terça-feira, 10 de março de 2015

As mães

Para a minha mãe eu faço bué de coisas. Na cabeça da minha mãe, aos 70 anos, é a loucura total andar para aí de bicicleta, sabe-se lá por que caminhos, principalmente depois de me ter esbardalhado e partido quase toda, precisamente do cimo da bicicleta.
Para a minha mãe eu ando sempre a correr, seja na minha vida pessoal e doméstica, seja no sentido literal da coisa, da corrida, porque faço caminhadas longas, porque corro de correr, porque corro do e para o ginásio, porque no ginásio faço exercícios e desgasto-me até mais não. Para a minha mãe eu estou doida por achar que tenho um rabo e uma anca enormes, que, segundo ela, não só não são grandes como, ainda por cima, são bem feitos, que eu sou grande e o meu corpo tem que ser proporcional. Que não sabe onde fui buscar a ideia de que tinha que ser magrinha sendo eu grande geneticamente falando.
Para a minha mãe o que vale é que eu como bem, que dá gosto ver-me a comer, porque senão acha que eu já tinha caído para o lado e perdido as forças, que eu faço e aconteço.
Isto é mesmo conversa de mãe. Para a minha mãe eu sou quase uma heroína tresloucada porque faço inúmeras coisas, sendo ainda mãe, educadora e trabalhando o dia inteiro fora de casa, durante a semana toda e sem ter empregada doméstica, ainda mais o gato e a cadela, e o periquito 'coitado'.
Na cabeça da minha mãe eu sou um beep-beep ambulante.
E pronto. Para a minha mãe sou tudo isto e muito mais e eu sempre a 'menosprezar-me', a achar que os meus esforços desportivos não são devidos nem suficiente, nem nada por aí além. Acho sempre que tenho o rabo e as coxas bué volumosas. Que como bués e que o que como bués se instala automatica e precisamente no rabo e nas coxas. Na minha cabeça se calhar até nem faço nada de jeito. Mas percebo os pensamentos e as opiniões da minha mãe, são de mãe, e eu também sou mãe, não há volta a dar.
E assim sendo, ouço, calo e consinto. Ao telefone. Que já tenho 40 anos. Depois... Depois aí vou eu à minha vida...

2 comentários:

Carla Isabel disse...

As mais normalmente são sensatas! ;)

Beijinho

Gaja Maria disse...

Mãe é mãe, nada a fazer. Mas olha, têm quase sempre razão :)) Bjs