terça-feira, 16 de junho de 2015

Desta vez não quis saber do vento, nem da escuridão

Ontem ao fim do dia não quis saber nem da ventania que estava nem da escuridão eminente que pairava no céu, e, quiçá, na minha cabeça...
A verdade é que não pedalava desde quinta-feira ao fim do dia e nem me exercitei mais pelo meio, o que quer dizer que estava já a entrar naquele estado ambivalente: uma espécie de ressaca por não me exercitar e a consequência disso sobre o meu corpo, ou seja, desatar a engordar, ganhar peso, 'whatever'...
Podia ter pedalado durante o fim de semana, sim, podia, mas não o fiz. Até estava inscrita numa maratona de BTT mas pela segunda vez os meus medos e taras venceram sobre o meu corpo não o deixando ir participar... Instalou-se a angústia constante e nervosa de que pedalo devagar, de que chego quase sempre em último, que me enervo mesmo muito, que posso cair, que tenho tido muitas mais irritações do que prazer nas provas de BTT, e por isso não fui, borrifando-me para o assunto... E agora ainda ando num misto de que me estou a borrifar e de que podia ter ido, mas já passou e não quero mesmo saber...
E vai daí que ontem cheguei a casa, arrumei tudo e nem tinha previsto ir dar uma volta. Contudo, aquela espécie de "chamamento" falou mais alto e apesar do imenso vento, fui na tentativa de libertar energias e arejar as ideias.
O vento estava contra mim mas decidi ir fazer uma subida bastante íngreme que, muitas das vezes, me custa a fazer e é algo quase psicológico. Só de entrar naquele estradão que dá acesso àquela subida, começo a desmoralizar... Mas ontem não... Ontem foi como se estivesse a lutar e a combater os meus receios e inseguranças infundados e ninguém me poderia impedir de fazer aquela subida, contra o vento, contra a escuridão das nuvens e contra mim própria.
Ataquei a subida como nunca o tinha feito, sem hesitações, cheia de fúria e glória, como se fosse um cavaleiro com uma lança em cima de seu cavalo combatendo contra as merdas que pairam na minha cabeça e que, ultimamente, têm sido mais fortes do que eu.
Subi, subi, subi, sem parar, sem medos, sem cansaços, sem respirações a arfar, o vento era forte mas eu teimava que seria mais forte do que tudo e mais alguma coisa.
Transpirei, olhava apenas para o piso para que os pneus da bicicleta não fossem ganhar desequilíbrio por causa dalguma pedra ou desnível em que se metessem. Estava concentrada tão somente em subir sem me sentir cansada e em fazê-lo o mais depressa que conseguisse, mesmo tendo o vento contra mim e o piso muito irregular, húmido, desnivelado, com pedras e covas.
Quando cheguei lá acima foi a primeira vez que me senti triunfante naquela subida que já fiz "milhares de vezes" e em que pareço quase sempre uma criança com o desespero por nunca mais chegar lá acima...
Foi a primeira vez em que não me senti angustiada a fazer esta subida.
Gostava que fosse sempre assim.
Gostava de me sentir sempre assim, com garra e energia...
E depois de ter feito a subida, só me apetecia bater em mim mesma por não ter ido à Maratona de BTT no dia anterior...
É a vida...


1 comentário:

A Loira disse...

As provas por vezes só nos causam nervosismo, é normal.