segunda-feira, 29 de abril de 2013

Será isto possível novamente nalgum dia...(?)

Não quero parecer um muro de lamentações mas quando olho para todas as fotos que tenho com a bicicleta, pergunto-me se conseguirei novamente nalgum dia voltar a conseguir fazer o que vejo nas fotos...
Aqui vou eu com a bike debaixo do braço que agora me faz gemer e contorcer de dores ao mínimo movimento como se o meu corpo fosse uma gelatina que abana com um simples toque...
Sinto-me uma espécie de Sansão a quem cortaram os cabelos.
Só queria que o tempo passasse e que as malditas dores me deixassem em paz e que tudo voltasse a ser como antes...

- foto retirada -

Little stitches...

Pequenos pontos poderia ser o título deste post ou pequenos agrafos ou...
Hoje foi o dia de me retirarem os agrafos da costura da operação e não me custou. Na verdade, desde a queda e de tudo o que passei que a minha noção e tolerância à dor se alteraram profundamente... O que é que custa arrancarem-me um penso bem colado ao ombro e braço ou retirarem-me os agrafos depois das dores tortuosas e agoniantes que tive com a queda e, principalmente, com o Ortopedista a esticar-me o braço e a 'ajeitar' o ombro, ou melhor, os ossos dessa parte do corpo no verdadeiro sentido do termo, de que realmente há um esqueleto dentro de nós... Mas como estava a dizer, o que é que me doem coisas simples, depois do que passei, das injeções diárias na barriga por causa dos efeitos pós anestesia geral, enquanto estive internada, do enjoo que doeu no dia a seguir à operação e que me fez vomitar toda a comida ingerida nesse dia à frente de visitas e se há coisa que eu detesto, é vomitar... O que é que me dói depois das dores diárias que tenho, e ainda mantenho, quando se mexe na zona partida e próxima do ombro, depois de noites seguidas muito mal dormidas com as dores no braço e no ombro.
O que é que me pode doer depois de todas estas torturas...? Certamente não será o arrancar dum penso ou a fila imaculada e direitinha de agrafos que seguravam a minha pele...
Bom, mas a cicatriz está 'bonita', se é que tal é possível numa 'marca' que irá ficar para sempre no meu corpo 'liso', 'limpo' de marcas, cicatrizes, tatuagens e por aí fora... O meu corpo ganhou uma cicatriz, a minha primeira, e logo depois de "velha" e por causa duma queda a andar de bicicleta... assim se vê que tive uma infância, adolescência e vida adulta muito pacatas...
Mais uma vez resta-me aguardar, esperar e desesperar que o tempo passe... E eu começo a cansar-me de só me restar ter paciência, esperar, ler, comer e orar...

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Desde que caí que...

Estou a ler presentemente e a adorar.
É como se estivesse dentro do livro:



Terminei de ler:


Li este livro desde o dia em que fui internada até a um dia antes de ter alta.
Fui "apanhada" várias vezes enquanto o lia, tanto pelo pessoal do hospital, como pelo
médico que me operou e pelo sr. Padre que visitava os doentes:


Este era mais um que estava pendente.
Acabei de o ler nos últimos dois dias do meu internamento:


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Dia da Liberdade...

