terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tantas horas sem escrever nada aqui...?

É verdade. Nem parece meu mas...
Quatro horas numa urgência pediátrica porque os vómitos e a febre não passavam e porque o filhote dizia constantemente que lhe doía a barriga para no fim virmos embora com um diagnóstico de má disposição e de nada de mais até porque a febre passou e os vómitos também, deitam-nos um pouco abaixo e sem inspiração...
Dias que passaram depressa na companhia dos meus pais.
Dias que custam quando os meus pais vão embora e que me fazem enfraquecer e querer ir embora do Oeste, voltar ao sítio onde sempre morei, resignar-me e dar parte de fraca para estar sempre perto das asas do papá e da mamã e de toda a gente que me viu nascer e crescer.
Ter a notícia de que uma pessoa que nos é muito querida e que sofria há muitos meses partiu e ficarmos assim sem saber o que dizer, pensar ou sentir, principalmente porque tenho andado a pensar muito na morte como já relatei aqui.
Pensar que um dia na minha vida vou sofrer muito com a morte do meu pai e/ou da minha mãe, partindo do pressuposto de que irão partir à minha frente... Que ando muito sensível e que choro ao ver uma foto do meu pai em criança porque me emocionou vê-lo criança já que temos tendência a pensar que os nossos pais já nasceram adultos e depois também pensamos que não envelhecem nem ficam débeis ou vulneráveis, que não perdem as forças que sempre lhes conhecemos.
Porque pensei que naquela altura o meu pai já estava a sofrer, e muito, devido à partida inesperada e voluntária da sua mãe que não o levou consigo nem à irmã...
Que comi muito nestes dias e me mexi muito pouco.
Que me custa muito dizer a alguém que lamento muito a perda do seu pai, não querendo nem imaginar como eu me sentiria na mesma situação.
Que me faz bem conversar com a minha vizinha holandesa. Apesar da diferença de idades (é mais velha uns anos) pensa em muitas coisas da mesma forma que eu e entende a minha angústia em por vezes querer voltar a "Lisboa" e/ou me sentir só no Oeste. Que me diz para ter calma, para pensar no meu filho e é isso que faço até porque prefiro o ensino do Oeste ao do sítio onde morávamos, porque gosto do meu trabalho actual e da liberdade do Oeste, porque encontro mais vantagens no Oeste mas vacilo perante os meus pais, a sua ausência, as suas frases chantageadoras do "se morasses mais perto..." e que "já pensaste que aos 18 anos o K. pode ter que ir para Lisboa estudar porque já não seremos vivos nessa altura e vai ter que viver sozinho e tu/vocês a morar(em) no Oeste"...
Porque acho que já me estou para aqui a expôr muito...

1 comentário:

SC disse...

É natural amiga.
Principalmente para quem sempre viveu próximo dos pais. Para quem nunca saiu da sua terra...
Mas depois é como dizes... ai tens tantas coisas que não tens lá!!!!!
E tb é natural eles fazerem chantagem, porque assim como tu, também eles se sentem a envelhecer e estão sozinhos... mas a distancia é pouco, vêm-se num instantinho e se o filhote for para Lisboa estudar, os pais podem sempre ir com ele, né?!
E se Deus quiser eles ainda serão vivos!

Não abdiques daquilo que te transformou, já eras um ser fantastico, mas desde que foste para o Oeste, tornaste-te ainda mais!

Jokas