quinta-feira, 11 de julho de 2013

Da(s) família(s)

Com o falecimento do meu pai voltei a falar com alguma família com a qual não tinha contacto há vários anos.
Quando penso nisto, dou conta de que houve uma parte das nossas e da minha vida que não "existiu" mutuamente.
Afastamentos destes dão-se em todas as famílias. Às vezes por nenhum motivo em especial.
Não nos 'dávamos' há uns bons 15 ou mais anos e assim sendo, estas minhas tias e o meu tio, não me viram acabar o curso nem arranjar o primeiro emprego.
Não me viram casar e muito menos estar grávida ou ter o meu filho. Aparecem agora na vida do meu filho quando ele caminha a passos largos para os 7 anos...
Dou por mim a falar telefonicamente, de forma frequente, com a tia que é irmã do meu pai, com quem sou mais parecida no feitio e no corpo. Há coisas que o tempo não apaga nem leva embora. As memórias de infância, o carinho do meu pai por esta irmã, a minha tia comigo na praia, no mar, são coisas de que me lembro como se fosse ontem...
Lembro-me da família essencialmente na minha infância. Depois a vida encarrega-se de encontrar ou de arranjar rumos diferentes para todos os intervenientes, a começar por mim mesma, passando pelos meus pais, e nas vidas dos meus tios e primos. Crescemos, e parece que a vida se torna um pouco cinzenta e nos torna a todos mais sérios e sisudos.
Ontem tínhamos dez anos e brincávamos e corríamos sem preocupações na Praia da Rocha em Portimão. Hoje, um dos primos faleceu há quase dez anos, numa morte repentina e súbita, e os outros estão à beira dos 40, somos casados, temos filhos e responsabilidades...
A infância é agora para os nossos filhos que nem se conhecem... Cada um mora em sítios distintos. Cada um tem vidas distintas.
Entendo agora tanta coisa que antes não compreendia. Talvez porque era ainda uma espécie de menina mimada que não percebia nada da vida e do mundo dos adultos...
Agora... Agora tudo mudou e ainda que me sinta algo menina e pouco cinzenta, sei que a infância está cada vez mais distante. Começou a morrer quando perdi as pessoas que cuidaram de mim em criança, foi-se um grande pedaço com a perda do meu pai e ao calcorrear o caminho da vida, sinto-a cada vez mais pequenina em mim...
Por tudo isto, não vale a pena não falarmos com as pessoas ou chatearmo-nos por coisas sem importância. Se há algo para dizer, que se diga. Que não se espere que se vá alguém que amamos para voltarmos a falar com alguém...

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