Desculpem não ter vindo aqui antes mas escrever só com a mão esquerda custa-me mesmo muito e ainda mais me custa ter tanto para escrever e partilhar e não o conseguir fazer à velocidade e quando o quero...
Faz hoje uma semana que saí do hospital, faz amanhã duas semanas que fui operada com anestesia geral...
Está tudo 'bem' dentro do possível, não me resta mais nada a não ser esperar que isto passe, que o tempo passe e com um bocadinho de sorte, lá para o fim do verão estarei (mais ou menos) 'operacional'...
Tenho dores insuportáveis à noite que me acordam e deixam cansada.
Sinto e sei que a minha vida mudou e se tenho dias em que está tudo mais ou menos, tenho outros em que não suporto não poder fazer quase nada, a não ser caminhar.
Hoje tomei banho sozinha pela primeira vez desde que parti o ombro e foi bom sentir esse 'progresso' que, ainda assim, me deu dores mas me fez sentir 'útil'...
Tenho momentos em que me sinto uma aleijada incapacitada com a força dum touro mas que está presa, está acorrentada pelo braço que carrega ao peito e que não lhe permite atar sapatos ou partir a comida que tem no prato...
Angustia-me não poder correr, nem andar de bicicleta, nem fazer cycling ou pura e simplesmente levantar o braço...
Horroriza-me pensar que posso engordar novamente porque uma caminhada de uma hora, em passo rápido, gasta-me para aí 300 calorias e eu fazia exercício de forma tão intensa, estava em tão boa forma, e agora parece que vou atrofiar o meu corpo (e mente...) com esta paragem forçada.
Tenho lido bastante mas isso não me retira a ansiedade de estar quieta, de não poder conduzir, de não ser livre como era...
Estou farta de estar em casa, hoje nem me lembrava que era feriado do dia da liberdade, talvez porque eu própria estou presa...
Isto é um imenso teste à minha paciência e capacidade de 'sobrevivência' a toda esta situação...
Tenho aprendido muito mas às vezes apetece-me baixar os braços, enfiar-me debaixo dos lençóis e adormecer como se fosse um urso a hibernar mas no verão, e acordar só lá para outubro quando, supostamente, o ombro e o braço estarão a funcionar normalmente. Quer dizer, normais nunca o ficarão a 100%, já me avisou o médico, mas pelo menos nessa altura já poderei ter a minha vida de volta e não estar sujeita a vestir apenas camisas, blusas com botões e blusas dois tamanhos acima do meu para lá conseguir vestir e enfiar o meu braço que parece uma peça solta do meu corpo, dependurado, negro, ainda com o penso e os agrafos da operação...
Cortei o cabelo e ando com roupas mais 'confortáveis'... Vagarosamente consigo maquilhar-me com a mão esquerda mas não é a mesma coisa... Sinto-me sem a graça e a 'luz' doutros tempos... Para onde foi a minha energia, a vontade e o ânimo de não desistir...
Obrigada pela vossa preocupação mesmo com a minha ausência aqui do blog. Como me custa a escrever confesso que tenho partilhado mais e pequenas coisas no facebook...
Mas agora a ver se venho aqui mais, preciso realmente de escrever...

terça-feira, 16 de abril de 2013

Quando é que isto acaba?

Mas quando é que este pesadelo acaba? Digam-me que isto é um filme mau em que estranhamente sou a atriz principal. A operação correu bem mas estar internada, as dores, o estar quieta deixa-me em desespero. O tempo para pensar é muito e parece-me que a maior parte da minha vida são desilusões e que tirando o meu filho não tenho quase nada a que me agarrar. Estar assim é brutal no sentido de brutalidade e violento. Dizia eu que saltava,dançava e pulava e agora preciso de ajuda para tomar banho. Hoje acordei muito em baixo. Quero a minha vida de correrias de volta...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

It's a fine day...

Está cinzento e de chuva.
Um bom dia portanto para ir para o internamento do hospital.
Estou deserta que isto passe. A operação devia ter sido logo quando a queda aconteceu, afinal faz hoje uma semana que tudo aconteceu.
Esta espera, este impasse e a angústia de não saber bem o que me espera deixam-me sem vontade para nada.
Espero não ficar muitos dias internada e que amanhã a cirurgia seja logo de manhã para "despachar"...
Penso na recuperação e em que o tempo passe rapidamente rápido.
Como sou teimosa e pelos vistos continuo a achar que sou uma espécie de super mulher, fui tomar banho sem 'avisar' ninguém cá em casa, sem pedir ajuda mas... quando chegou à parte do tronco tive que pedir ajuda...
Uma coisa tão habitual e normal, feita por vezes três vezes no mesmo dia, tornou-se agora algo moroso e em que preciso de ajuda. Sim, estou a falar dum simples duche...
Esta sensação de não poder é pavorosa e fere o que resta do nosso orgulho...
Precisar de ajuda e deixar que nos ajudem, eis algo a que não estou habituada.
Vou pensar que vai correr tudo bem. O que poderia correr pior, bom, já nem digo nada...
Portanto, agora é que me vou porque no telemóvel, no hospital, acho que só consigo aceder ao facebook...
Até breve e obrigada pelos vossos comentários e apoio :-)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Foi a minha mãe que disse

