sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

É sexta-feira mas...

Mas vinha a sair porta fora da Creche quando sinto "algo" muito abaixo de mim puxar-me pela aba do casaco, perto dos joelhos.
Era o meu filho num pranto enorme. Veio a correr atrás de mim porque o não sei quantos não queria brincar com ele e apareceu-me vermelho e com as lágrimas a escorrerem-lhe pela cara.
Regressámos à sala e não me queria deixar nem por nada. De todas as "cenas" que, estranhamente, têm acontecido ultimamente, esta foi sem sombra de dúvidas, a mais forte e a mais violenta porque hoje chorava, gritava mãe e agarrava-se a mim onde podia para não me largar enquanto o tentavam tirar de mim. Agarrou-se ao casaco, aos meus braços, às minhas mãos, ao meu cachecol e sempre a chorar...
Senti-me num barco a naufragar em que o meu filho estava a ser salvo, ou ao contrário, e em que eu tinha que o largar para o seu próprio bem.
Fiquei eu também com vontade de chorar mas contive-me e passados dez minutos vim embora com os seus gritos atrás de mim. Engoli em seco, troquei palavras de compreensão com outra mãe, e vim para o carro com os meus olhos cheios de água.
Do carro vi o meu filho ao colo da auxiliar, com o ar mais trombudo do mundo e já não me disse adeus, enquanto eu acenava com ar de parva e a pensar que estava a prolongar algo ainda mais doloroso.
Não fiquei bem e o meu filho também não. A vontade primária e primitiva foi de largar tudo e pegar nele, irmos os dois para casa, irmos os dois passear, sermos livres, sem precisarmos da socialização e da aprendizagem da creche, sem precisarmos do meu salário e do meu trabalho. Sermos livres da civilização mas... a vida não é assim.
Ao tomar o meu café a caminho do trabalho estava tão transtornada que transtornei e entornei o café. Simpaticamente serviram-me outro e não cobraram por isso apesar de eu ter insistido em pagar já que a culpada de tanto café espalhado no balcão foi minha.
Agradeci e no meio da triste tristeza que venho sentido e da dor de não poder ficar com o meu filho, vim trabalhar e só penso que felizmente é sexta-feira...

3 comentários:

mamã da princesa disse...

Bolas!!!! que isso hoje foi complicado!
Imagino como te sentes... com o coração apertado... do tamanho de uma ervilha!!!
Amanhã compensas...

Beijinhos grandes

(a M hoje ficou lindamente! Graças a Deus)

Gambozina disse...

É isso mesmo, felizmente é sexta feira. Mas que deve ter custado muito lá isso deve. Para já o joão fica muito bem, mas quando for assim não sei como vou fazer para contrariar o meu instinto de mãe que protege a sua cria...
Bom fim de semana!

Sofia disse...

:(
Todas as mães trabalhadoras temos dias e angústias assim... mas nunca deixa de ser triste e nunca nos "habituamos" por muito que no início me tenham dito que sim, que era uma questão de hábito para os dois. É pena que não se dê mais valor à maternidade para, pelo menos, se facilitarem/criarem situações mais equilibradas, como por exemplo, mais empregos em part-time para as mães, ou condições para que se pudessem ter as crianças mais perto de nós nos locais de trabalho.

Beijinhos e bom fim-de-semana