sexta-feira, 31 de maio de 2013

Reflexões & Agachamentos

O vento não tem dado tréguas mas hoje parece que não estava tanto frio.
Lá fui caminhar mas cada vez me sinto menos motivada para tal...
Gosto do ar livre, das paisagens, da companhia canina mas... Para gastar mais calorias tenho que andar durante mais tempo do que aquele que me apetece. Não fico cansada, não é isso... É que fico 'saturada' de andar às voltas e de parecer que não chego a lado nenhum... Seriam suficientes uns 50 minutos, uma hora no máximo a caminhar mas como não faço mais nenhum exercício tenho que me 'empenhar' nas caminhadas e hoje foram 8 Kms... Só que sinto falta da intensidade de outras coisas e por isso hoje tentei fazer alguns agachamentos e fi-los de forma muito concentrada para não me desequilibrar... Não foram muitos mas já foi qualquer coisa para as pernas e para os glúteos...
Para além disto, sentei-me a contemplar a paisagem e a pensar na vida e no que quero fazer dela. Que parece que tudo isto me 'abriu' ainda mais os olhos para a vida, que vejo quase tudo e todos de forma diferente, umas vezes para bem, outras vezes nem tanto...


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Raio-X...

Se fosse eu neste raio-x havia a acrescentar no braço direito, junto ao ombro, uma placazita e alguns parafusos...
Tenho saudades e o meu corpo, principalmente a coluna, sentem falta destes e doutros exercícios semelhantes... É que sinto mesmo falta de me 'esticar', alongar e equilibrar-me... Mais parece que já anda tudo empenado...
Será que alguma vez vou ser capaz de fazer tudo isto novamente...? É a pergunta recorrente na minha cabeça porque neste momento parece haver um vazio enorme em relação ao futuro...

^(via Pinterest)

Ele há coisas...

Tive que tratar de diversos assuntos em sítios diversos o que implicou andar cerca de 5 Kms...
Ontem é que tinha ido mesmo caminhar mas como não via ninguém pelos sítios por onde ando e as poucas pessoas que encontrei eram um pouco "estranhas", alguns receios (não sei se infundados ou não...) apoderaram-se de mim, do género alguém dá um pontapé à cadela e deixa-a k.o. e a mim basta um empurrão que desato a gritar com dores e fico logo imobilizada... 
Em suma, pensei em mim como um 'alvo' fácil e não fiz a caminhada tão longa como poderia fazer e foram apenas 7 kms numa hora e pouco...
Bom, mas hoje fiz algo que costumo fazer: entrar na Igreja onde o filhote foi batizado. Já o fazia antes e agora, depois da queda, faço-o ainda mais. Tenho mais tempo livre e gosto de me sentar lá a refletir na minha vida...
Como em tantos outros dias lá estava eu sentada, absorta nos meus pensamentos, sozinha...
Eis que de repente entra um senhor Padre e... há missa... A meia dúzia de pessoas que estava à frente participou 'efusivamente' na missa e eu fiquei-me cá atrás, sem mais ninguém à volta, só eu e as minhas reflexões interiores...
Não estava nada à espera mas fiquei e assisti à missa por inteiro...
Saí e tomei um café....
Fechei os olhos e deixei que o Sol me aquecesse e amparasse o corpo e a alma.
O vento abanou-me os sentimentos, desalinhou-me e revirou-me o cabelo e ali sentada perguntei para mim mesma quando é que esta grande reviravolta na minha vida ia passar e que 'ensinamentos' iriam ficar desta enorme "experiência" e espécie de teste à minha paciência e sobrevivência...  


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Pensamentos sem a mínima importância...

 Acho que quando regressar ao ginásio, vou deixar de usar as "1500" blusas que tenho de alsas e cavas, tipo a de foto de cima, para passar a usar blusas com mangas como a que está na foto debaixo...
Esforço-me, tento, cuido dela mas... continuo sem aceitar muito bem a cicatriz que ficou da operação...
Não é um bicho, não é um papão mas também não é bonita... Ou pelo menos, neste momento, o meu olhar não me permite vê-la doutra forma...
É estranho não ter qualquer marca no corpo e de repente ficar assim com esta cicatriz...


terça-feira, 28 de maio de 2013

Hoje...