Estou agora sozinha em casa num dia com mais dores do que os outros.
Um dia em que fui ao meu trabalho para deixar tudo organizado porque não sei se vou estar ausente um mês ou cinco ou seis...
A minha mãe saiu e o filhote e o pai foram para as atividades.
Estou sozinha e com o intensificar das dores e a aproximação da operação aproximam-se pensamentos tais como e se eu não acordar da anestesia.
E se apesar de ser a doente mais saudável que apareceu nos últimos tempos naquele Hospital perder as forças, desistir, resignar-me e deixar-me apenas ir porque apesar de andar cheia de energia dum lado para o outro, mesmo com um ombro partido, sinto-me tão desiludida em relação a uma série de coisas que mais parece que o cansaço se vai aproximando de mansinho e deixando-me quase sem vontade de falar...
Entretanto, antes de sair, a minha mãe diz que eu faço muita falta cá em casa porque sou eu que penso e que organizo tudo, para além da falta 'óbvia' e eu fiquei a pensar nisto tudo enquanto escrevo lentamente com a mão esquerda...
Já não sei se quero ir ver e tirar fotos (como?) ao meu marido e à minha boa amiga das pedaladas enquanto eles participam em provas em que também estou inscrita e que não poderei ir... Apetece-me não ver nada de bicicletas...
Ainda não fiz a minha mala mas vou ter que a fazer. 
Como mas como vou consegui estar parada.
Como ainda não derramei uma lágrima com isto tudo, mais valia desatar num pranto...

terça-feira, 9 de abril de 2013

Não me lembro da minha vida antes da bicicleta...

Não me lembro da minha vida antes da bicicleta talvez porque é algo que agora não posso fazer e de que tanto gosto... Parece que não sei como era (é) viver a minha vida sem a bicicleta incluída e agora sinto-me como que perdida, à deriva...
Busco em mim outros interesses, outras coisas de que gosto para me abstrair dos pensamentos sobre a bicicleta mas para onde quer que me vire, ela está lá, no meu sotão, no facebook, na rua, nos meus amigos, no meu marido, no meu ombro partido que leva a que as pessoas olhem para mim como se eu fosse maneta ou desatasse a assustar criancinhas com o braço vazio da camisola que cai sobre o meu tronco onde está escondida e guardada a mão que ampara o braço e o cotovelo.
Devia tentar desligar-me mais mas não estou a conseguir.
Tento lembrar-me do que fazia e gostava de fazer antes da bicicleta mas não encontro nada que me dê tanto prazer...
Lembro-me que gostava de cozinhar mas isso agora também não posso.
Ler, eis algo que deixei e que adorava fazer mas no caso não foi a bicicleta que me levou a leitura, foi a maternidade..
Ver filmes e séries, gostava de gostar mais de ver TV mas só me concentro a ver o Castle, os CSIs, o Criminal Minds, o Mentalista, Las Vegas e mais uma ou duas séries.
Adoro comer mas não o posso fazer descontroladamente senão os 26 quilos que tanto trabalho me deram a perder, voltam num instantinho.
Rezar... Eis algo que não costumo fazer mas hoje entrei na Igreja onde o meu filho foi batizado e rezei, muito... Tanto que chorei e molhei o banco da frente com as minhas lágrimas enquanto estava ajoelhada e perguntava a Deus o porquê de tantas dores, se há algo que eu devia "aprender" ou "apreender" e que não esteja a perceber...
Lembrei-me do filme com a Julia Roberts (Eat, Pray, Love) - desculpem a falta de links e de etiquetas mas já me é um pouco doloroso e moroso estar a escrever com a mão esquerda... - e pensei que se calhar agora era o momento para parar, comer, orar e rezar só que eu não consigo parar.
Acreditam que só páro mesmo quando me deito à noite para dormir...? Entre consultas e coisas que são necessárias é raro estar quieta e prefiro assim...
Hoje cortei o cabelo como há muito não o fazia. Foi um misto de liberdade e ao mesmo tempo um ato de libertação do cabelo longo e comprido só porque é mais bonito... Neste momento pouco me importa se estou ou sou bonita... Neste momento quero é recuperar e passar por tudo o mais depressa possível. O cabelo comprido estava a ser um empecilho à minha agilidade e mobilidade que estão algo reduzidas. O cabelo sempre em cima de mim, ter que pedir para me fazerem rabos de cavalo ou colocarem ganchos fez-me achar que o corte também iria cortar a minha sensação de inutilidade por causa da redução de movimentos...
Depois de algo tão violento por que passei, cortar o cabelo deixa-me talvez menos 'gira' mas francamente, neste momento não quero saber disso para nada...
A operação está marcada para o final da semana e aí sim, aí irei parar... Penso muito no meu filho. Penso muito se as coisas correm menos bem. 
Já deixei um saco preparado com as roupas do meu filho para usar nos dias todos da próxima semana... 
Eat, Pray and Love...
Vou pensar melhor nisto...

