Ontem ao fim do dia, chegada do trabalho, (ainda) fui pedalar...
O Sol estava mesmo a desaparecer mas só precisei de "ligar" as luzes passada uma meia hora da pedalada... Constatei que a iluminação não é lá grande coisa, não vejo quase nada no mato pelo que o melhor, mesmo correndo o risco de ser atropelada ou outra coisa qualquer, é ir pelo alcatrão...
Ou então sou eu que estou a ficar velha e caquética e esquesita e a ver menos bem porque o treme-treme da luz que imana da bicicleta no chão áspero e irregular, com troncos, pedras, ervas e pinhas caídas no chão, estava-me a dar dores de cabeça...
É bom pedalar mas às vezes parece que me irrito com isto e com as minhas 'prestações' ou então, para além de estar a ficar velha e caquética como já tinha dito ali em cima, estou também a ficar repetitiva ('chiça!'), estou a constatar que nunca hei-de ser uma grande atleta. Que não tenho um grande kit de pernas e que por isso não irei desatar a vencer provas e muito menos a fazer disso a minha vida.
Gosto de pedalar sim, mas para quê criar expetativas tontas para provas em que sei que não sou ulta veloz nem domino acérrimamente as técnicas todas do BTT...
Isto ontem não foi uma boa pedalada. Acho que foi também de ser dia do pai e de me estar só a lembrar do meu e de como já "não existe".
E depois veio e instalou-se a neura, de mansinho como quem não quer a coisa. E desatei a embirrar com a bicicleta e, principalmente, comigo mesma e com as minhas capacidades...
Que não tenho 'unhas' nem o kit de pernas suficientes e necessários para ser uma grande pedaladora de BTT.
Tenho prazer, paixão e gosto por pedalar. Tenho resistência e capacidades aeróbicas. Mas não tenho grande rapidez, avidez ou agilidades suficientes para ser mega rápida. E neste momento irrita-me pensar em rapidezes, avidezes ou ter que ser mais rápida ou pensar que em grupo sou sempre a que fico para trás. Sou sempre a gaja que nas subidas se 'vai abaixo' e pedala muito mais devagar do que qualquer outro mesmo sendo a única a ir frequentemente ao ginásio e a esforçar-me que nem uma danada.
Sou sempre a tipa que hesita em valas e descidas vertiginosas.
Sou sempre a fulana que fica atrás de toda a gente.
Se calhar o melhor é mandar a bike à m**** e ficar sossegadinha no meu canto. Se calhar não tenho jeito para pedalar e insisto e persisto em algo para o qual afinal se calhar não tenho mesmo jeito. Sinto muitas das vezes que não tenho jeito nenhum para andar de bicicleta.
Por muito que treine e me esforce as subidas são sempre um papão, fazem-me sempre ficar com os bofes de fora, fazem-me transpirar, fazem-se ser lenta que nem um caracol, fazem-me sempre ser a última das pessoas com quem pedalo, a minha amiga, o meu marido, os nossos amigos do pedalanço e, quiçá, até um qualquer caracol ranhoso e baboso que vá também a subir...
E tem dias que isso me farta.
Sou a única que faz cycling e sou sempre a mesma a ficar para trás.
Damn the bike...!