Andava 'danadinha' para experimentar se conseguiria sentar-me numa bicicleta de cycling e hoje tive que o fazer... Não foi no (meu) ginásio e por isso, depois de constatar que consigo 'subir' para a bicicleta estática, ainda que um pouco "manca", e de lá conseguir ficar e pedalar, fiquei cheia de vontade de voltar às aulas e ao ginásio... Não o fiz mas só me apetecia era lá ter ficado e pedalado que nem uma doida e ter voltado a transpirar como acontecia de cada vez que fazia cycling...
Realmente há aulas de manhã e à hora de almoço a que poderia ir mas...
- teria que ir de transportes públicos, o que não é um problema, mas digamos que da minha casa até aos ditos vai mais de 1 km...,
- em princípio teria de ir já equipada, o que detesto, para não carregar pesos: o saco do ginásio...,
- mesmo que trocasse lá de roupa, demoraria eternidades por causa da minha reduzida mobilidade e das dores que tenho a vestir-me mas também agora tenho mais tempo livre... 
- bom, vou esperar pela próxima consulta com o Ortopedista para ver o que ele diz antes de me pôr com ideias...
Seria talvez estranho uma pseudo 'maneta' no ginásio...
Só poderia utilizar a passadeira e fazer cycling mas sem me levantar e sem apoiar o(s) braço(s)...
Não sei, logo se verá...


(imagem da net)

É mesmo isso...

(imagem via Pinterest)

Tem dias...

Tem dias em que acordo e em que penso se tudo por que passei não foi um sonho ou uma alucinação.
É estranho enfrentar a realidade e perceber que o meu pai partiu, que tive uma queda violenta, fui operada e que estou ainda em casa a recuperar...
Às vezes acho que foi tudo mentira mas quando acordo realmente depois tem dias...
Tem dias como o de ontem em que me levanto e vou fazer uma caminhada com  a minha amiga canina mas estava (muito) vento e não se via ninguém e por isso só andámos 8 kms, em pouco mais de hora e meia...
E depois tem dias como o de hoje, em que me levanto mas depois fico a pensar na vida e então leio e vejo séries na televisão... 

(imagem via Pinterest)

domingo, 26 de maio de 2013

Domingo, família e... gelados...

Desde que deixei de poder andar de bicicleta que os meus domingos se tornaram mais 'caseiros' e 'familiares' e, na verdade, gosto deste aconchego, da calma de quem não pode literalmente fazer quase nada a não ser dormir até um pouco mais tarde, ajudar e apoiar os miúdos (o mano do filhote está por cá...) nos trabalhos de casa, ir ao café pôr as leituras cor-de-rosa em dia, dar dois dedos de conversa enquanto repito pela enésima vez em que estado se encontra o meu estado, meaning o ombro e a minha (sua) recuperação... 
As tardes são também tranquilas e é bom variar mas... quando se fala em gelados, recuo e ainda que seja um domingo à tarde, contenho-me e não me delicio mesmo tendo toda a família a saborear o dito gelado. Pai e filhos e a minha mãe deliciam-se com um gelado e eu fico-me pelo café... 
Não é por nada mas nunca mais me pesei. Mexo-me muitíssimo menos e tenho comido mais do que comia e por isso tenho 'cortado' nas pequenas coisas onde o posso fazer porque não quero voltar a ganhar peso mesmo tendo quase a certeza de que já cá estarão 4 ou 5 a mais. Contudo, tenho interiorizado que quando voltar à minha vida normal, ao ginásio que perderei essa meia dúzia de quilos a mais. Afinal, tenho estado em recuperação, o médico só me permite caminhar e eu tenho que me permitir não ser tão dura comigo porque a vida neste ano já se encarregou de o ser e tenho que recuperar a 100% para ver se no futuro não terei ainda mais mazelas e consequências de tudo isto...
Queres um gelado? Não...
Queres um pastel de nata? Não...
No que posso não quero...

(imagem via Pinterest)

Eu, as lojas e a minha 'azelhice' - antes e depois de "A Queda..."

