quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Era um bilhete para Lisboa por favor...

Eram sete e pouco da manhã e ainda estava escuro e muito frio quando, pela primeira vez desde que nos mudámos para o Oeste, e já lá vão quase dois anos e meio, entrei no autocarro rumo a Lisboa e comprei o bilhete.
Sentei-me e com a excitação duma criança que vai num passeio da escola, dei por mim a observar caminhos, percursos e pessoas...
Num grande conforto e com pouca gente no transporte, acabei por dormitar um pouco no caminho e assim que o autocarro entrou em Lisboa, sempre na faixa do 'Bus', dei por mim a observar o ar enfadado das pessoas que estavam dentro dos carros, nas imensas filas de trânsito para entrar na capital...
Os prédios muito altos também me pareceram algo desfasados daquilo a que agora a minha vista está habituada e por isso achei-os sem graça, quais gaiolas que albergam imensas pessoas num espaço concentrado...
De repente caí em mim e dei conta que já não estou nada habituada a muitos carros, a filas de trânsito e a barulhos típicos duma cidade bem como a viver e a trabalhar no meio de prédios enormes...
Dei conta que deixei a cidade no corpo e na alma e que dificilmente me voltaria a habituar aos ritmos stressantes e frenéticos que fazem parte de quem mora em grandes cidades e nos seus arredores como era o meu caso...
Saí do autocarro e corri para o metro e ia trocando as linhas mas lá fui para o sítio certo no meio de um aglomerado imenso de gente...
Quando saí vi logo os meus pais que decidiram ir ter comigo só para me verem e estarem comigo a fazer companhia naquilo que eu ia fazer. Não nos víamos desde a passagem de ano e assim foi uma forma de matar saudades.
Abracei a minha mãe efusivamente e por pouco choramingava mas contive-me e abracei também o meu pai...
A manhã passou e ao vir embora os meus pais saíram numa estação de metro antes daquela onde eu iria sair...
Despedimo-nos, a minha mãe e o meu pai diziam adeus da plataforma enquanto o metro seguia o seu caminho e eu acenei também e depois fechei os olhos.
Fechei os olhos porque ainda que me tivesse despedido dos meus pais com um ar de 'durona', naquele momento 'quebrei' e os meus olhos fechados encheram-se de água.
Achei que os meus olhos fechados eram suficientes para albergar a água que teimava em alojar-se dentro deles mas tal não foi possível... A água era mais do que aquela que cabia nas pálpebras e começou a cair pela minha cara abaixo e desta vez não era o suor duma aula frenética do ginásio, eram as minhas emoções a falar mais alto.
E foi assim que pela primeira vez na minha vida, as lágrimas me cairam cara abaixo em pleno Metro de Lisboa. Felizmente não era hora de ponta e eu mantive os meus olhos fechados, indo sempre limpando com um lenço as lágrimas que caiam...
Por momentos doeu-me a despedida dos meus pais, por momentos pensei se terá sido o mais acertado para a minha vida viver assim longe deles sendo eu filha única e tendo comigo o seu único neto...
Fará sentido o neto crescer vendo tão pouco os avós e tendo tão pouco a presença deles na sua vida...
Saí do metro com os olhos vermelhos e meio perdida dirigi-me à paragem porque em breve chegava o autocarro que me levaria de volta ao Oeste...
Pelo caminho serenei os meus sentimentos e as minhas emoções, quase dormi tal era o conforto, cheguei e fiz-me à vida...
Descobri entretanto que fiquei fã do autocarro que ruma a Lisboa: fica muito mais barata a ida, vamos sentados comodamente e faz-se a viagem de forma tranquila, é pontual, dá para ler, dormir e ouvir música pelo caminho, não é preciso pensar em estacionamentos em Lisboa nem gastar tempo e dinheiro com isso, e existem muitos autocarros em diversos horários...
Mesmo para quem quer vir de Lisboa ao Oeste, recomendo vivamente os transportes...

2 comentários:

akombi disse...

Como sou parecida contigo e te entendo tão bem, mas com uma grande diferença tu és forte conseguiste mudar de vida e alcançar o melhor, agora eu, bom eu tb acho que é o melhor e tendo a minha mãe,irmão e sobrinho, casa de infancia e todos os lugares a onde cresci, penso ser o melhor do mundo....á e as minhas filhas, mas essas claro por agora vão para onde for.

Os tempos que vivemos fazem-nos ainda mais sensiveis e questionamo-nos se estamos a fazer o correto.

Fizes te uma bela viagem que se pode repetir qd quiseres e que tal com o teu filho para visitar os avós, deve de ser cá uma emoção.

Isabel disse...

Numa destas vindas a ver se dá para combinar bebermos um cafezinho, já tenho saudades tuas.

Como sabes, eu adoro viver em Lisboa, mas talvez porque viva mesmo no centro e numa zona em que tenho tudo à mão. Não enfrento transito e vivo num prédio com poucos moradores (temos um andar por piso) e numa zona com poucos prédios muito altos, pelo que me sinto bem a viver aqui. :-)

Apesar de não ser lá muito agradável chorar no metro, é sinal que sentes um grande amor pelos teus pais e isso é um sentimento bom, não é?

Um beijinho muito grande!