domingo, 7 de abril de 2013

Custa-me mesmo muito escrever

E faço-o muito lentamente com a mão esquerda.
Quando melhorar virei relatar melhor o que se passou.
Neste momento tenho tudo semi suspenso. Na quinta-feira passada tive uma queda brutal da bicicleta. Caí violentamente sobre o alcatrão e sobre mim mesma.
Naqueles instantes de segundos do impacto pensei duas coisas: parti os dentes todos e vou ter com o meu pai... O capacete ficou sem a parte que o enfeita, a colorida que saltou com a brutalidade da queda.
Afinal o meu queixo, nariz, boca e joelho, ainda que visivelmente feridos, foram mais fortes do que o meu ombro que está partido em três sítios e que tem que ser operado com material específico que de momento não há no hospital para onde fui levada para as urgências pelos Bombeiros a quem agradeço todo o apoio e auxílio,
Não cheguei a desmaiar mas as dores eram insuportáveis. Tiveram que me cortar a roupa por causa do joelho e do braço e do ombro... Valeu-me a boa pulsação e tensão arterial, de desportista disseram os Bombeiros...
Na Ortopedia gritei mais e tive mais dores do que as que tive a parir, quando me endireitaram o braço...
Não sei como vou estar tantos meses sem poder pedalar e sem poder fazer exercício como tenho feito até aqui...
Tanto trabalho a perder peso e a ganhar forma física e em segundos isso vai-se...
Estou dependente para me calçarem, partirem a comida e outras coisas às quais não ligamos nenhuma a não ser quando não as temos...
Amanhã volto ao Hospital para saber se já me podem operar. Senão não sei se espero ou se me 'piro' para Lisboa...
Às vezes parece que a vida se encarrega de nos fazer parar quando estamos quase a crashar mas era escusado fazê-lo de forma tão dolorosa...
Perdi o meu pai e agora 'perdi' a bicicleta que me mantinha sã... Foram-se as provas em que já estava inscrita e tenho muito medo de engordar e de perder tudo o que consegui até aqui...
2013 está a ser um ano de merda...
Não imaginam quanto tempo demorei para conseguir escrever isto...
Mas está tudo 'bem', estou consciente, ando, falo e penso...A cara, essa, bom, tem mazelas, o joelho também, o ombro nem se fala e a minha alma nem sei bem como está. Estou impaciente e farta...
Incrivelmente nunca chorei, não verti uma única lágrima em todo este processo...
Eu volto quando me custar menos a escrever...

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Não foi possível ficar até ao final do fim da aula...

Não deu para ficar na parte final da aula.
A música mais que melancólica, a chuva que caía na rua, o ar e o céu que de repente ficaram cinzentos 'relembraram-me' das tristezas da minha vida e antes que desatasse numa espécie de choro envergonhado, preferi calçar os meus ténnis, arrumar o colchão, dispensar aquela parte reflexiva e fazer-me à vida...
Mais uma vez lembrei-me do meu pai. Eu sei, pareço um disco riscado mas a risca da dor da sua ausência continua a repetir-se na minha alma e no meu coração e não estou a conseguir desprender-me dessa dor...
Inspiro e expiro, por causa dos exercicíos e da tristeza súbita que me dá fazendo-me ficar com um ar pesado e tristemente triste...
Se calhar não estou bem ou ainda não aceitei a sua partida...
Revejo constantemente a nossa vida em segundos na minha mente como se fossem flashs que teimam em não apagar e em não deixarem de me magoar o olhar...
Concumitantemente saio de fininho da aula, com a devida 'permissão' que eu cá não gosto de dar de frosques sem mais nem menos, nem não terminar as coisas sem dar cavaco a ninguém.
Saio, corro para o balneário, tomo um duche. Hoje não houve grandes transpirações, nota-se pelas calorias gastas: apenas cerca de 200...
Palpita-me que chego ao trabalho e que me apetece enfiar num buraquinho e não ter que falar com ninguém mas tenho que o fazer...