Não sei porquê mas sempre fui algo 'desastrada' nas lojas... Sempre deixei cair ou, sem querer, as coisas saíam do sítio das prateleiras.
Roupas em cabides, calças empilhadas e sapatos em caixas sempre foram os meus alvos preferenciais, até porque, por norma, costuma estar tudo arrumado do número mais pequeno para o maior e, ainda que tivesse emagrecido, devido ao meu tamanho, preciso sempre dos artigos que estão por baixo de tudo... 
Imagine-se uma caixa de sapatos... A que está por cima é para aí o número 35 ou 36, que seriam sapatos para me enfeitarem as orelhas...
E debaixo daquela pilha de caixas está então o número que eu quero, o desejado, o objeto raro, a minha água no deserto, que é o número 41 nas sandálias, botas, sapatos e por aí fora. Geralmente contento-me com os 40's que me servem mas quando vislumbro um modelo de que gosto em 41 é quase como se me saísse o euromilhões tal é a dificuldade em encontrar sapatos nos modelos de que gosto neste número...
Só um aparte para dizer que nos ténis e nos sapatos de encaixe calço o 42...
:O
Bom, como estava a dizer, sempre tive tendência para deixar cair as coisas, nunca fazendo de propósito e sempre pedindo desculpa e tal e levando com o ar enjoado das vendedoras...
Mas eis que agora tenho um braço imobilizado, é algo que se vê... Há roupas que não consigo tirar, deixo cair ainda mais caixas e afins mas... agora as vendedoras sorriem, dizem que não há problema, para eu pedir ajuda e depois de pagar desejam-me as melhoras...
É incrível o que uma pessoa com ar fragilizado, semi incapaz e semi doente 'provoca' nos outros...
Agora parece-me que podia deixar cair as lojas inteiras que ainda me esboçariam um sorriso...

sábado, 25 de maio de 2013

Pirosices em modo económico

A vida está difícil e é com dificuldade que consigo tratar de algumas coisas em mim, como por exemplo, pintar as unhas...
Lembro-me que ainda nas urgências do hospital me retiraram o verniz das unhas porque se pensou que iria ser operada de seguida. Tal não aconteceu, tive que esperar uma semana pela operação mas realmente não podia ter vernizes, nem anéis, alianças, pulseiras, nada...
E após todo este tempo achei que estava na altura de recuperar o ânimo de manicure que ainda existe em mim e comprei estes dois vernizes baratinhos mas giros (acho eu...) e dois lápis, um preto e outro verde que eu cá não sou de me maquilhar mas não saio de casa sem umas corzinhas nos olhos...
Aos poucos sinto que vou como que recuperando a minha vida, mesmo nas coisas mais simples e do quotidiano, ainda que as dores e a falta de mobilidade do braço continuem... 
E, claro, continua, infelizmente, a minha 'rezinguice' com o vento e o tempo fresco. 
Procuro incessantemente o Sol ou estar dentro de quatro paredes onde não leve com ventanias e esteja confortável... 
Eu não era nada assim, mesmo nada 'esquisita' com o tempo...



sexta-feira, 24 de maio de 2013

Tenho saudades de...

Pois, com tudo o que aconteceu e com as minhas limitações, suspendi a minha inscrição no ginásio :-(

Vai daí que tenho muitas saudades das aulas e dos exercícios...

A adrenalina e a transpiração, as músicas e o frenesim das aulas de cycling...
O dar tudo com carga intensa...



Saudades de sentir o corpo a trabalhar, a alongar, a ficar mais flexível e equilibrado quando estes exercícios eram tão difíceis para mim e entretanto progredi tanto...

                  

Só experimentei uma vez mas adorei. 
Não é que traga grandes evoluções físicas mas diverti-me imenso com as várias danças e ritmos e com tantas músicas... De repente parecia que estava nas aulas de aeróbica que pratiquei entre os 17 e os 24 anos há muito tempo atrás...



E, claro, muitas mas muitas saudades de pedalar... 
Acho que ganhei alguns medos com a queda mas é com nostalgia que olho para todas as fotos que tenho na e da bicicleta... É com um leve sorriso nos lábios que fecho os olhos e penso no vento na cara e no som dos troncos e das pedras enquanto lhes passava por cima com as rodas da bicicleta. Fecho os olhos e ouço as rodas a rodarem, sinto o meu corpo a agarrar a bicicleta e a lama a espalhar-se pelas roupas, sapatos e pedais... 

- foto retirada -

E há quase 2 meses que não faço nada disto...

Tenho saudades disto tudo porra!!!  

  



Pedalar devagar...

