terça-feira, 9 de outubro de 2012

"Os teus olhos não brilham como costumavam brilhar"...

Uma semana sem vir ao blog é muito tempo, pelo menos para mim que gosto e que costumo escrever muito.
A semana que passou foi intensa em vários aspetos e se calhar por isso passou rapidamente nem dando muito tempo para exteriorizar o que se ia passando.
Na verdade nada de especial se passou. Os meus pais estiveram connosco uma semana, o filhote ia para a escola normalmente, andei de bicicleta, enfim, o costume...
Aliás, na sexta-feira (feriado) fui treinar com a minha amiga das pedaladas porque tínhamos uma maratona no fim de semana.
Treinei para esta maratona como nunca tinha treinado para outra. Sentia-me confiante e com mais capacidades físicas e técnicas do que as que tive para outras maratonas a que fui no passado.
E por isso não se compreende que pela primeira vez na minha vida tenha desistido à partida de algo de que que tanto gosto...
Pela primeira vez na minha vida nem sequer tentei. Não tentei ir, não fui, não me levantei da cama para desilusão de todos e, principalmente, para desilusão para mim própria.
O que fiquei eu a fazer deitada na cama a dizer que não tinha capacidades ou 'jeito' para pedalar, que a todas as maratonas a que vou faço sempre figuras tristes porque caio, porque me desiquilibro, porque não ganho nada. Esta última então é demais, como se eu achasse que seria 'viável' uma pessoa que começou a andar de bicicleta há apenas dois anos, quase aos 40 anos, aspirasse a subir rapidamente ao pódio, uma pessoa que treina vários dias por semana no verão e apenas um ou dois no inverno, uma pessoa que tem uma bicicleta "normal" de BTT, uma pessoa que trabalha, que é mãe, mulher e tantas coisas mais...
E portanto, foi com (grande) estranheza que faltei à maratona. Parecia que umas quaisquer forças superiores a mim me amarravam à cama e nem os "pedidos" dos meus pais, nem o apoio todo do meu marido e nem o meu filho a dizer "oh mãe, vai lá!" me moveram.
Sinto agora, dois dias depois, que fui cruel. Fui cruel com a minha família, o meu filho incluido, e fui cruel comigo mesma.
Não sei o porquê deste momento gigantesco de fraqueza e de auto crítica tão grande. O porquê de ter sido tão má para mim mesma.
Tinha treinado, já fui a tantas maratonas, então porquê fraquejar depois de tanto por que passei...
Pela primeira vez na minha vida desisti de algo e acho que pela primeira vez me arrependi de algo.
Sim, estou arrependida de não ter ido à maratona...
A minha amiga das pedaladas foi dar-me nas orelhas depois da maratona, e com razão, antes já o meu marido o tinha feito, e também com razão.
Ontem, depois duma ida a Lisboa, chegámos cedo a casa e fomos os dois pedalar, eu e o maridão. Levou-me por caminhos da maratona e eu senti-me tão mas tão bem... A adrenalina da lama, as covas, os sobes e desces... Por que raios não fui eu no dia anterior à maratona?! Não parecia mesmo eu porque o meu lema sempre foi o de terminar as provas a sentir-me bem, mesmo que fosse a última...
Sinto que defraudei toda a gente, até uma outra amiga, mãe dum amiguinho do filhote que encontrei hoje de manhã. Até o menino me perguntou se eu tinha ido à prova porque no dia anterior tinha andado com ele e com o filhote a andar de  bicicleta e a dizer aos miúdos que aquilo era BTT e eles deliraram com isso...
E assim de repente, de manhã esta minha amiga diz-me que "os meus olhos não estão a brilhar como é costume...".
E em poucas palavras disse tudo...
Os meus olhos não brilham como brilhavam...
 

2 comentários:

Carla Isabel disse...

Vamos ali ao mail falar...beijinho doce!

Corre como uma menina disse...

Espero que os teus olhos já estejam a brilhar outra vez! Tiveste um momento de fraqueza, de dúvida. Somos humanos, é normal. Ninguém te exige que subas ao pódio, mas de certeza que todos querem que o brilhozinho continue.
Para a próxima já não falhas!

Beijinho grande