quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ali sentada

Faz hoje uma semana que a minha mãe está internada e ontem, pela primeira vez, fui encontrá-la sentada aquando da visita, quer isto dizer que estava fora da cama. E assim, mais uma vez, a ajudei a jantar e a dar toda uma panóplia de comprimidos no final da refeição.
Tudo isto decorre no mesmo Hospital onde estive internada uma semana quando parti o ombro, por causa da queda da bicicleta. O espaço de internamento não é o mesmo mas as urgências e o sítio, é o mesmo...
Enquanto estou com a minha mãe, dou por mim a vaguear em pensamentos que recordam tudo o que se passou na altura... Na altura era eu quem ali estava 'presa' e que tinha visitas, até do meu filho. Já se passaram quase quatro anos... E era uma questão de... ossos... não de funções ou órgãos vitais, como no caso da minha mãe...
Agora 'resto' eu e a minha mãe, e ali estamos as duas, todos os dias, uma com a outra, numa proximidade, numa vida que nos leva a ambas a questionar a vida e a pensar em que raio de vida se tornaram as nossas vidas...
Chega a hora do fim da visita mas eu fico como que prostrada porque enquanto a minha mãe está sentada num cadeirão, o meu cansaço é tal que sucumbo a tombar sobre a cama de hospital onde a minha mãe está. Passo de sentada a deitada, ainda que 'de lado' e não de forma absorta, mas dei conta que ali não teria que pensar em mais nada...
E é por ali, vagueando pelas urgências, pelos corredores e pelo internamento que se dá conta do ser humano na sua não essência e da degradação do corpo humano. Afinal, é tão somente uma máquina que no fim é lixo, que se estraga e deteriora...
Hoje é um novo dia. E hoje lá estarei. Levo uma garrafa de água e um pastel de nata que me pediu para levar.
Hope...

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