segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Quando o corpo não tem juízo, a cabeça é que paga

Neste fim de semana fui a uma (meia) maratona de BTT.
Devia estar eufórica por que ia finalmente experimentar a bicicleta nova em trilhos desconhecidos mas afinal acordei com pouca vontade de me levantar. Ainda não tenho roupa de Inverno de ciclismo porque a que tinha foi-me toda retirada e cortada aquando do acidente na bicicleta e, entretanto, ainda não fui ver roupas, pasme-se (!!!).
Ora, uma mulher que é mulher, até a fazer BTT gosta de se sentir 'fashion' e eu acordei com umas trombas descomunais e a sentir-me sem graça nenhuma com a roupa que levava. Mas fui. Não ia 'defraudar' o meu marido e a minha amiga que também iam e que contavam comigo.
Nem pelo caminho animei. Pouca ou nenhuma vontade de rir e de ir mas fui.
E depois eu sou assim, quando estou de mau humor, pouco ou nada há a fazer. Sinto-me rapidamente cansada, farta e saturada das coisas e... o mesmo aconteceu durante a prova. Para algo simples, tornou-se algo muito elaborado e técnico, roçando o (muito) duro mas lá prossegui na minha nova bicicleta que é realmente muito melhor, mais forte, mais ágil, só que eu com a falta de inspiração com que estava, já sabia que as coisas não iriam correr lá muito bem.
Demorei imenso tempo, senti-me cansada sem razão aparente e estava deserta que a prova acabasse.
Valeu o abastecimento cheio de bifanas e entremeadas grelhadas, precisamente o meu guilty pleasure, e a partir daqui tive a companhia do meu marido que poderia ter chegado muito mais depressa ao fim.
Mas o que aconteceu é que para aí a meio do percurso dei um... 'esbardalhanço' algo pomposo. Caí numa descida (novamente, lá está...) que desembocava num estradão. As pernas doeram-me bastante mas depressa me levantei e até brinquei com o assunto com quem me perguntava se eu estava bem. Respondi que não era nada a que não estivesse habituada (!)...
E quando me levantei para pegar na bicicleta e seguir, não consegui controlar as míseras lágrimas que teimaram em cair-me da cara como se eu fosse uma menina desamparada. Senti-me ridícula mas o pior estava para vir. Quando finalmente me ia meter ao caminho, não conseguia respirar... Comecei a fazê-lo de forma profunda e com uns sons que desconhecia em mim. Foi um misto de não conseguir respirar com uma ansiedade qualquer. Isto nunca me tinha acontecido... Suponho que foi uma reação por me lembrar de tudo por que passei com a queda que dei e que tanto me prejudicou...
Tentaram acalmar-me, isto passou, mas a partir daqui perdi o espírito da coisa. As maravilhas da natureza, os trilhos brutais, a bicicleta nova, gira e potente, tudo isto deixou de ter graça. Naquele instante apeteceu-me desistir da prova, pedir que me levassem ao ponto de partida e partir para a minha casa para junto do meu filho. Naquele instante perguntei-me para que é que andava para ali em sítios tão complicados se podia apenas usufruir de caminhos que já conheço e que não me chateiam...
Fiz a prova até ao fim mas comigo trago a amargura de achar que, pela primeira vez, não senti prazer algum numa prova, numa pedalada e em tudo o que rodeia isto.
Hoje doem-me as pernas, tenho nódoas negras brutais nas pernas e ocorre-me pensar que não quero saber de mais provas...

1 comentário:

Dulce disse...

Talvez estejas a mudar... e é mais do que natural com tudo o que te tem acontecido... faz apenas o que te der prazer, sem culpas. Beijinho.