terça-feira, 4 de abril de 2017

4 anos - há coisas que não deviam ser relembradas mas...

Faz hoje quatro anos que me esbardalhei na bicicleta e durante o mês de abril de 2013 escrevi vários 'posts' sobre a queda e a operação...
Na semana passada revi tudo por dentro novamente, e agora avivam-se as memórias ainda que seja tudo para retirar cá para fora...
O primeiro post que escrevi na altura sobre o assunto, a 07/04/2013 dizia:

"Custa-me mesmo muito escrever"
E faço-o muito lentamente com a mão esquerda.
Quando melhorar virei relatar melhor o que se passou.
Neste momento tenho tudo semi suspenso. Na quinta-feira passada tive uma queda brutal da bicicleta. Caí violentamente sobre o alcatrão e sobre mim mesma.
Naqueles instantes de segundos do impacto pensei duas coisas: parti os dentes todos e vou ter com o meu pai... O capacete ficou sem a parte que o enfeita, a colorida que saltou com a brutalidade da queda.
Afinal o meu queixo, nariz, boca e joelho, ainda que visivelmente feridos, foram mais fortes do que o meu ombro que está partido em três sítios e que tem que ser operado com material específico que de momento não há no hospital para onde fui levada para as urgências pelos Bombeiros a quem agradeço todo o apoio e auxílio,
Não cheguei a desmaiar mas as dores eram insuportáveis. Tiveram que me cortar a roupa por causa do joelho e do braço e do ombro... Valeu-me a boa pulsação e tensão arterial, de desportista disseram os Bombeiros...
Na Ortopedia gritei mais e tive mais dores do que as que tive a parir, quando me endireitaram o braço...
Não sei como vou estar tantos meses sem poder pedalar e sem poder fazer exercício como tenho feito até aqui...
Tanto trabalho a perder peso e a ganhar forma física e em segundos isso vai-se...
Estou dependente para me calçarem, partirem a comida e outras coisas às quais não ligamos nenhuma a não ser quando não as temos...
Amanhã volto ao Hospital para saber se já me podem operar. Senão não sei se espero ou se me 'piro' para Lisboa...
Às vezes parece que a vida se encarrega de nos fazer parar quando estamos quase a crashar mas era escusado fazê-lo de forma tão dolorosa...
Perdi o meu pai e agora 'perdi' a bicicleta que me mantinha sã... Foram-se as provas em que já estava inscrita e tenho muito medo de engordar e de perder tudo o que consegui até aqui...
2013 está a ser um ano de merda...
Não imaginam quanto tempo demorei para conseguir escrever isto...
Mas está tudo 'bem', estou consciente, ando, falo e penso...A cara, essa, bom, tem mazelas, o joelho também, o ombro nem se fala e a minha alma nem sei bem como está. Estou impaciente e farta...
Incrivelmente nunca chorei, não verti uma única lágrima em todo este processo...
Eu volto quando me custar menos a escrever..."

2 comentários:

Gaja Maria disse...

Ainda vais ficar mesmo bem, acredita. Força :)

Algures no Oeste disse...

Gaja Maria: Obrigada, espero que sim...
Beijinho :-)