sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Tinha deixado o filhote na Escola depois de termos saído de casa um pouco mais tarde do que é costume.
Assim, não houve tempo para irmos ao pão enquanto eu bebo um café e o filhote come mais qualquer coisa depois de ter tomado o pequeno-almoço em casa. Não sei se é da idade mas a verdade é que o apetite está em altas pelo que come muito mais do que era habitual.
Entrei com o filhote na Escola à procura do casaco de fato de treino esquecido a meio da semana e já procurado por mim, por ele e por pessoas da Escola. Nada feito. Ficou o pedido. Vão voltar a procurar.
Venho a sair e dou de caras com a Diretora de Turma, ainda bem - pensei eu - pois precisava mesmo de falar com a Professora. Foi tudo a correr mas para a semana vamos falar melhor. Tenho um filho inteligente e com bom aproveitamento mas que não consegue estar quieto nem calado nem com muita atenção... E se no 1.º Ciclo a Professora ia tolerando tudo isto, agora no 2.º Ciclo, com diversos professores, já não é bem assim, e eu compreendo que assim seja. Afinal, eu própria tenho consciência do filho que tenho e sei bem que não consegue estar "parado" muito, ou melhor, nenhum tempo...
Saio da Escola e o tempo está cada vez mais cinzento, na rua e na minha cabeça... 
Sento-me no carro e dou à chave para seguir viagem até ao trabalho.
Pelo caminho vou onde não ia há algum tempo tomar café e comprar pão. Ao lá chegar, uma tristeza imensa invadiu o meu corpo e a minha alma, por tudo e por nada...
Saio do carro, completamente absorta nos meus pensamentos, já chuviscava quando me apercebo que um senhor, velhote e de muletas, deixou cair os seus  boletins do Euromilhões, outros tantos papéis e dinheiro. Com o vento que estava, começou tudo a voar e eu voei a correr para o ajudar pois o senhor teria imensas dificuldades em se agachar.
Corri para cima dos boletins e dos papéis e apanhei logo a nota de 20€ que lhe dei imediatamente.
Salvaram-se os boletins preenchidos, os outros eram apenas papéis ao vento, sem nada e sem importância...
Talvez isto não tenha sido nem um minuto da minha vida mas passei de estar absorta e centrada no meu mundo para ajudar alguém e a verdade é que me fez bem desconcentrar de mim mesma...
O velhote fartou-se de agradecer e eu só pensava que o dinheiro poderia fazer-lhe mesmo falta. Imaginei a minha mãe sem ajudas e pensei no meu pai que já não tenho...
Contudo, o dia continua cinzento e feio, lá fora e na minha cabeça...

3 comentários:

Algarvia disse...

Começar o dia a ajudar o próximo é o melhor da vida!

Pedro disse...

Já não está o dia perdido. Fizeste uma boa acção ao ajudar um idoso.
Envelhecer, um privilégio que não está ao alcance de todos.
Já eu, duvido que lá chegue.

Algures no Oeste disse...

ALGARVIA: É uma sensação muito boa sim...
Obrigada pela visita e pelo comentário :-)

PEDRO: Pois foi, não é todos os dias que acontece...
Não sabes, ninguém sabe, por isso, não "estejas para aí com essas coisas" :-)