segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Oh Father...

Oito meses...
Dantes contava os meses do meu filho, agora dou por mim a contar os meses em que o meu pai já não está connosco.
Faz hoje oito meses que partiu e, "ainda por cima", neste fim de semana fomos a Lisboa, fui ao sítio onde sempre vivi e cresci, voltei ao ninho, à casa dos meus pais e aí a nostalgia parece que se torna gigantesca. Atinge proporções desmesuradas que me deixam imensamente triste.
Os olhos batem nas fotografias espalhadas pela casa que elucidam tão bem os momentos de felicidade vividos por trás 'delas', das fotos... Sempre eu, a minha mãe e o meu pai. Sempre os três tão unidos, tão uns dos outros, tudo tão nosso... Sim, eu tive uma vida muito feliz enquanto filha, enquanto criança, enquanto adulta...
Quando vejo o meu pai em fotografias continuo a achar que não é possível que tenha partido. Que não é verdade. Que está lá fora, na rua, a conversar com os amigos e que daqui a nada volta para casa.
E depois a minha mãe, sózinha... E quando eu pensava que não restavam dúvidas quanto à nossa "instalação" no Oeste, estas também aparecem de mansinho, quase a sussurrar, a perguntar se toda a mudança para o Oeste valerá a pena e tanto 'sacrifício'...
Oito meses...
Ontem foi também dia de retirar lá de casa três sacos enormes cheios de roupas do meu pai... Camisas, calças de ganga, roupões, de tudo um pouco se foi assim em sacos... A roupa é o que de menos importante temos mas ao ver aqueles sacos com roupas facilmente reconhecíveis que o meu pai usava, foi deveras... estranho...
"Pior ainda" quando as levámos para aqueles contentores que recolhem apenas roupa porque o meu pai era um homem (muito) grande e por isso nem podemos dar a sua roupa (nova) porque não serve a ninguém que conhecemos...
Enquanto o maridão despejava a roupa nos contentores, eu e a minha tia, dentro do carro, suspirávamos e uma ou outra lágrima caíu...
Parece que foi mais uma parte do meu pai que se foi. Roupas, algo tão fútil e trivial mas que faziam parte dele e foram-se assim, sem mais, nem menos. Teve que ser...
2013 - o ano da perda e da merda, desculpem-me os leitores mais sensíveis do blog...

2 comentários:

Maria disse...

Apesar de saber que não está entre nós ainda mantenho na minha ideia que ele apenas está no hospital e que em breve volta... não consigo tirar da minha mente a carinha triste e sofrida dele dos seus últimos dias... e ao ler-te sinto que isto ainda vai durar uns bons tempos... afinal, pai é pai... :(
beijinho grande Ana Luísa...

Vera, a Loira disse...

Um beijinho (e é só).