terça-feira, 16 de outubro de 2012

Oscilações...

Eu gostava de acreditar mais em mim mesma. Gostava de me valorizar mais. De não ser tão crítica comigo própria e, principalmente, não estar sempre a pôr em dúvida o que faço, o que consigo, o que alcanço.
Faço cobranças e exigências a mim mesma que não faço aos outros.
Em poucos momentos de reflexão imagino noutros o que se passa comigo e sei que lhes diria algo bem mais simpático do que digo a mim mesma.
Os anos passam, a minha auto confiança tem aumentado ao longo da vida mas parece que continuo sem acreditar muito em mim e que ponho em dúvida quase tudo o que faço...
E depois chegam as dualidades...
No fim de semana que passou fui a uma maratona de BTT. Desta vez não desisti, nem deixei de ir como tinha feito estupidamente na outra semana...
Desta vez o objetivo era conseguir fazer a própria da maratona porque fui fazer mais quilómetros do que aqueles a que estou habituada. O pensamento era de que ia para me superar a mim mesma.
E fui. E fiz. E não desisti. E inacreditavelmente não caí mas por causa da chuvada que apanhámos, e da lama que corria em rios, a bicicleta começou a dar problemas mecânicos e uma vez mais comecei a enervar-me e a ficar para trás. E o espírito de que ia só por ir e fazer mais dez quilómetros do que os que costumo fazer, começou a desvanecer-se e o espírito competitivo baixou em mim deixando-me irritada e frustrada com o meu azar constante nas maratonas em que participo.
Isto leva-me sempre a pensar se estou a fazer algo que não devia fazer, que estou a insistir numa coisa para a qual não deveria insistir, enfim, pensamentos diversos e parvos em momentos de stress e de pressão...
Depois a meio do percurso havia apoio mecânico e um belo dum lanche pelo que a partir dali as coisas melhoraram e a bicicleta já não deu tantos problemas...
Fomos sempre a dois, eu e o pai cá de casa. Acompanhámo-nos e apoiámo-nos numa prova que demorou 5 horas a pedalar e em que cheguei à meta ensopada em água e lama, a sorrir e feliz por ter conseguido pedalar uma prova tão difícil, tão cheia de subidas e descidas vertiginosas, com tanta lama, chuva, pedras, e não ter desistido e, melhor de tudo, ter chegado sem me sentir cansada...
Foram, nada mais, nada menos, do que 50 quilómetros puros e duros e acreditem que cheguei ao fim a sentir-me tão realizada que até parecia que estava aparvalhada, com uma espécie de bloqueio, em que nem me apetecia falar.
Foi como uma espécie de catarse porque nunca pensei que conseguisse fazer os 50 kms assim e por isso fiquei orgulhosa de mim mesma...
Mas depois... depois entra a auto censura... E ao ver a classificação dou conta de que fiquei à frente de vários homens e mulheres mas que afinal fui demasiado lenta. Que estou quase no fim da lista, que fiquei na metade final da listagem das mulheres. Que não percebo o porquê de não pedalar mais depressa mesmo sabendo que tive imensos problemas mecânicos que me atrasaram...
Eu devia era estar mais que feliz e confiante por ter conseguido fazer mais dez quilómetros do que os que faço habitualmente em provas e afinal ainda estou é a criticar-me...
Não sei porquê mas 'afeta-me' isto das classificações... Mesmo sabendo que muitos (homens) desistiram, que muitos foram pedalar apenas metade dos quilómetros da prova, que nem toda a gente consegue fazer isto, que outros cairam e magoaram-se, que outros chegaram ainda depois de mim e que esta prova era tudo menos fácil... Imaginemos uma escala de 1 a 5. Diria que a dureza era de 4 ou 5...
Como eu gostava de afastar estes pensamentos de mim e, principalmente, aqueles pensamentos de que em provas futuras que será sempre a mesma coisa, que ficarei sempre quase no fim da lista de classificações quando sei que faço algo que é tudo menos fácil...
:-(

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