quarta-feira, 27 de maio de 2015

Visto assim deste prisma...

Não sei porque continuo a sentir-me constrangida quando me calham elogios ou quando calha em conversa algo que faço e que, de repente, as outras pessoas acham que é algo de extraordinário ou que quase mais ninguém consegue fazer...
Vejamos o enquadramento... Não sou pessoa de grande auto estima, e nem sei porquê... A tendência é sempre minimizar ou desvalorizar (quase) tudo aquilo que faço. Por norma, acho (quase) sempre que "os outros" conseguem fazer tudo muito melhor do que eu. No caso da bicicleta, por exemplo, acho sempre que "os outros" conseguem pedalar muitos mais quilómetros do que eu ou pedalar de forma muito mais rápida ou têm imensa técnica e dão saltos no ar com a bicicleta ou fazem o pino em cima do selim. Bom, em suma, parece que acho sempre que aquilo que consigo ou faço é pouco...
E vai daí que foi com algum constrangimento que senti o ar de admiração e de espanto quando calhou em conversa numa aula de Cycling, o facto de eu andar de bicicleta sozinha e de ter pedalado 30 Km no sábado e 70 Km no domingo... E por ir a provas de quando em vez...
Ouvi os suspiros e os zunzuns de quem não o costuma fazer e, de repente, até parecia que eu fazia coisas incansáveis e dificílimas de fazer e alcançar.. 
Senti-me também uma mulher tresloucada quando me questionaram sobre o facto de estar tantas horas fora de casa, a pedalar, sozinha ainda por cima, longe do marido e do filho, e por o fazer apenas por prazer e não tanto para emagrecer ou estar em forma...
Respondi numa voz singela que o fazia por prazer e por ser algo libertador e terapêutico mas acho que ninguém entendeu ou compreendeu... Suponho que só quem pedala é que entende estes sentimentos...
Perante tanta atenção que me ia deixando cada vez mais com menos vontade de falar e de partilhar as minhas aventuras ciclísticas, fui buscar outras pessoas para a conversa, como que me a desculpar daquilo que conseguia fazer e a desvalorizar o que pedalo. Fui buscar exemplos de pessoas que pedalam, tanto no sábado como no domingo (dois dias seguidos, portanto...), mais de 100 Km de cada vez...
Não sei porque sou assim, ou continuo assim aos 40 anos... Afinal, realmente posso não ser grande coisa a pedalar porque não sou muito rápida ou porque bloqueio nas descidas íngremes, mas faço muitos quilómetros, quase todos sozinha, e pelo menos sempre faço algo que aquelas pessoas não fazem e que, pelos vistos, não pretendem fazer...
Devia saber já que tenho é que me valorizar e não estar sempre a queixar-me disto e daquilo...
Enfim, devia mudar a perspetiva das coisas...





5 comentários:

Sol disse...

Junta-te a mim que eu sou tal e qual.
Mas já te tinha dito que te admiro muito, não já? Não?! Não faz mal, eu digo outra vez: ADMIRO-TE MUITO! Bjinho

Gaja Maria disse...

Claro que fazes coisas e bem feitas que ninguém faz, só tens é que te valorizar por isso. Quem não compreende, azar :))

Algures no Oeste disse...

SOL: Obrigada, ehehehe.

Também vos admiro muito.

Beijinhos SOL e GAJA MARIA :-)

Sónia Miranda disse...

Há que fazer um exercício de reconhecer os nossos valores. ;)

Algures no Oeste disse...

SÓNIA MIRANDA: É verdade... :-) E obrigada pela visita :-)