Desculpem não ter vindo aqui antes mas escrever só com a mão esquerda custa-me mesmo muito e ainda mais me custa ter tanto para escrever e partilhar e não o conseguir fazer à velocidade e quando o quero...
Faz hoje uma semana que saí do hospital, faz amanhã duas semanas que fui operada com anestesia geral...
Está tudo 'bem' dentro do possível, não me resta mais nada a não ser esperar que isto passe, que o tempo passe e com um bocadinho de sorte, lá para o fim do verão estarei (mais ou menos) 'operacional'...
Tenho dores insuportáveis à noite que me acordam e deixam cansada.
Sinto e sei que a minha vida mudou e se tenho dias em que está tudo mais ou menos, tenho outros em que não suporto não poder fazer quase nada, a não ser caminhar.
Hoje tomei banho sozinha pela primeira vez desde que parti o ombro e foi bom sentir esse 'progresso' que, ainda assim, me deu dores mas me fez sentir 'útil'...
Tenho momentos em que me sinto uma aleijada incapacitada com a força dum touro mas que está presa, está acorrentada pelo braço que carrega ao peito e que não lhe permite atar sapatos ou partir a comida que tem no prato...
Angustia-me não poder correr, nem andar de bicicleta, nem fazer cycling ou pura e simplesmente levantar o braço...
Horroriza-me pensar que posso engordar novamente porque uma caminhada de uma hora, em passo rápido, gasta-me para aí 300 calorias e eu fazia exercício de forma tão intensa, estava em tão boa forma, e agora parece que vou atrofiar o meu corpo (e mente...) com esta paragem forçada.
Tenho lido bastante mas isso não me retira a ansiedade de estar quieta, de não poder conduzir, de não ser livre como era...
Estou farta de estar em casa, hoje nem me lembrava que era feriado do dia da liberdade, talvez porque eu própria estou presa...
Isto é um imenso teste à minha paciência e capacidade de 'sobrevivência' a toda esta situação...
Tenho aprendido muito mas às vezes apetece-me baixar os braços, enfiar-me debaixo dos lençóis e adormecer como se fosse um urso a hibernar mas no verão, e acordar só lá para outubro quando, supostamente, o ombro e o braço estarão a funcionar normalmente. Quer dizer, normais nunca o ficarão a 100%, já me avisou o médico, mas pelo menos nessa altura já poderei ter a minha vida de volta e não estar sujeita a vestir apenas camisas, blusas com botões e blusas dois tamanhos acima do meu para lá conseguir vestir e enfiar o meu braço que parece uma peça solta do meu corpo, dependurado, negro, ainda com o penso e os agrafos da operação...
Cortei o cabelo e ando com roupas mais 'confortáveis'... Vagarosamente consigo maquilhar-me com a mão esquerda mas não é a mesma coisa... Sinto-me sem a graça e a 'luz' doutros tempos... Para onde foi a minha energia, a vontade e o ânimo de não desistir...
Obrigada pela vossa preocupação mesmo com a minha ausência aqui do blog. Como me custa a escrever confesso que tenho partilhado mais e pequenas coisas no facebook...
Mas agora a ver se venho aqui mais, preciso realmente de escrever...