(imagem via Pinterest)

Vamos ver se alguém me "entende" e sabe dizer-me qualquer coisinha sobre isto... Se é que alguém tem paciência para ler isto tudo...

É que daqui a pouco começo a 'chorar' porque 'ninguém me compreende'...!
Já deve ter dado para perceber que por mim ia todos os dias ao ginásio. E há semanas em que até vou mas... à hora de almoço o que implica sempre alguma correria e o sentir que não 'usufruo' dos seus benefícios e do que realmente gosto na totalidade porque estou sempre limitada pelo meu horário laboral...
Tenho uma hora e meia de almoço e isso permite-me fazer duas aulas completas por semana, metade doutras aulas nos restantes três dias alternadas com o "meu" treino feito de forma solitária (correr na passadeira, pranchas, flexões e abdominais...).
Mas do que eu gosto mesmo é das aulas e por isso, se pudesse, acho que iria quase todos os dias ao final do dia.
Vejamos, no ano passado, entre janeiro e sensivelmente abril e maio, ía ao ginásio ao fim do dia fazer cycling duas vezes por semana. Para além dessas idas ao final do dia, continuei sempre a ir à hora de almoço nos dias em que não ia à tarde.
Entretanto em abril/maio (do ano passado) os dias cresceram e comecei a deixar de ir às aulas ao final do dia porque preferia chegar a casa, pegar na bicicleta, e ir pedalar nem que fosse apenas durante uma hora...
Entretanto chegámos a outubro/novembro, os dias ficaram pequenos e deixou de ser possível ir pedalar ao fim do dia. Tinha pensado por esta altura voltar a ir ao ginásio ao final do dia novamente para fazer cycling...
Só que entretanto o filhote foi para a escola "a sério", o tempo foi passando, fui achando que o filhote precisava de mim por causa dos trabalhos de casa, o meu pai adoeceu e com isso íamos aos fins de semana para Lisboa e um dos dias em que me dava jeito ir à noite ao ginásio era precisamente à sexta-feira...
Enfim, fui adiando isso também porque o horário do ginásio mudou. Se no ano passado havia aulas a que eu podia ir assim que saísse do trabalho (lembrete: o ginásio fica mais perto do meu trabalho do que da minha casa...), agora as aulas eram mais tarde e isso implicava ir a casa e voltar e confesso que não me apetecia nem andar para trás e para a frente, voltar a sair de casa em noites frias e gastar gasolina.
Eis que agora a hora mudou e assim é já possível pedalar um pouco ao fim do dia até porque entretanto comprei luzes para a bicicleta. E eis que agora o ginásio alterou os horários e agora já há aulas que coincidem com a hora de saída do meu trabalho mas são precisamente nos dias em que eu também posso fazer as aulas completas à hora de almoço...
Ora bem, de repente a minha cabeça ficou baralhada até porque experimentei uma aula de Zumba e ainda que não me traga grandes 'vantagens físicas', traz-me certamente muito boa disposição e ri-me como há muito não me ria e divertia...
Então, tenho a cabeça a andar à roda sem saber o que fazer:
a) continuo apenas a ir ao almoço e depois vou pedalar nalguns dias em que o filhote não tem atividades extra para além da Escola,
b) vou nalguns dias à hora de almoço e depois vou noutros à tarde mas depois em que dias é que eu iria pedalar...?
c) então mas as aulas a que me dá jeito ir ao fim do dia são nos dias em que faço aulas à hora de almoço. Não pareceria 'estranho' ir ao ginásio à hora de almoço e depois aparecer lá ao fim da tarde e fazer mais duas aulas de que gosto tanto...?
d) continuo a ir à hora de almoço e vou 'apenas' ao final do dia ao Zumba para me rir e divertir e dançar que nem uma perdida como se tivesse novamente 20 anos e andasse nas famigeradas aulas de aeróbica...?
e) continuo a ir à hora de almoço e à sexta-feira iria ao fim do dia mas a aula de Zumba é no mesmo horário do Cycling e não sei mesmo a qual das aulas iria, sendo que à sexta-feira também é um bom dia para ir pedalar...
"Socorro...!" Haverá por aí alguém que me compreenda e que me consiga dar um conselho sobre estas dúvidas todas...
O fator tempo é mesmo muito importante. Não posso estar em todo o lado ao mesmo tempo. Se for para o ginásio ao fim do dia, não resta muito mais tempo para pedalar...?

