quarta-feira, 15 de abril de 2015

A vista da minha janela

Há dois anos atrás, a vista da minha janela quando acordava era outra. Tinha uma vista panorâmica sobre a cidade já que estava internada no último piso do Hospital. Estava no rescaldo da operação ao ombro, tinha dores insuportáveis - amenizadas pela medicação, lia, comia, passeava pelo Hospital, ajudava as velhotas que por lá estavam ainda com menos mobilidade do que eu, recebia as visitas da família, dormia, sentia-me presa e farta de estar internada, era como se estivesse presa e hoje compreendo que é necessário tempo para que tudo se cure e passe, ou parte, vá...
Por vezes, em momentos mais 'stressantes', sinto uma espécie de saudade macabra do internamento, é que lá não tinha que fazer nada. Podia dizer que não tinha nada em que pensar mas isso não era verdade. Pensava e muito pois tinha tempo para o fazer. Pensava na vida, pensava no meu filho, pensava no que seria a minha vida...
Volvidos dois anos dou graças por tudo ter passado mas, ultimamente, sinto mais dores no ombro e no braço do que é usual... Não me queixo, interiorizo o desconforto. Não me apetece voltar a ir a consultas, a médicos, apesar do "meu" Ortopedista ser um excelente médico e pessoa...
Às vezes pergunto-me como foi acontecer uma coisa destas...

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