domingo, 13 de janeiro de 2013

No meio disto tudo...

No meio disto tudo o meu ânimo não está nos píncaros... Nem lá perto.
Foi um fim de semana passado em Lisboa por causa do meu pai que continua hospitalizado. Felizmente está muito melhor, estando sempre levantado e já sem qualquer tipo de intubação mas, ainda assim, quando lá cheguei pela primeira vez e saí do elevador, vi logo que era o meu pai a caminhar, de costas, pelo corredor.
E doeu.
E custou.
Constatar que o meu pai não é mais uma espécie de super-homem dilacera o coração duma filha única que, a bem dizer, sempre foi "a menina dos papás"...
Tenho momentos no hospital que se 'caísse' sobre a cama do meu pai, estando ele sentado numa cadeira fora dela, eu adormeceria imediatamente. Quando lá estou sou invadida dum sono imenso que não consigo explicar e passo todo o tempo a bocejar e a lacrimejar...
Não vou agora escrever muito porque as emoções estão à flor da pele.
Dói-me quase tudo e, ainda assim, levámos as bicicletas e pedalámos no sábado e hoje mas nem isso me animou... Não foi BTT, foi alcatrão, foi uma pedalada de estrada feita com bicicletas de BTT e a pensar se seríamos atropelados a qualquer momento mas isto fica para outro post.
Eu agora só vinha aqui mesmo dizer que me sinto angustiada ainda que saiba dos clichés do costume, que a vida continua, que o meu pai está a melhorar, que o que importa é o meu filho, que o que importa é a nossa vida e por aí fora mas... assim a distância aumenta ainda mais a minha dor e a minha ansiedade.
Saber que não posso pegar no carro ou entrar no metro e estar meia hora depois no Hospital fragiliza-me... E a minha mãe que fica sozinha... Pelos vistos nem tem dormido, só conseguiu descansar tendo a casa cheia de nós e de duas bicicletas gigantescas às quais acresceu o esforço físico de as levar e trazer diversas vezes para cima e para baixo dum segundo andar sem elevador...
Hoje estou num mix de emoções e como sofro dum velho cliché que é o de "ninguém me compreende" ou a variante "ninguém me ouve" porque passo a minha vida a ouvir os outros fica aqui o desabafo.
Na vinda para cá, noite caída, chorei baixinho enquanto olhava pela janela e as lágrimas me caiam pela cara abaixo.
Hoje não queria ter vindo embora, queria ficar... E hoje eu gostaria de uma vez mais não ter dúvidas sobre esta nossa mudança para o Oeste, mas tenho...

2 comentários:

akombi disse...

Morei, e moro, perto dos meus pais, agora minha só a mãe, e entendo tão bem o que descreves, a fase final do meu pai passado no curry cabral, uma fase que já nos tinham preparada, uma vida com exesso de alcool preparamou-me para o pior mas nunca se está preparada e tenho tão presente as últimas imagens do meu pai, no entanto serve de consolo sentir que foi uma opção dele a operação, que penso que foi mais para estudo pq sempre nos disseram que era terminal, eu não concordei com a operação ele, talvez por estar farto do sofrimento, que só ele soube pois não se queixava, optou pela a única solução.

Por mais que a vida nos mostre que o tempo passou e que há um fim nunca estamos preparados, aprendemos a aceitar e a conformar.

Imagino que essa distancia te traga angustia mas a dor de os ver sofrer sente-se perto ou longe.

Gosto de te "ouvir", vais ver que vai tudo correr bem.

Carla Isabel disse...

Beijinho doce amiga.