segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Long time ago...

Há muitos anos atrás, por esta altura, da idade do meu filho, eu ia a bailes de Carnaval com a minha mãe.
Delirava mascarar-me e pintar-me e adorava brincar com papelinhos e dançar no baile de Carnaval.
Realmente eram outros tempos. Não havia internet nem muitos canais de televisão e as pessoas divirtiam-se com coisas simples como ir apenas a um baile de Carnaval onde toda a gente se conhecia, encontrava, conversava, ria, brincava, comia sandes com bifanas e com couratos e onde se dançava muito, a noite toda.
As crianças deitavam-se muito tarde nestes dias, lá para as três da manhã, e ninguém cresceu traumatizado, com comportamentos desviantes ou a ter de ir ao Psicólogo por causa disto.
Apenas nos mascarávamos e nos divertíamos e aguentávamos acordados todo aquele tempo porque era tão bom ser criança, brincar e dançar...
E foi assim que cresci no Carnaval. Era um ritual ir aos bailes e fui até aos meus 14/15 anos. Depois disso os tempos começaram a mudar, as pessoas a 'escassear', crescemos e os bailes deixaram de ter tanta piada...
Mas é por causa dos bailes e foi graças a eles que o gostinho pela dança sempre ficou cá dentro, num cantinho do meu coração.
As músicas em ambiente de bailarico acordam em mim sentimentos de felicidade da minha infância e da minha adolescência, lembranças e sentimentos felizes duma criança e duma adolescente que adorava dançar e mascarar-se.
Os bailaricos recordam-me sempre da minha mãe e da sua boa disposição, da sua paciência infinita para comigo e para com as minhas máscaras, da sua resistência inabalável para com a minha falta de sono e de não haver nada que me cansasse, nem que fosse dançar e correr por mais de quatro horas e ali estava eu fresca que nem uma alface.
Os bailes de Carnaval lembrar-me-ão sempre o sítio onde cresci e vivi até me mudar para o Oeste. Serão sempre o equivalente a uma felicidade máxima aliada à boa disposição da minha mãe e é por isso que quando ouço músicas de bailes, que algo desperta cá dentro, algo muito feliz, que me deixa feliz a uma vontade interminável de dançar pela música e por me lembrar sempre mas sempre da minha mãe.
E é por isso que também pego sempre no meu filho para dançarmos, seja em casa ou seja nalgum sítio onde se ouça música e tal seja possível.
É que hoje, aqui não há bailaricos nem música e amanhã eu tenho que ir trabalhar...
Hoje há frio, um filhote que brinca, uma televisão ligada, um portátil e um tablet ligados à net.
Agora apenas os meus dedos dançam sobre o teclado enquanto escrevo este post.
Saudades mãe.
Saudades de ti, dos bailes e da minha infância...

1 comentário:

Maria disse...

Que texto maravilhoso! :)
Um beijinho grande para ti e outro para o menino. ;)
Beijinhos
Maria