segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Limbo

Às vezes ficamos num limbo qualquer entre a esperança e uma espécie de angústia.
Estar longe deixa-me mais racional mas menos tranquila.
Ontem ao fim do dia, altura em que falei pela primeira vez com a minha mãe, diz-me que tinha acabado de chegar a casa, do hospital...
O meu pai ficou internado com o coração muito fraquinho e estas palavras ditas pela minha mãe, cópia do que os médicos tinham referido, feriram-me muito cá dentro e comecei a chorar mas como a minha mãe também chorava tentei ser forte e contive-me...
À hora de jantar liguei ao meu pai que estava a jantar, bom sinal, pensei eu. Quer dizer que não está "tão mal" porque está consciente, a comer e a falar...
Precisa de dormir que é coisa que não sabe o que é vai para semanas por causa do coração...
E neste momento quem tem o coração apertado sou eu.
Estou aqui neste limbo de esperança de que vai melhorar e ficar bem (dentro do possível) com a ajuda dos médicos e carrego uns olhos pesados na ânsia de quem está a 100 kms do hospital e que assim de repente não pode ir às visitas e voltar num instante, com um filhote na Escola que tem que prosseguir o seu dia à dia e sofrer o menos possível ou perceber seja o que for...
Às vezes olhando à distância parece que gostaríamos que a nossa vida parasse em determinado momento porque o tempo urge e às vezes é cruel.
Não posso pedir que o tempo pare porque tenho um filho, o meu filho, que é o mais importante mas gostava que algures no tempo lá atrás ele tivesse ficado suspenso, naquela parte em que o pai e a mãe não tinham doenças nem mazelas, naquela parte em que tinham todas as forças e mais algumas, naquela parte em que eu era apenas a filha, sem preocupações ou chatices da vida de adulto.
Esta vida de adulto às vezes é uma merda e eu fico perdida nos meus pensamentos enquanto constato que tenho quase 40 anos e que passei a ser mãe e mulher e muito pouco filha...
Às vezes tenho saudades do quão feliz e despreocupada era enquanto filha.
Às vezes pergunto-me se esta distância que tanto me fez crescer, tornar adulta e tão menos mimada, não 'chegará'...
Às vezes pergunto-me ainda porque fraquejo tanto quando por momentos deixo de ser mãe, mulher e sou um bocadinho filha...
 

5 comentários:

Alexandra A. disse...

Ohhh Fraquejas precisamente porque és filha e amas os teus pais, não é? :)

As melhoras do teu pai!
Força! :))

Alexandra A.,
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Alexandra A. disse...

E entretanto esqueci-me do que vinha aqui fazer... ;)

Vinha dizer-te que está aqui algo para te fazer rir: http://the-glitter-side.blogspot.pt/2013/01/lol-my-first-marathon.html :))

Portal de Blogs Teia disse...

Olá.
Seu blog é muito bom,parabéns
Até mais

Manuela Palma disse...

Nem sei o que dizer, apenas que percebo (Infelizmente) muito bem o que sentes. Toma lá um beijinho. :-(

Corre como uma menina disse...

Não é fraqueza, apesar de mãe e mulher, não deixas nunca de ser filha que precisa e quer sempre o amparo dos pais...

Beijinhos e força*