segunda-feira, 19 de março de 2018

Podia escrever sobre o meu pai, podia

Podia escrever sobre o meu pai, pois podia, já que hoje é o Dia do Pai.
Também podia partilhar uma foto fofinha no Facebook de mim pequenina com o meu pai, como já o fiz.
Mas acontece que hoje, aqui e agora, não me apetece.
Não por que não queira saber do meu pai mas porque lhe sinto a falta todos os dias. Às vezes até venho aqui ao blog escrever sobre isso mas hoje em particular, não me apetece.
Onde quer que esteja, o meu pai sabe que me faz muita falta, a mim e à minha mãe, e nalguns momentos peço a sua ajuda e orientação, se é que isso 'tem algum efeito'...
Estou a ficar cansada de olhar muitas vezes para o passado e de pensar no que já foi.
Está na hora de pensar mas é no que está para vir e viver o presente como se não soubesse que iria existir o amanhã.
As memórias e o passado já lá vão.
Sentirei sempre a falta do meu pai que era, afinal, uma pessoa tão sábia e 'certeira'.
"Verifico" agora que raramente ou nunca se enganou em relação ao 'perfil' que fazia das pessoas à minha e à nossa volta, e da vida no seu todo. É incrível mas tem batido tudo certo.
Se calhar um dia também vai acontecer comigo o que o meu pai contava ter-se passado consigo: também ele era (dizia ele...) uma pessoa fechada e muito calada mas um dia, por volta dos 40, começou a falar 'com toda a gente' e a 'desinibir-se', tanto que começou a cantar fado por aí e por acolá.
Eu não pretendo cantar fado ou outra canção qualquer porque não tenho voz para tal mas gostava mesmo de me 'desinibir' mais e nalguns momentos ser 'desbocada'.
Isto da pessoa ser calada, não está com nada...
Também há por aí uma ditadura que não se vê mas que se sente: a ditadura da extroversão e do "poder oratório"...

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