quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Aproxima-se a hora da despedida

E com ela aproxima-se a hora da minha tristeza interior.
Não é neura, não é nada, é só um sentimento de quase "perda" quando começo a pensar que está quase na hora dos meus pais irem embora.
Passa tudo tão rápido, chegaram no sábado, já passou o Natal e amanhã já vão embora.
E como já sei como é que isto funciona, sei que no antes e no dia me custa e que fico em baixo, que dói a ausência, a distância e que depois volto às minhas rotinas e que estes sentimentos passam. Quer dizer, na verdade não passam, apenas ficam submersos por outras distrações.
Ainda hoje à hora de almoço, enquanto procurava desesperadamente por um lugar para estacionar para ir tratar da minha vidinha, vinham à minha cabeça estes pensamentos, que lá vamos nós ficar distantes novamente e que este ano, em princípio, não devemos passar a passagem de ano juntos.
Sou tão crescida e há sentimentos e emoções em que pareço tão pequenina. De repente volto a ser a menina pequenina, única filha, sempre agarrada aos papás, sempre só nós os três...
Com a distância e as ausências consigo ver melhor o envelhecimento dos meus pais e isso também dói, oh se dói...
Não são as mesmas pessoas. Quer dizer, são mas de forma diferente. Para onde foi toda a força e energia, toda a garra e os super poderes que achamos sempre que os pais têm...
Para onde foi o meu pai, boémio tantas vezes nas noites perdidas de fado que cantava como se não houvesse amanhã, cheio de força, sem microfones. Para onde foi a sua força cavalar e a energia que o faziam andar de um lado para o outro. Para onde?! Apetece-me berrar à vida a perguntar no que se transformou o pai que quando se senta no sofá adormece imediatamente, que não tem forças para "aguentar" o neto...
E para onde foi a minha mãe que  me tratava e fazia tudo?
Continua a fazer e a tratar mas já não é a mesma coisa...
Se calhar eu é que ainda não idealizei que cresci, que agora a mãe sou eu e que os meus pais envelheceram fechados no seu mundo...
Para onde foi a minha infância feliz à qual pareço não largar a mão.
Para onde foram tudo e todos.
Para onde foi e veio a minha vida...?

3 comentários:

Dear Daisy disse...

Obrigada por me fazeres sentir mais normal.
Agora fizeste-me sentir menos só.
Também sou filha única e entendi cada palavra que escreveste.
Os meus pais vivem a quase 300km de mim...

Quando encontramos alguém que sente o mesmo que nós, parece que já não é tão difícil.

Beijinho e força!

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

é a vida...

Nascemos, crescemos e morremos.

Pelo meio, alegrias, tristezas, recebimentos e dádivas! Deixamos marcas, semeamos, fazemos o presente e o futuro e um dia tivemos feito o passado.

Resta-nos "apenas" viver a vida, peças numa engrenagem gigante.

Sinto bem o que dizes... (tenho 43 anos), e já há uns anos que vi esse filme que hoje aqui descreves.

Amemos os nossos pais, os nossos filhos, é nosso dever e prazer cuidar e amar, tornar a vida dos que nos rodeiam o melhor possível, assim como a nosso própria. Escolhas obrigatórias, nem sempre se ganha... às vezes somos obrigados a deixar coisas para trás, coisas por fazer, mas temos a obrigação como seres que tẽm a benção de estar vivos, de vivermos o melhor possível e fazer o mesmo pelos que amamos e nos rodeiam.

Beijinho e Bom Ano de 2013 com tudo que te permita ser muito feliz :)

Algures no Oeste disse...

DEAR DAISY: E no meu caso "só" estamos a 100 kms... Com 300 kms pelo meio deve ser bem difícil às vezes...
Beijinhos e bom ano.

MARIA SEM FRIO NEM CASA: É isso mesmo... Tens toda a razão em tudo o que dizes...
OBrigada pelas tuas palavras.
Beijinhos e bom ano também para ti :-)