Provavelmente é o que farei quando um dia voltar a poder andar de bicicleta: pedalar devagar e, principalmente, vencer os medos que acho que entretanto se instalaram...
E é também o título deste livro que me emprestaram e que estou deserta para começar a ler...
É uma aventura de bicicleta ao longo de quatro anos o que na minha vida normal seria improvável de acontecer... 
Não tenho uma vida que me permitisse ausentar durante tanto tempo porque mesmo que me saísse o euromilhões há um ser maravilhoso que precisa de mim acima de tudo e todos: o filhote e a sua vida escolar...
No entanto, gostava de fazer algo parecido mas a uma escala muito menor... Para já contentava-me em recuperar e depois poder ir a Santiago de Compostela...
E eu a achar que depois disto tudo que iria deixar de sonhar... Afinal parece que continuo a ter sonhos e a sentir-me viva...
Viva...!


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Para o Sol Algures no Oeste, o Sol Negro...

Que é o que parece iluminar a minha vida neste ano de 2013...
Para além disso, adoro esta música.
Se eu a podia partilhar no facebook? Podia mas estou a ficar cansada do facebook... 
Queria ter a coragem de encerrar a minha conta...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Belo cházinho...

E depois de quase 11 Kms de caminhada feitos em duas horas, apeteceu-me ir beber um chá de limão...
O pulsómetro diz que foram gastas 900 calorias, ena, viva... !
Hoje o tempo estava mais ameno e isso ajudou bastante e por isso, no final, lá fui tomar um chá numa esplanada, soube-me mesmo bem...


A necessidade 'aguça' o engenho...

E parece que é mesmo verdade...
Por estes dias não tenho a ajuda da minha mãe mas, como é óbvio, a roupa (suja) não pára de crescer...
Hoje foi a segunda máquina de roupa que coloquei a lavar, estendi e apanhei...
A parte que me custa mais é virar a roupa do avesso e vice-versa... E, claro, estender a roupa cujos estendais ficam acima da minha cabeça... Para ficarem com uma ideia, tentem estender roupa assim apenas com o braço que não é costume utilizarem, deixando o outro completamente imobilizado... 
Pois, é difícil não é...?
Para o conseguir fazer tive de colocar as molas da roupa na boca e assim conseguir 'prender' a roupa ao estendal... Com a outra mão, coloco então a segunda mola...
Quanto às meias, prendo-as logo com uma mola e assim é só apertar a mola quando chego ao estendal...
Ufa, que demoro para aí o dobro do tempo mas tem que ser assim, ser paciente e fazer tudo com (muita) calma, algo a que não estava habituada...
Nunca também me passou pela cabeça que um dia iria necessitar de estender a roupa com o auxílio da boca...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Asfalto...

Este fim de semana foi algo complicado em relação a emoções porque voltei à casa dos meus pais...
Tudo me lembra o meu pai, desde a entrada no sítio onde sempre vivemos, até aos seus amigos na rua e, claro, a tudo o que está dentro de casa... São memórias e recordações que o tempo jamais apagará e por isso estar ali onde vivi com os meus pais até quase aos 30 anos, a sentir aqueles cheiros característicos daquele que sempre foi o meu lar (feliz) traz-me a lembrança de tudo o que vivi e de que agora, passados alguns anos desde que não moro naquela casa e, principalmente, desde os quase 4 anos em que estou a morar no Oeste, recorda-me a evidência de que agora o meu pai já não está lá, não anda por ali na rua a dar dois dedos de conversa com os amigos. 
O que sempre me prendeu àquela terra foram os meus pais e agora parte disso desvaneceu-se... 
Até a minha mãe tem estado comigo no Oeste desde que caí e fui operada...
Ontem foi um dia duro de emoções. Chorei muito. Doeu-me muito enfrentar a realidade de que o meu pai realmente já não está ali, já não volta, já não vai tocar à campainha como fazia.
Senti-me um ser triste a falar com as pessoas que me conhecem desde que nasci, que conhecem os meus pais desde que namoravam, que conhecem a minha família. 
Percebi no seu olhar a consternação de quem olha para alguém que perdeu o pai e que agora caiu, partiu o ombro, foi operada e por aí fora. Estes olhares e a conversa 'de apoio' quase me retiraram o chão porque me senti de novo menina, a menina Algurezinha como era tratada...

