quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A propósito

A propósito das pessoas que começam a falar e não nos deixam falar, venho até aqui para referir que as pessoas que trabalham nos Hospitais, em geral, e em particular, no caso, e que têm que dar banho aos doentes merecem todo o mérito.
Era isto que eu queria ter dito a alguém que me contava as suas impossibilidades durante três meses mas que não chegou a ficar internado.
Pois eu não só fiquei internada como impossibilitada de fazer a minha vida durante quase cinco meses mas o que é que isso interessa quando não nos deixam falar...?
Eu ia começar a dizer que fiquei a admirar ainda mais quem dá banho aos doentes nos Hospitais, por eles, e pelos doentes. Foi a primeira vez que tiveram que me dar banho e naquele momento em que o Sol batia na cadeira onde estava sentada, comecei a chorar baixinho pela dor e pela frustração de não ser independente ao ponto de terem que me lavar. É ali que a raça humana desce ao básico e animalesco sentimento biológico de que está incapacitada.
Também gostava de ter mencionado tantas outras coisas, as minhas dores cruéis antes da operação, e no pós operatório e na recuperação, na cicatriz que ficou, na placa, nos parafusos, nas limitações, nas dores, sempre as dores dolorosas.
Mas como não me deixaram falar, aqui fica o meu apreço e consideração genuínos perante quem dá banho aos outros por esse mundo fora.
É o nosso corpo, é a nossa intimidade, é a nossa alma que fica desnuda, vulnerável e frágil.



1 comentário:

Gaja Maria disse...

Completamente de acordo :)