do outro lado.
Mas até nisso as coisas se modificaram pois se durante alguns anos (poucos...) as noites de Natal até tinham "muita gente"), sem ninguém esperar, as pessoas que com quem passávamos a noite de Natal começaram a desaparecer.
A vida começou a levar aqueles de quem mais gostávamos, ou melhor, a morte levou-os...
E assim de repente, as noites de Natal voltaram a ser invadidas por alguma tristeza por não termos junto de nós aqueles que nos eram tão queridos.
De repente tinha o meu filho na noite de Natal mas já não tinha o meu pai.
E assim se passou o tempo, os anos e o Natal.
Até que chegou o meu primeiro Natal e a minha primeira passagem de ano enquanto mulher, pessoa e mãe divorciada.
E tudo mudou novamente.
A realidade que via nos outros passou a ser a minha.
Na noite de Natal tive o meu filho e a minha mãe comigo mas no dia de Natal não tive o meu filho durante a parte do dia que foi passada com o pai.
Na noite da passagem de Ano, pela primeira vez na minha vida, não tive o meu filho comigo. Desde que nasceu que nunca tinha passado uma passagem de ano sem o meu filho que esteve, desta vez, com o pai.
Assim é a vida, uma roda viva, de situações, momentos e pessoas.
Uma coisa é certa, o sentimento que me acompanha desde criança mantém-se: a noite de Natal é uma seca tremenda.