segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Wild thing...

Isto há coisas que mal se conseguem explicar, que se sentem...
Pois se de manhã fui numa pedalada solitária, fria e enlameada, à tarde o pai cá de casa já estava presente e desafiou-me para algo inédito: uma volta a dois, fria e enlameada mas a quatro rodas, numa Moto 4 de um amigo, que nós não temos destas... "coisas"...
Na verdade, para 'poder' ir foi como se tivesse 15 anos e estivesse a fugir de casa pois com a minha mãe por cá, e para não a estar a ouvir a "ralhar", saí de casa "de fininho", com as roupas num saco e fui encontrar-me com o pai cá de casa no sítio onde me esperava com a Moto 4. Digam lá que isto não soa a namoro de adolescente às escondidas...? Para não "ralharem" connosco e não ficarem preocupados, no caso a minha mãe, saímos e chegamos a casa com a roupa "normal" e mudamos de roupa junto da Moto 4...
Bom, mas fomos por trilhos e caminhos por onde costumamos pedalar, tudo cheio de lama do tempo húmido e da chuvinha que caiu.
Fui à pendura mas a tenho a dizer que a descarga de adrenalina foi brutal...!
As subidas, as descidas, as curvas, a lama, a velocidade...
Que sensação única de liberdade e de ser selvagem...
É isso... senti-me selvagem... por momentos eu era um bicho-do-mato e não tinha mais nada em que pensar ou com que me preocupar.
Senti-me selvagem com o cabelo emaranhado no capacete.
Livre ao soltar-se quando tirava o capacete e abanava o cabelo, não para parecer que estava num videoclip em câmara lenta, mas para se 'soltar' da cabeça já que ficava 'acachapado' dentro do capacete...
Selvagem ao não ter que pensar nas unhas, na manicure, na cor do verniz que ia pôr.
Selvagem ao não querer saber do cabelo.
E a verdade é que adorei ver-me nesta foto.
Olho para mim e busco lá dentro o que me vai na alma.
Vejo uma mulher num estado quase selvagem que vive sensações únicas, nunca antes vividas... Nem na adolescência, nem na vida de jovem adulta, nem quando vivia em Lisboa.
Sempre fui tão certinha e cumpridora que parece agora que me solto ao pedalar e mais intensamente sentido na Moto 4...
Wild thing...
De repente era o bicho-do-mato que sempre fui e ficava ali assim...


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