segunda-feira, 30 de junho de 2014

Cliché

Quando vi as notícias sobre o falecimento do filho da Judite de Sousa, o meu instinto imediato foi olhar para o meu filho e pensar que sortuda era por, apesar de todos os problemas, ter o meu filho ali comigo, são e salvo...
Apoderou-se de mim uma espécie de instinto selvagem, quase animalesco, de que a minha cria estava bem de saúde ali mesmo comigo, protegido.
Depois ocorreu-me que um dia ele vai crescer e que nessa altura, e mesmo agora, não sou dententora da proteção nem domino os acontecimentos da vida e do dia à dia e que por isso  nunca sabemos o que se segue...
Não imagino sequer a dor, a pior dor de todas que é a de perder um filho...
A minha tia, irmã do meu pai, perdeu um filho há cerca de dez anos, tendo ele na altura trinta e poucos anos. Nessa altura eu não me "dava" com a minha tia mas hoje em dia que convivemos e falamos, por vezes ela menciona esse facto e realmente não deve haver nada pior na vida duma pessoa... Diz-me a minha tia que muitas vezes ainda pensa que aquilo não foi real e que ele vai chegar... um dia...
A bisavó do meu filho, avó do meu marido, também perdeu a filha, a mãe do meu marido, avó do meu filho. Viu-a partir ali sem poder fazer nada, tal como nós que também estávamos presentes, estando ela supostamente na 'recta final' da sua vida, com 80 anos, e a filha a partir com 50 e poucos...
E surgem as perguntas, a raiva, a ira e os pensamentos do porquê eles e não eu que sou mais velha...
E por isso, dou por mim perdida em pensamentos de que com tantos problemas, suponho que o pior de todos seja mesmo este, um autêntico pesadelo ao perder um ser que concebemos, que gerámos, que carregámos na barriga durante nove meses, que parimos, que saíu de nós e em quem tanto investimos do ponto de vista emocional, a ralhar, a educar, a amparar, a ajudar, a ensinar, a dar, a receber, a sermos chatas, a ser tudo e mais alguma coisa...
Perder um filho deve levar-nos para outra dimensão que não sei nem imagino o que possa ser...

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