quinta-feira, 7 de julho de 2016

Eu senti a chuva e a trovoada de manhã...

Senti a chuva e a trovoada logo de manhã quando acordei.
Na verdade, não a senti porque a chuva não estava a cair em cima de mim nem um relâmpago se aproximou de mim. 
Talvez o mais correto seja dizer que as ouvi, à chuva e à trovoada.
Estavam lá fora enquanto eu tentava despertar para o dia e levantar-me a custo...
Não a custo zero, mas a um custo precioso porque me custou mesmo muito levantar...
A custo sentei-me na cama e os meus pés procuraram os chinelos que me guiaram pela casa fora.
Fui espreitar pela cozinha para confirmar que estava mesmo a chover e a trovejar, e estava mesmo... Ao longe uma névoa quase branca pintava o céu e a minha amiga canina abanava o rabo e olhava-me com estranheza e a alegria de quem sabe que vai receber uma carícia na cabeça logo pela manhã, a água limpa e a taça a ficar novamente cheia de biscoitos...
Com a chuva e a trovoada neste Verão do Oeste, apercebi-me de que se até as estações do ano 'falham', por que raios eu que, supostamente, cheguei à "meia idade", qualquer coisa como a Idade Média só que em humano, não em época, não poderei falhar...
Anos e anos a ser daquelas pessoas que não falham nunca, ou que tentam não falhar, quase como se fosse um 'robot' com tudo automatizado e pronto a não avariar ou falhar...
E só anos e anos depois, nesta idade... "média", e depois de tantos e tantas me falharem, da própria vida me falhar, constato que falhar é próprio do ser humano, ou seja, eu própria posso... 'falhar'...
Claro que estou a falar de pequenas coisas pois não me ocorre 'falhar' à minha família e àqueles de quem gosto... A esses continuo a ser leal e a estar lá como sempre o fiz...
Permito-me falhar nas três ou quatro vezes que o telemóvel repete o despertador e não me consigo levantar...
Permito-me chegar meia hora mais tarde ao trabalho do que é costume (mas também porque é possível, posso chegar mais tarde mas não estou atrasada ou sou penalizada por isso...).
Permito-me esquecer de comprar o queijo e o fiambre que acabaram hoje de manhã ou o meu pão de centeio ou de cereais que já não há lá em casa.
Permito-me ser livre e fazer o que bem entender à hora de almoço do trabalho: ficar à secretária a comer uma sandes, ir ao ginásio, ir às compras, ir empanturrar-me de comidas calóricas e saborosas.
Permito-me... ser mais eu...
De certa forma, parece que andei 'enclausurada' durante uma série de anos e só agora, na... "meia idade"... começo a permitir-me... falhar...
E não é que lá fora continua cinzento e com ar de que vai desatar a chover a qualquer momento...

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