terça-feira, 7 de julho de 2015

Espreitei ao postigo

Espreitei pelo postigo da porta que dá para o terraço e vi que o céu estava cinzento e carregado de nuvens. Quis sentir se estava frio e abri a porta. Imediatamente o vento veio contra mim e o meu corpo arrepiou-se com o contraste da temperatura que estava em casa e a que estava na rua.
Era ainda muito cedo porque deixei decido ontem na minha cabeça que hoje viria trabalhar a pedalar. E, também, ultimamente, parece que tenho menos sono e que preciso menos dele. Durmo menos horas e acordo mais cedo.
Voltei para casa, tomei banho, vesti-me e tomei o pequeno-almoço. O gato, como sempre, sentou-se na mesa, quase a dormitar e em cima de mim enquanto bebia o meu chá e comia uma torrada só com manteiga. O meu gato é assim. É raro o dia de manhã em que não se prosta em cima da mesa enquanto tomamos o pequeno-almoço, como se fosse uma pessoa a dar apoio moral...
Na minha mira a mochila onde coloquei a carteira, o lanche e as sandálias dentro dum saco.
Saí de casa e ali calcei as meias e os sapatos de encaixe. Pus as luvas. O vento soprava e fazia voar o meu cabelo recém lavado e ainda húmido, como se estivesse na filmagem duma qualquer cena cinematográfica ou dum qualquer videoclip musical mas não, a minha vida, ultimamente, é tudo menos cinematográfica...
Apanhei o cabelo num rabo de cavalo, pus o capacete, voltei a casa para vestir um casaco porque, apesar de não querer transpirar a caminho do trabalho, achei que estava frio. Os óculos não foram precisos, voltaram para a mochila que coloquei às costas e saí montada na bicicleta.
Ainda não eram oito da manhã e o tempo estava mesmo desagradável. Pelo caminho, o vento imenso fez-me pedalar mais devagar e arejou-me as ideias. Também me levou o casaco a esvoaçar, como que a "abrir" para trás das costas. Podia fechá-lo se tivesse botões ou fitas mas não, é um daqueles casacos simples que não tem forma de abotoar...
Meia hora depois estava no meu trabalho. Arrumei a bicicleta e troquei de calçado. Tirei a fita do cabelo e o capacete. Arrumei as luvas.
Penteei-me, dei um jeito na cara. Mirei-me no espelho onde fico sem cabeça e em que tenho que me baixar para me conseguir ver a mim mesma.
Inspirei... Expirei...
É bom pedalar até ao trabalho  mas há coisas que não estão fáceis... 
Precisava duma pausa, duma espécie de "limpeza mental" e não só... 
Precisava de leveza, de viajar, de conhecer o mundo e outras gentes, de respirar, de inspirar e expirar, de fugir e de voltar.
Precisava...

Do filme "Eat, Pray, Love".

2 comentários:

Sol disse...

Eu também precisava de sair durante uns tempos. E de preferência sozinha. Por aqui não tem estado tanto vento nem tanto frio, aliás está muito calor mesmo. Penso até que ando tão cansada e tão aluada, deve ser de tanto calor. Beijinhos

Gaja Maria disse...

Aproveita as férias que com certeza se aproximam para tratares de por todos esse pensamentos em ação. Beijinho