De regresso ao Oeste, achei que hoje teria que ir caminhar. Estava Sol e uma temperatura suportável. E vai daí que lá fui com a minha princesa canina. Em duas horas percorremos 10 Kms (eu disse que ia lá chegar...) e para aliviar as dores da minha alma, na parte que percorremos a direito - sim, porque eu percorro diversas subidas, subo escadas e caminho por algumas descidas e 90% deste percurso é feito em terra, portanto, são caminhadas todo o terreno... -, não devia mas... corri... 
Primeiro corri durante 1 minuto, depois andei 2 minutos, depois corri 4 minutos, andei 5 minutos, corri 1 minuto, andei durante 3 minutos e corri 4 minutos. 
No meio de 2 horas, corri durante 10 minutos e soube-me bem porque tinha que fazer algo mais intenso enquanto transpirava sob um sol e algumas dores quase escaldantes que literalmente 'suportei' e interiorizei...  Doíam-me os ossos sim mas... inspira e expira e aguenta...
Já aguentei tanta coisa que suportei as dores que tinha a correr porque afinal, o que foram aqueles minutos intercalados de dor com tudo por que tenho passado...? 


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Eu hoje consegui...

Eu hoje consegui, a muito custo é certo, com algumas dores e contorcionismos, atar os sapatos de caminhada que são, ultimamente, os meus aliados do dia à dia... Senti-me feliz e realizada com isto que é algo tão simples mas que deixei de conseguir fazer desde que caí...
Os laços ficaram um pouco ao lado, não os consegui fazer 'centrados', e passado meia hora estavam desatados mas não faz mal, já foi um progresso enorme...
É bom que isto aconteça porque o (des)ânimo tem sido algum...
Ainda há muitas outras coisas que não consigo fazer ou que me doem e por isso todos os pequenos progressos são motivo para dar ânimo já que nesta fase o médico não me garante (nem 'desgarante') que eu volte a conseguir levantar o braço na totalidade... É algo que permanece incógnito...

terça-feira, 14 de maio de 2013

Meses...

Bem sei que estas memórias não devem interessar a quase ninguém e que já deve estar tudo farto destas temáticas mas a verdade é que preciso de 'exteriorizar' estes pequenos detalhes...
Faz hoje três meses que o meu pai partiu e que continuo a contar os dias, as semanas e os meses desde que nos deixou...
Muitas vezes continuo a achar que isto não aconteceu. Sonho muitas vezes com o meu pai.
Por vezes, quando caminho sozinha balbucio que não é verdade, que o meu pai não nos deixou assim tão cedo. Continuo a achar injusta a sua partida. Sinto um vazio, um buraco, sinto coisas que nem consigo exprimir por palavras.
Tenho saudades do meu pai. Às vezes até tenho saudades de ser criança e da minha vida enquanto filha porque apesar das nossas 'guerras' o meu pai sempre cuidou de mim e fez tudo para que eu tivesse uma vida boa...

No domingo fez um mês que fui operada.
Com anestesia geral e logo de manhã cedo.
Que me lembro de ir da enfermaria até à sala de operações e de falar um pouco com a anestesista que disse que eu não ia sofrer mais...
Mal sabia eu o que me esperava nestes tempos...
Estou farta e cansada de não poder fazer quase nada e, pior ainda, estou a ficar impaciente para coisas parvas e sem importância, para arrogâncias desmesuradas e, infelizmente, por muito que me doa, para coisas relacionadas com a bicicleta...
Estou farta de estar em casa, de não ir trabalhar, de não cozinhar, de não lavar, estender e passar roupa, de não cortar a minha comida, de não atar sapatos e mais uma série de coisas que antes me queixava de que não me davam tempo para respirar..,.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Hoje prevariquei, por isso agora aguenta-te...