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Mais uma 'contagem'...

Isto realmente é engraçado.
Já não tão engraçado é o facto de a fita junto ao peito ficar completamente transpirada mas pronto, adiante.
Hoje lá fui ao meu 'treininho' de hora de almoço toda contentinha com o pulsómetro...
Sabia que não iria fazer uma aula inteira e por isso antes da dita começar corri durante 20 minutos na passadeira (uns miseráveis 3 kms) e fiz sozinha pranchas e abdominais durante uns 10 minutos.
Entretanto a aula de localizada começou mas só deu para lá estar durante uns 20 minutos o que é pena porque é uma aula que 'apela' bastante à força e à tonificação, coisas de que preciso...
Detesto não fazer as coisas até ao fim e para mim sair a meio das aulas é algo que me custa mesmo muito fazer.
Bom, mas voltando ao meu pulsómetro lindo e fofinho, hoje contabilizou 48 minutos de treino que gastaram 504 calorias. A minha pulsação máxima foi de 188 batimentos por minuto e a pulsação média foi de 159 batimentos por minuto.
Reparei na passadeira que as minhas pulsações 'correspondiam' às que surgiam na passadeira como 'indicação'. As minhas pulsações a correr estavam idênticas às que lá apareciam a título indicativo/informativo porque eu não estava ligada à passadeira...
Muito interessante isto...
Já para não falar que às vezes me sinto algo obstinada ou 'dedicada', pelo menos à hora de almoço... Talvez porque nessa hora as pessoas que lá estão são todas mais 'calmas' do que eu ou consideravelmente menos empenhadas ou a marimbarem-se ou a nem sequer se importarem com os seus resultados e objetivos...
Não sei, às vezes sinto-me a extra-terrestre desportivo-maníaca da hora de almoço que só pensa em ficar mais 'forte' e melhorar a sua condição física...
Enquanto corro que me farto, as outras pessoas caminham lentamente na passadeira...
Enquanto faço pranchas e abdominais que me fazem transpirar, a maior parte das outras pessoas 'rebola' nos tapetes e fazem alongamentos muito longos...
Talvez porque enquanto eu sinto que tenho (muito) pouco tempo para treinar, aquelas pessoas terão mais tempo disponível e por isso andam ali nas calmas...
À hora de almoço raramente ou nunca encontro alguém que pareça estar realmente em forma e com tanta 'gana' ou 'genica' (ou obstinação, ou obsessão...) como eu...
A freak do exercicío da hora de almoço. É assim que me sinto na maior parte dos dias. E ainda que por me sentir assim muitas vezes pense em não ir ao ginásio à hora de almoço, depois de ir e quando venho de lá, sinto-me imensamente bem comigo própria e por ter ido...

terça-feira, 2 de abril de 2013

Pulsação algo elevada...?

