Foi há duas semanas que o meu marido apareceu, por volta desta hora, à porta do meu gabinete no trabalho...
Era o dia dos namorados mas eu sabia que ele não estaria ali à porta para me oferecer um ramos de flores e se não tivesse acontecido algo extremamente grave porque tinha ido trabalhar para... Lisboa...
Estava eu ao telefone, em trabalho, e tinha a porta do gabinete encostada. Notei que estavam umas "sombras" do lado de fora da porta, à minha espera, e pensei cá para comigo que a agitação laboral não parava, tipo, mas que coisa, assim não consigo despachar tudo o que requer a minha concentração e 'isolamento'...
Quando pousei o telefone, a porta abriu-se e vi que era o meu marido...
Não foi preciso falar nem dizer mais nada, nem dar informações ou indicações.
Levei as mãos à boca, em ato de desespero, e sussurrei baixinho "não pode ser..." mas era...
Arrumei as minhas coisas e saímos. Na altura nem chorei muito, só não queria falar sobre o que tinha acontecido, quase não tive reação, não sabia como reagir nem o que fazer...
Faz hoje duas semanas que por esta hora estava a sair do Oeste rumo a Lisboa, com a cabeça a mil...
Duas semanas passaram e não houve dia em que não pensasse no meu pai, tenho sonhado com ele (aconteceu na noite da madrugada em que faleceu, noutros dias e até esta noite...), e ainda não consegui não vestir uma peça de roupa que não tenha preto.
Sempre gostei de usar preto nas roupas do meu dia à dia mas noto agora que (ainda) não consegui mudar as cores, alternando entre umas calças ou uma camisola pretas conjugadas com uma peça doutra cor...
Sempre gostei de usar preto nas roupas do meu dia à dia mas noto agora que (ainda) não consegui mudar as cores, alternando entre umas calças ou uma camisola pretas conjugadas com uma peça doutra cor...
Não me tem apetecido falar muito sobre o que sinto com outras pessoas e por isso venho aqui para o blog 'descarregar' o que me vai na alma.
Escrever sim, falar não tanto... E ainda que eu saiba que a vida continua, preciso dalguma forma de mandar cá para fora os meus pensamentos e sentimentos...
Até me imaginei numa consulta de Psicologia e a nem saber por onde começar e a nem me apetecer dizer nada...
Enfim, isto pode parecer repetitivo mas tem mesmo que ser...









