domingo, 30 de março de 2014

Inesperado

Não era esperado que hoje o pai cá de casa não tivesse formação e, consequentemente, estivesse em casa.
Muito menos era esperado ou expectável que eu hoje "pudesse " andar de bicicleta porque com o pai ausente não me resta mais ninguém.
Nem uma amiga, nem uma prima, uma tia, uma mãe ou uma avó que pudessem tomar conta do filhote, apenas uma cadela, um gato e dois periquitos estão por perto e com um filhote tão pequeno ainda, é óbvio que não pode ficar sozinho em casa...
Nada disto estava previsto e já que o pai cá de casa estava tão cansado que nem lhe passou pela cabeça pedalar logo pela manhã, a mim é claro que passou e pensei que como ia ter tempo, que queria ver se pedalava uns 50 kms para tentar equilibrar os escassos treinos que tenho tido.
E lá fui eu. Fiz uma subida vertiginosa com um tempo cinzento e fechado e no fim dessa subida desatou a chover.
Pode ser que passe, pensei eu. Vou andando até ali que entretanto deixa de chover. E lá fui eu. E a chuva cada vez mais intensa, e o vento também. Tinha vestido o corta vento mas passados uns quinze minutos duma chuvada forte, começou a não ser suficiente para não me deixar molhada. A cabeça, essa leva sempre um lenço por baixo do capacete e isso protegeu o meu cabelo da chuva. Mas o corpo, o corpo esse ia ficando ensopado porque a chuva era cada vez mais forte e aquela expectativa de que ia passar não se concretizou.
Fui até certo sítio onde poderia ter continuado ou virado para trás, para casa, e não é que a chuva me estivesse a fazer confusão, porque não estava, até me estava a saber bem, a libertar a alma e as minhas dores, coisas tão minhas que podem ser tão parvas para a generalidade da população, mas que me atormentam, até porque continuo a ver o meu pai em sonhos.
Mas como estava a dizer, queria tanto ter tido um treino longo, e esta chuva nem era nada comparada com tudo o que apanhei quando fui a Fátima, horas a fio a levar com chuva gelada que me fez lá chegar em quase hipotermia, mas ainda assim voltei para casa. Voltei para casa para salvaguardar o meu corpo e a minha saúde porque na verdade já nem queria saber da chuva que até me fez acelerar o ritmo para fugir dela e no meio dela.
Mas pensei que podia adoecer e por isso voltei para casa, muito chateada por ter a oportunidade e tempo e afinal o tempo meteorológico não me "deixou" pedalar. Pedalei apenas 17 kms numa hora, parecia uma aula de Cycling mas em condições adversas.
Soube-me a pouco ou a nada e desta vez o melhor que nada não chegou para mim.
Cheguei a casa encharcada da cabeça aos pés, gelada, nem sentia os dedos dos pés, cheia de lama e fui direta para um banho quente.
Apesar de tudo, e de ter sabido a pouco, soube bem a chuva que apanhei no corpo e na tromba, para ver se me abre as ideias e me mantém mais alerta, mais ainda, e se me limpa os pensamentos menos bons e que são tão meus...
Ao chegar aos 40 há ainda certos aspectos que poderiam e deveriam ser melhorados, resolvidos, tratados, coisas tão minhas...
E o meu pai, continuo a sonhar com ele. Desta vez entrei numa sala ou num quarto qualquer, não sei onde, e lá estava o meu pai sentado. Só isso...
Também tenho pensado muito na avó do meu marido, bisavó do meu filho, não sei porquê, parece que lhe sinto agora a falta.
Lá está, tonterias tão minhas e que só a mim dizem respeito. Quem quer saber disto, aposto que ninguém. As pessoas querem saber é do óbvio, das aparências, de quem dá nas vistas, querem lá agora saber de quem mal abre a boca...
... ... ... ... ...

1 comentário:

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

"As pessoas querem saber é de..."

E o que importãncia tem isso? :)

Importa sim que pedalaste, não foi o que querias ou planeaste, mas pedalaste! Ao vento, à chuva! Sei BEM o que é aliviar as nossas dores, (só nossas, tão ridículas para os outros) num treino desses, mesmo que os kms não tenham sido os que querias.

Foi bom, fizeste muito bem em ir!

Beijinho e boa semana! E pelo menos agora há mais horas de sol ao final do dia! Vamos aproveitar! conforme pudermos, claro. Conheço bem esse filme de ter o filho pequeno e por isso vermos o tempo para treinar bem limitado! E deixa-me dizer-te: depois eles crescem, podem ficar sozinhos...pois podem...mas muitas vezes sinto que o facto de ter uma filha adolescente não me "libertou" para os treinos! Eles continuam a precisar de nós, da nossa presença! E sim, é mais fácil, mas o facto de sermos só nós duas cá em casa + a cadela, me o obriga a estar mais presente e não posso/devo/quero ausentar-me tantas vezes como desejaria, para treinar.