É incrível mas eu (ainda) não tinha um pulsómetro... É uma compra que tem vindo a ser adiada porque outras coisas têm sido necessárias, nomedamente para a bicicleta, mas agora deparei-me com um excelente negócio num fórum de venda de material de ciclismo usado e não resisti em comprar este... Foi um negócio rápido. Vi a oferta on line, coloquei questões ao vendedor, transferi a quantia mais os portes do correio e quem me vendeu colocou logo o material nos correios. Demorou um dia a chegar ao Oeste e eu senti-me uma criança a aguardar pela tão esperada encomenda: o relógio, a cinta e o suporte para a bicicleta, tudo na caixa de origem... Aqui também contou o fator "seriedade" e 'boa fé' para que o negócio corresse bem, tanto do meu lado como de quem estava a vender...
Este pulsómetro custava 50,00€ e assim custou 20,00€ e está novinho em folha e dá para colocar o meu nome...
 E hoje foi o dia de o 'estrear' numa aula de Cycling mas eu que nunca 'contabilizei' pulsações ao longo de todos os exercicíos que tenho feito nos últimos dois anos e tal, quere-me parecer que tenho a pulsação algo acelerada... Será que é por ter também tendência para a tensão alta...?
Senão vejamos, numa aula de Cycling de 45 minutos gastei 501 calorias mas tive uma pulsação média de 159 batimentos por minuto e uma pulsação máxima de 196 batimentos por minuto quando, na tabela ali em baixo, diz que deveria ter uma frequência cardíaca máxima de 186 batimentos por minuto. Bom, isto para os 40 anos... Para os 35 anos diz que seriam 191 batimentos por minuto... Mas eu aproximo-me a passos largos dos 40, por isso vou 'reger-me' pelos ditos...
 Ainda não percebo muito disto e ainda não 'automatizei' as funções e as funcionalidades do relógio...
Até me senti estranha com as mãos na bike durante a aula e ali o relógio no meu pulso...
Enfim, vamos ver como se porta a minha pulsação numa pedalada real e ao ar livre...
 
 
 
 
(fonte: http://cyberdiet.terra.com.br/frequencia-cardiaca-de-treino-12-1-12-35.html)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Resumo do fim de semana...

Podia começar por desejar Boa Páscoa mas a Páscoa já passou e na verdade não lhe ligo muito...
Também podia dizer que comi que me fartei e que não parei um segundo nestes dias...
Depois também podia dizer que conduzi à vontade mais de 600 kms porque para estarmos todos em família e ser possível levar as bicicletas atrás, tiveram que rumar ao norte do país não um mas sim dois carros...
A bicicleta é mesmo um vício e desta vez tínhamos que as levar connosco...
Apesar de todo o mau tempo e da chuva, no sábado houve tréguas, como se o tempo estivesse a permitir que usufruíssemos um pouco daquelas magníficas paisagens e caminhos que nos rodeavam...
Da outra vez que lá fomos ficámos com alguns sítios debaixo de olho para pedalar e por isso agora com mais tempo e com as dicas e a inspiração do relato da Rota do Vouguinha feito no blog Passagens Ao Acaso, lá fomos a pedalar por onde antes passavam comboios, a uma altitude elevada, ainda que por caminhos "em estradão"... 
O piso estava em muito mau estado por causa das chuvadas dos últimos dias e não tendo muito tempo para pedalar já que estávamos em família, pedalámos apenas 27 Kms porque chegámos a uma parte do percurso que não foi possível passar nem contornar com tantas árvores e arbustos caídos por causa do vento e do mau tempo...
:-(
Contudo, fiquei encantada e esta foto que aqui deixo, mas acho que entretanto deixarei mais, resume aquilo que vi e senti. Uma imensa liberdade rodeada dum silêncio magnífico a contemplar paisagens que pareciam desenhadas e contornadas 'milimetricamente'...
Pelo meio tive um "ataque" de saudades do meu pai e ali no meio do nada, onde o eco percorria quilómetros e onde ninguém me ouvia, gritei bem alto, parecendo a música dos Da Weasel que diz que "o meu amor morreu", só que eu berrei e chorei dizendo "o meu pai morreu!!!" e ali naquele momento fraccionado em segundos atirei a minha raiva cá para fora. A raiva da perda do meu pai, do não acreditar que ele se foi realmente para sempre e que nunca mais iremos falar...
No meio da natureza e do seu silêncio do vento, das árvores e do rio agitado gritei "O MEU PAI MORREU!!!"  e não há nada que eu possa fazer para mudar isso...
Só queria pedalar mais e mais mas com o tempo contado e com a respiração pesada por estar a uma altitude tão elevada, ainda transpirei que me fartei e pensei para mim mesma que um dia vou voltar ali para fazer todo o percurso...


- foto retirada -