sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Quando fui ver

Quando fui ver tudo passou diante dos olhos como num "rewind" dum filme mas que é afinal a minha vida.
Hoje acordei assim, podia-me ter dado para pior neste dia de São Martinho que esperei ser solarengo para confirmar a lenda mas afinal o dia está fresco, cinzento e triste.
O filhote levou um sumo e castanhas para a Escola para fazerem um magusto mas já ontem ao serão nos deliciámos com umas belas castanhas assadas. Adoro castanhas assadas, agora e desde que me lembro.
Lembro-me de mim com a idade do meu filho pois foi quando fiz 10 anos que recebi a minha primeira bicicleta de presente. Foi o delírio na altura e nunca imaginei que depois de 'velha' iria desatar a pedalar que nem uma maluca já que a dita bicicleta não se manteve na minha vida. Morava num ambiente urbano, pouco dado a vivências ao ar livre e por isso só reencontrei a bicicleta quando me mudei para o Oeste.
Mas como estava a dizer, é mesmo verdade, a vida passa num instante defronte dos olhos e acho que em segundos me vi com 10 anos a receber a bicicleta trazida pelo meu pai, enquanto explodia de felicidade, com 15 a mudar de Escola, com 18 a entrar na Faculdade, com 22 a sair da Faculdade, com 23 a começar a trabalhar, com 29 anos a viver junta, com 30 a entrar no quadro, com 31 a casar com papéis, com 32 a ser mãe, com 35 a mudar-me para o Oeste, com 36 a mudar do emprego de Lisboa para o Oeste, com 36 a perder 26 quilos num ano, com 38 a perder o meu pai, com 38 a ter uma queda brutal da bicicleta, com 38 a ser operada pela primeira vez com anestesia geral, com 38  a ganhar uma placa e parafusos, com 38 a fazer inúmeras sessões de Fisioterapia, com 41 a separar-me, com 42 a divorciar-me, com 42 a reencontrar-me a mim e ao mundo, com 42 a pensar para onde raios foram estes anos todos e a minha vida toda e o que posso ainda esperar da vida já que, supostamente, já vivi mais de metade da minha vida e estou em crer que ainda falta viver tanto e que o meu corpo (e alma) vai começar a não responder tanto como gostaria...
Hoje acordei assim... A pensar que o tempo voa. Que me exercito tanto e que é tão difícil perder peso. Que a vida é difícil. Que não sabemos como vai ser amanhã.
Que tenho um filho maravilhoso e saudável e muito teimoso e chatinho às vezes também...
Que tenho uma mãe a envelhecer a olhos vistos, no corpo e nos 'modos', nas reacções e ilações...
A sua pele que sempre foi lisa, "finalmente" aos 72 anos está a ficar cheia de rugas e, por vezes, olho para a minha mãe, e também penso para onde foi a sua vida, dura, logo com o embate de ficar sem mãe aos 15 anos...
A vida...

2 comentários:

Gaja Maria disse...

A vida não é fácil para ninguém, mas temos de a viver o melhor que sabemos. Beijinhos

Algures no Oeste disse...

GAJA MARIA: Pois é... há que aproveitar o que há de bom, por pouco que seja... :-)
Beijinhos!