domingo, 29 de abril de 2012

Chove, não chove, chovia, choverá, chove mesmo muito...

Mas eu não quis saber se chovia ou deixava de chover porque na minha cabeça já tinha determinado que quer chovesse, ou não, que iria pedalar na mesma os quilómetros habituais...
Na verdade saí de casa sem chuva, apenas muitas núvens negras pairavam no céu e quando passaram para aí uns 2 quilómetros de pedalar, começou a chover.
Primeiro pensei que era coisa pouca, que ia parar de chover, que não tinha importância nenhuma, que tinha o corta vento na mochila caso a chuva se agravasse mas que, por certo, não ia ser necessário.
No entanto não foi bem assim.
A chuva chegou de mansinho e devagarinho mas depressa se tornou forte e intensa e nessa altura eu já ia em descidas cheias de areia, pedras e lama mas tinha que continuar, desse lá por onde desse.
Ainda estava próxima de casa e poderia ter voltado para trás mas achei que aguentava, que tinha que aguentar para bem da minha sanidade mental.
Molhada, encharcada, rodeada de lama e de autênticas piscinas com água enlameada mas tinha que continuar.
É nestes momentos que me sinto a descomprimir e  a pensar em muitas coisas só minhas, que podem ser parvoíces para muita gente mas que são importantes para mim. São coisas de que não falo a ninguém, coisas e pensamentos só meus e já sei que estamos todos benzinho de saúde e que temos emprego e essas coisas todas que fazem pressupor uma "boa vida" dentro do possível.
No entanto, tenho muitos pensamentos e reflicto sobre uma série de coisas que me fazem apetecer pedalar e cada vez mais por caminhos difíceis e duros de contornar e passar tal como acontece em muitos momentos da vida.
Sozinha a levar com a chuva na cara e no corpo e tendo-me perdido por uns metros num caminho sem saída, a ter que voltar para trás numa subida cheia de lama, foi uma sorte não ter escorregado e caído...
Ainda assim prossegui com os meus pensamentos e as minhas 'ganas' que me fizeram aguentar quase 20 quilómetros sem o corta vento vestido. Só nessa altura parei e o tirei da mochila e de pouco adiantava. A bicicleta, a mochila e o meu corpo estavam cheios de salpicos de lama e areia dos caminhos e o corta vento só veio aconchegar a blusa encharcada que se me colava ao corpo.
Tomei café, a chuva continuou sempre e por isso foi mais difícil pedalar. O chão estava pesado, o vento contrariava o sentido em que pedalava e a água molhava-me o corpo.
Mas sei que se não tivesse pedalado estes 40 quilómetros à chuva que teria ficado com uma neura descomunal.
Estou... a testar os meus limites, a tentar superar-me, a dar o melhor de mim, a perder medos, a melhorar, a progredir, a tentar preparar-me para maratonas que aí veêm e também para a vida que é dura e que por vezes me magoa, tal como as pedras que saltam quando passo com a bicicleta e me acertam nas pernas ou na cara.
Noto agora que os pensamentos que me assolam a mente não passaram e que, por certo, agora que o Sol decidiu vir em força, ainda era capaz de pegar na bike e ir, apenas ir...

(40.1 km, 1620 kCal gastas em 02h33mns, média de velocidade 15.8km/h.)

3 comentários:

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Correr à chuva é bom! Purificador! Libertador! Mas que ficamos um "nojo", com água e lama, roupas, ténis, quando temos por exemplo de voltar para casa de carro, lá isso é! De bicicleta então, imagino, é banho de mangueira à chegada a casa não? Tu e a bicicleta, calculo :) Mas deve saber igualmente bem, e isso é que importa!

Just Me disse...

Grande prova de força! Muito bem, também gostava de ser assim... Beijinho

Vera, a Loira disse...

Eu digo sempre que pedalar á chuva nos lava a alma. Este domingo também achei que ía ter de pedalar á chuva, mas no final foi muito engraçado, porque lhe fugimos, subimos uma montanha e vimos as nuvens ao longe e a chuva a chegar, subimos outra e vimos uma tempestade, mesmo para o lado que tinhamos de ir, mas acabou por passar e só choveu quando cheguei a casa. No conta Km 40,80