De manhã não me apetecia mesmo nada mexer.
É tão fácil cairmos no marasmo e na preguiça, deixarmos-nos ficar a vegetar e a tornarmos-nos vegetais enquanto vemos os programas que dão de manhã na televisão que apelam à nossa lerdice interna...
Vai daí que ainda que a vontade fosse nenhuma, lembrei-me que ontem tinha tido uma tarde à beira da praia na melhor companhia do mundo, a minha família, e que tinha bebido uma 7-UP como gosto, cheia de gelo e limão no copo, que tinha petiscado caracóis e que tinha comido um gelado... Vai daí que pensei que era melhor gastar um pouco das calorias consumidas porque senão qualquer dia é ver os quilos a aumentarem...
E lá fui, munida da minha recente aquisição para caminhadas: uma bolsinha onde cabe o telemóvel, uma garrafa de água pequena, uma barrita ou meia dúzia de bolachas que partilho com a minha amiga canina, e o telemóvel... Levo ainda um boné (de caminhadas) e uma blusa de manga curta e uma camisola de manga comprida por cima. Faz calor, eu sei, mas a cicatriz não pode apanhar Sol, e eu não quero ficar com marcas de bronzeado... Com o bronzeado 'de ciclista' não me importava mas agora importo-me com marcas, enfim...
Pulsómetro posto, cadela pela trela e lá fomos. Convém referir que demoro o dobro do tempo a vestir-me e a arranjar-me... E é por isso que às vezes, só de pensar no que tenho que "passar" antes de sair de casa, que quase que me apetece desistir de ir seja onde for. Mas depois lembro-me da bicicleta, das maratonas de BTT, da ida a Fátima a pedalar por trilhos sinuosos e em condições atmosféricas muito adversas cheia de fé e recordo a mim mesma que não sou de desistir...
Hoje caminhei 9,16Kms em 1h45mns e gastei 750 calorias... Só que no meio de 1h45mns confesso que o meu corpo chamou por mim, as pernas pediam, e confesso que corri, intercalados, uns míseros 5 mns... Doeu... Senti todos os ossos entre o omoplata, o ombro e o braço até ao punho, mas achei que aguentava e agora aqui estou com algumas dores... Prevariquei e agora tenho que aguentar porque já não aguento a lentidão das caminhadas!!!
Enfim... Nalguns momentos de dor tenho o pensamento de que aquilo que não nos mata, torna-nos mais fortes...


sábado, 11 de maio de 2013

Elas voltaram...

Há alguns dias que me davam tréguas mas hoje decidiram voltar e com elas trazem aquela sensação que eu desconhecia em absoluto até cair, ser operada e por aí fora. Estou a falar das dores que tenho sentido desde hoje de manhã, no braço e no ombro, que são acompanhadas duma sensação de fragilidade, de fraqueza, dum 'sinto-me doente e não o consigo explicar', algo que nunca tinha sentido antes.
Felizmente nasci, cresci e tenho tido uma vida mais que saudável. E é talvez por isso que encaro com estranheza todas estas sensações nunca antes tidas... Antes pouco me importava se estava vento ou fresco. Agora, isso incomoda-me, perturba-me. Rapidamente procuro 'abrigo' "dentro paredes" onde não me sinta desconfortável nem com frio...
Sinto-me a ficar 'esquisita' e mais selectiva, coisa que antes não era, nem com o tempo que fazia na rua, nem com muita gente presente, nem com uma série de coisas que agora me perturbam e incomodam.
Num dia como o de hoje em que tenho dores, é sempre bom levar com um encontrão, no supermercado, de quem vai a andar depressa e nem se preocupa com o facto de que está a magoar e a fazer doer a quem está 'aleijado'...
Suponho que isto aconteça a muitas pessoas a quem os problemas dos outros passam completamente ao lado porque nunca passaram por nada semelhante, porque pouco se importam ou compreendem que alguém possa estar menos bem. E vai daí que nem se preocupam. A pessoa está devidamente 'sinalizada' em como está 'limitada' mas, ainda assim, essa pessoa que se lixe. Dá-se-lhe um encontrão e seguimos com a nossa vidinha egoísta em frente porque aquilo não nos diz respeito...
Depois do que me aconteceu tenho pensado muito mais nas questões relacionadas com a mobilidade, as acessibilidades e as deslocações e os acessos de quem tem algum tipo de limitação... Acho que não se dá grande importância a isso.
E depois nestes dias de dores fico assim mais impaciente e rabujenta. Na verdade, pareço uma chata, inconformada, 'doente', que se apetece isolar do mundo e não ter que falar com ninguém...
Tenho comido mais e mexido(-me) menos... Esta equação não é lá muito boa e por isso só me pesei no dia em que tinha tido alta e nesse dia tinha um quilo e tal a mais...  Não noto diferenças nas roupas mas... tenho que me controlar mais na comida. As caminhadas são fracas a gastar calorias, é preciso 1h45mns para gastar 600 calorias, caramba!!! A pedalar nesse tempo gastaria para aí o dobro...!   
Mas enfim, se virem alguém magoado às compras, por favor, não lhe dêem encontrões ou empurrões. Não é uma luta e não vos mal nenhum se se desviarem primeiro. Lembrem-se que essa pessoa que tem um braço partido ou ao peito, ou uma perna com gesso, ou vai numa cadeira de rodas ou não vê bem, pode não ter agilidade e mobilidades suficientes para conseguir desviar-se a tempo... E as prateleiras dos supermercados não fogem...

