segunda-feira, 11 de maio de 2015

Sabem aquelas coisas que parece que não tem que ser...

Às vezes pergunto-me por que raios continuo a pedalar ou ainda por que raios continuo a ir a maratonas de BTT...
Neste fim de semana fui a uma prova de BTT, a primeira do ano porque a minha auto confiança btt-tista e de pessoa no geral não tem estado em altas... E no que me fui meter... É uma prova à qual tenho ido nos anos anteriores e sei, à partida, que requer alguma técnica e que os percursos são sempre ásperos e agressivos, envoltos em obstáculos e em trilhos perigosos mas pensei: porque não... Até porque nem me tinha inscrito, a ida foi repentina quando um amigo decidiu não ir e ofereceu-me o seu dorsal, no fundo, nem paguei nada... 
E pronto, lá fui e até estava animada. A prova começou e ia a um bom ritmo, tendo imensa gente para trás de mim. Ia rolando rápido mesmo nos singles que apareceram no início. E vai daí que o ritmo era rápido e pouco depois do início esbardalho-me ao comprido numa ponte. Caí eu e a bicicleta para dentro dum charco e fiquei logo irritada. Não me aleijei nem aconteceu nada à bicicleta mas o meu espírito quebrou logo ali... Disse palavrões, tiveram que me ajudar a sair daquele sítio e a partir dali bloqueei e nem imaginava o que me esperava...
Começo a notar que muita gente passa por mim. Eu já estava em baixo com o braço e uma perna esfolados e arranhados e assim foi o resto da prova. Até porque começou tudo a piorar com tantos trilhos difíceis, descidas e subidas a pique, como se estivéssemos a sair dum buraco e onde tínhamos que elevar a bicicleta acima da nossa cabeça...
Dei conta de que ia mesmo muito lenta e com os meus receios em descidas e abismos estreitos ainda pior...
Quase no fim, já com um calorão enorme, só vislumbrava subidas e singles completamente desnecessários e até tive uma falta de ar com a ansiedade daquilo nunca mais acabar. Senti uma espécie de bolha na garganta, no pescoço e comecei numa espécie de respiração bloqueada, senti-me mal mas prossegui debaixo daquele sol intenso e naquele piso seco, sempre a subir... Estive prestes a desistir da prova mas faltavam 2 Kms e achei que era tola se o fizesse, apesar de enormes dificuldades em prosseguir...
Por fim, entrei no alcatrão. Faltam 300 metros, alguém gritou, e eu pensei que ainda bem senão desfalecia ali mesmo...
Até que a chegada à meta também era complicada. Desmontei da bicicleta, e quase que a atirava pelas rampas abaixo, e cheguei extremamente nervosa, cansada, saturada, farta e mais que 'stressada'. Afinal, toda a gente se queixou do percurso e da sua dureza, mas essencialmente eu estava irritada comigo mesmo por ter sido quase a última e a penúltima das mulheres presentes. Pensei que era sempre a mesma coisa, que, tudo bem que o percurso era demasiado difícil mas parece que é sempre assim. Fico sempre para o fim, sou sempre dos últimos e das últimas, e assim sinto e penso se valerá a pena continuar a pedalar e, principalmente, ir a provas... É como se a minha prestação física não se desenvolvesse e é como se tudo não valesse a pena... Estou... farta de quase nada me correr bem... E, como digo, esta prova era mesmo muito difícil mas, pelo menos, podia ter demorado menos tempo e chegado não tanto no fim...
Apetece-me mandar tudo às urtigas no que à bicicleta e a maratonas diz respeito... Chego sempre no fim, para que hei-de estar a gastar dinheiro para pedalar e sempre a fazer figuras tristes ao ser do(a)s último(a)s... Parece que insisto em algo que teima em não correr bem...

1 comentário:

Sol disse...

Não fiques assim, isso não te leva a lado nenhum. Devias estar feliz porque apesar do percurso que todos consideraram difícil, tu conseguiste chegar ao fim, mesmo com uma queda pelo caminho. Ânimo, o importante é que o faças nem que sejas a última a chegar. Beijinho