quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Vai uma rifa ou isto é para os apanhados?

Ainda que um dia tenha que voltar a Lisboa, este ano, esta mudança e esta vivência no e do Oeste ficará para sempre na minha memória porque tem sido um ano intenso, de muitas mudanças, físicas, psicológicas e emocionais. Tem sido um ano de muitas aprendizagens e de muitas coisas novas na minha vida...
Pela primeira vez na minha vida, ajudei a fazer bandeirinhas como as que estão na foto deste post... Nada de especial, nada trabalhoso. Só não pensei que um dia o fizesse. Foi a minha primeira vez a recortar e a aparar bandeirinhas para serem penduradas ao vento e foi a minha primeira vez a participar na organização de um aprovisionamento para ser sorteado nas rifas da quermesse...
E porque o fiz? Porque calhou. Porque não me importei de ajudar. Porque quis matar a suposta solidão que às vezes sinto.
Agora com o que eu não contava, e que no momento em que me foram buscar para tal perguntava se seria para algum programa de apanhados, foi quando me "puxaram" para ir ajudar na quermesse e a vender as rifas por trás do balcão. Podia ter recusado mas talvez pela experiência e talvez pelos laivos de solidão que sinto de vez em quando, deixei-me ir na corrente ainda que completamente apavorada por ir segurar num cesto cheio de rifas, contá-las, interagir com um público e receber o dinheiro para o pagamento das mesmas.
E por estranho que pareça, correu muito bem e fartei-me de vender rifas. Tive velhotas a dizer que gostavam muito de mim, sem me conhecerem de parte alguma, crianças e até alguns velhos babados a armarem-se em engraçados para o meu lado (socorro!).
A minha vizinha holandesa e os seus amigos que vieram, precisamente, da Holanda e outros da Tailândia, fartaram-se de comprar rifas graças a mim, riram, ficavam extasiados quando saía um número e assim desenrolaram mais de 100 rifas!!!
Só pensava que se tratava duma nova vivência, duma quase experiência sociológica e psicológica no meu trajecto individual.
Sinto depois destas experiências que andei fechada durante todos estes anos e que afinal até gosto do que achava não ser capaz de fazer e/ou de não gostar, como aquelas pessoas que se fecham e que dizem mal de tudo e de todos e que depois de experimentar, não querem outra coisa. Como o Prior no "Chocolate" da Joanne Harris, sabem. Não gostava e tal, que horror o chocolate, e depois afinal comeu os chocolates quase todos...
Como digo, até posso ter que voltar para Lisboa, não sei o futuro, mas ninguém me tira esta lição de vida que tem sido esta grande mudança a tantos níveis...

3 comentários:

mamã da princesa disse...

Sei do que falas... durante anos participei activamente na organização das festas da minha terra!
Agora, desde que a M nasceu, já sou mais visitante... mas é muito "fixe", embora dê muito trabalho e algumas arrelias...
E a minha ocupação era exatamente a quermesse...

bj

SC disse...

A vida nas grandes cidades torna-nos isso mesmo: pessoas fechadas. Não é por mal, muitas das vezes é a própria azafama e correria do dia a dia, que nos leva a sermos fechados e nunca teremos explorado esse nosso lado doador, esse nosso lado de inter-ajuda... Fico feliz por ti amiga.

manu disse...

Lá dizia o poeta que a vida é feita de mudanças,mudanças essas que nos enriquecem e dão outro sabor á nossa vida.
O interessante é apercerbermo-nos que tudo acontece sem ser programado o que nos surpreende ainda mais.
Não viste para o Oeste por acaso, tinhas algo a aprender e a vivenciar e a prova está em tudo o que vou lendo por aqui.
Que a vida te continue a sorrir!

Beijos
Manu