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Sem grande entusiasmo

Sem grande entusiasmo por caminhar, obrigo-me a fazê-lo de forma intensa para não parar...
O ideal é fazê-lo logo de manhã para não perder o ritmo. E assim sendo lá fui. Ou melhor, fomos... Peguei na minha amiga canina e andámos mais do que alguma vez o tínhamos feito. Caminhámos de forma intensa durante 9 kms em 1h45mns. Gastei cerca de 600 calorias... 
Mas isto não é mesmo a mesma coisa do que correr ou pedalar ou do que fazer cycling... Para mim, é algo monótono. Bem sei que é ao ar livre, em silêncio, em boa companhia mas... falta qualquer coisa que lhe dê intensidade, agitação, correrias, adrenalina e por aí fora...


Só agora comecei a tratar "dela"...

Depois de quase terem passado duas semanas em que retirei os agrafos da cicatriz da operação, e depois de nos andarmos a relacionar um bocado mal, hoje decidi ir à farmácia em busca dum creme específico para  cicatrizes...
Primeiro trouxeram-me um que custava os olhos da cara e aí caí em mim e pensei que ficar com cicatrizes no rosto ou no pescoço seria algo bem mais grave e assustador...
Sendo no braço, sempre posso esconder a dita durante a maior parte do ano e decidi não comprar o creme mais caro e optei pelo que o farmacêutico me aconselhou.
Cheira bem e é para colocar várias vezes ao longo do dia...
Parece que hoje começaram as tréguas entre mim e a cicatriz já que vamos ter que conviver durante 24 horas em 365 dias do ano...
Já agora, um bocadinho de tranquilidade para a minha cabeça e para mim, também dava jeito...
Em quase tudo vejo e encontro tristezas e poucos ou nenhuns motivos para sorrir...



terça-feira, 7 de maio de 2013

Ali estava ela, bem de frente para mim...

Desde a operação que nunca olhei diretamente para a cicatriz...
Primeiro no Hospital, quando mudavam o penso. Punha-me a olhar na direção oposta...
Depois as mudanças de penso já 'cá fora' e, por fim, retiraram-me os agrafos o que significou passar a andar com a cicatriz 'ao ar'...
No banho evito o contacto visual com "ela".
A vestir-me nem me vejo ao espelho. Miro-me e penteio-me depois "dela" não estar à vista...
Hoje foi dia de consulta no Hospital. 
E de Raio-X.
E de no Raio-X termos aquela espécie de vestuário onde vestimos uma bata para o Raio-X.
Não me lembrei ou não sabia que estava lá um espelho e de repente fui apanhada por mim mesma em frente ao espelho, camisa semi despida, alça do 'soutien' descaída...
E ali estava eu, de frente para mim e a enfrentar a minha inimiga que tenho odiado com todas as minhas forças: a cicatriz da operação. Ainda não a tinha encarado, nem olhado de frente, apesar de quem a vê dizer que está 'bonita'...
Como é possível que uma marca eterna seja bonita...
Enfrentei-a como quem enfrenta um boi pelos cornos mas não lhe pude pegar, nem bater, nem fugir dela, nem ignorá-la mais... Os traços com breves e leves feridas ali estão e não me vão deixar apanhar Sol e, certamente, me farão colocar de lado todas as blusas espetaculares que tenho de alsas e de cavas, que usava no ginásio e que não sei se conseguirei voltar a usar quando nalgum dia puder voltar para lá...
Como se não bastasse, constato na consulta que tenho diversos parafusos e uma placa no ombro e braço. Naquele momento só tive vontade de chorar, de fugir e de, estranhamente, querer voltar a estar internada...
Nada mais me resta a não ser esperar. Mais um mês em casa. Repouso para o braço.
Posso caminhar e pedalar numa bicicleta estática sem apoiar ou mexer o braço... Já é um 'avanço' mas sinto-me tão desalentada com tudo isto...
Sinto-me a entristecer de dia para dia, sem grandes esperanças ou expetativas de que algo melhore na minha vida... 
Pela primeira vez sinto que estou a baixar os braços (literalmente, hein...) como se estivesse a morrer lentamente por dentro, sem achar graça a quase a nada...
Pai e filho foram há pouco pedalar. Nem os fui ver 'ir'...   

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Regresso ao antigamente...

