quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ocorrem-me estes pensamentos...

Ainda que esteja tudo bem, falo tão pouco com o meu pai...
Todas as conversas são tidas com a minha mãe, via telemóvel, e raramente ou nunca telefono ao meu pai ou ele me telefona a mim...
E às vezes sinto que não lhe disse tudo o que queria dizer nesta vida e às vezes sinto falta das suas conversas e conselhos sábios, quase filosóficos dum homem vivido e com quem me desentendi bastantes vezes, mesmo em adulta e depois de casada e de ser mãe...
Sempre entrámos em 'conflito' facilmente ainda que o meu pai tenha sido tudo para mim e de tudo tenha feito para me proporcionar uma boa vida... Sempre se fartou de trabalhar e garantiu sempre que nada me faltasse (o meu pai e a minha mãe óbviamente).
E há algo que nunca me saíu da cabeça e que o meu pai sempre me disse ao longo do meu crescimento e formação, não tendo eu entendido isto, muitas vezes, da melhor forma: "Filha, tens de ser independente. Tens de conseguir não depender de ninguém em nada para que a tua vida um dia não seja difícil. Tens de ser independente de nós, tens de conseguir viver com o que conseguires para ti...".
E durante muitos anos acho que não entendi(a) esta necessidade e conceito de 'independência'... Agora entendo e compreendo e nunca disse ao meu pai que a Educação e os meios que ele e a minha mãe me deram conseguiram atingir esse objetivo, o da 'independência'...
A minha Educação permite-me, realmente, ser independente em vários sentidos.
E eu sinto necessidade de dizer isto ao meu pai.
Se calhar quando sair do trabalho vou telefonar-lhe e dizer precisamente isso, não vá um destes dias ser "tarde" demais para o fazer...

3 comentários:

akombi disse...

Fazes mto bem em dizer isso e tudo o que o teu coração mandar, mas, como em tantas coisas que aqui relatas, identifico-me tanto contigo.....tb eu cresci com mais conversas com a minha mãe, o meu pai pouco falava com ele, ele que era mais velho 12 anos que a minha mãe, mas na fase final da vida dele, muitas coisas foram ditas com poucas palavras, com olhares
( os olhares que me deu qd internado, alguns deles intubado sem poder falar e só me apertando a mão),ele partiu com a certeza do amor da nossa familia, e o seu pedido, pediu-me a mim, foi concretizado, ser enterrado a onde está. Sinto que este mal, o cancro no figado, que o levou fez tb que houvesse uma despedida e que nada ficou por dizer e entendo melhor a sua morte.

Just Me disse...

Gostei muito deste post, porque acho que nada deve ser deixado por dizer, principalmente aos nossos mais chegados familiares. Aproveita para falar com o teu pai enquanto cá está... Eu já não posso falar com o meu... :( Beijinho

Vera, a Loira disse...

O teu pai é um sábio, espero que lhe tenhas ligado.