Quando voltei ao hospital após a alta a primeira pergunta que fiz ao médico foi que tipo de exercício físico é que poderia fazer porque já estava farta de estar quieta...
A resposta quase óbvia foi que poderia apenas caminhar mas, ainda assim, e mesmo sendo pouco para mim, pensei que era melhor do que nada, que quem parte pernas e joelhos, nem isso pode fazer...
E assim sendo, desde esse dia, de há duas semanas para cá, que tenho feito caminhadas e tenho feito por andar a pé o mais que posso, mesmo em pequenas deslocações, como idas à farmácia ou a atividades do filhote.
Não tenho o mesmo 'brio' ou energia para ir caminhar como tinha para ir pedalar ou para ir ao ginásio porque parece que nunca mais chego a lado nenhum e não me diverte tanto como andar de bicicleta ou ir a uma aula de cycling mas entre isso ou estar quieta, aumentar de peso, perder a forma física na totalidade, optei por ir fazê-lo como forma de não parar e de não me resignar... 
Isto fez-me lembrar que quando iniciei o meu processo de emagrecimento, a par com as idas a um ginásio 'Viva Fit', fazia imensas caminhadas depois do jantar ou ao fim do dia, tendo começado entretanto a correr, sempre na companhia da minha amiga canina...
Agora nem isso posso (correr...). Ando muito depressa, transpiro e chego a ficar com breves dores nas pernas, uso o pulsómetro, mas é secante para mim caminhar... Falta-lhe agitação, adrenalina, seretoninas e libertações fortes de endorfinas...
Valem-me as vistas e a minha doce princesa canina, tão gentil e doce, sempre próxima de mim, calma, andando a meu lado sem dar puxões à trela...
Hoje foi o dia em que andei mais. Realmente, não há nada como sair cedo de casa para não levar com o abafado da hora de almoço... Foram 8 kms em 1h40mns e espero brevemente chegar aos 10 kms em menos de 2 horas... Faço imensas subidas e descidas, com degraus incluídos para forçarem as pernas a trabalharem e não apenas a andarem 'a direito'...

- foto retirada -

domingo, 5 de maio de 2013

Fez ontem um mês...

Fez ontem um mês que caí da bicicleta e que a minha vida mudou radicalmente.
Passei de super saudável a uma pessoa com limitações. Isto tem levado a que os meus tempos e ritmos sejam completamente diferentes, que veja as coisas doutra forma e que tenha tempo para dar atenção a coisas a que antes não prestava a mínima das atenções.
Se às vezes é bom, noutras vezes nem por isso... Tenho dias e momentos nada fáceis em que tudo é colocado em causa. Sinto-me a ficar com uma espécie de 'mau feitio' que antes não tinha. Preciso e não gosto nada que me ajudem. Faz-me sentir incapacitada e quase inútil. As dores lancinantes que continuam não me dão grande sossego ou ânimo para pensar em coisas boas no futuro.
Já sei que há quem esteja pior do que eu. Já sei que era a única no Hospital que ia sozinha à casa-de-banho mas também sei que era saudável, sem cicatrizes no meu corpo, e sinto agora que não (me) dava quase valor nenhum a isso...
Mas como estava a dizer, fez ontem um mês que caí, ou melhor, que voei da bicicleta e que fiquei com mazelas profundas, no meu corpo e na minha alma.
As roupas que levava vestidas foram cortadas pelos bombeiros e pelos médicos e foram para o lixo.
As luvas que levava, ainda que intactas, deitei-as fora porque me faziam lembrar a minha agonia, já sentada no chão, após a queda, enquanto tentava ligar para o meu marido pedindo ajuda, enquanto esperava que os bombeiros chegassem quando duas pessoas que passavam de carro pararam e lhes ligaram para me socorrerem.
Deram-me vinte e tal anos, no meio de tanta desgraça ainda me fizeram sorrir com aquela indicação. Ali estava eu em sofrimento e pensaram todos que eu tinha vinte e tal anos quando, na verdade, os quarenta se vão aproximando, para o ano é certo, mas estou quase lá...
O capacete 'fez-se' em dois quando a 'tampa' saltou para alguns metros longe de mim e tenho-o mantido em casa quando o que quero é deitá-lo fora só que... ainda não o consegui fazer... E nem sei bem porquê já que é a única peça/acessório que resta daquele dia 'fatídico'...
Ainda no Hospital disse que o queria no lixo mas ninguém o mandou fora por mim...
Terei que ser eu a fazê-lo e, por enquanto, continua 'arrumado' numa prateleira cá em casa...