domingo, 21 de julho de 2013

Nunca fui pessoa dada a medos...

Desde que me lembro de mim que não me lembro de ter medo ou medos... Tenho os receios 'normais' das rotinas do dia à dia mas nunca tive medo de animais, de alturas, do escuro, de multidões, da solidão, de tentar, de ir mais além, do mar, dos aviões, dos barcos, dos carros, de conduzir, enfim, pensando bem nisto, apesar de tímida e algo insegura, nunca fui dada a desistir ou a ter receios...
Mas eis que algo marcante acontece na nossa vida e de repente as perspetivas parecem mudar em relação a muitas coisas... Não fiquei 'medrosa', não é isso mas... sinto-me, pelo menos para já, com tendência a 'proteger-me' muito mais do que era habitual... 
A minha recuperação está a correr bem, aliás, só me dizem que estou cheia de medos e muito presa e que por causa disso posso estar a 'bloquear' uma evolução ainda melhor e maior mas... a verdade é que me sinto como que a bloquear, com diversos receios...
Tenho em mim a imagem do meu corpo a saltar/largar a bicicleta como se tivesse sido empurrado por algo ou alguém num sítio perigoso, é certo, mas onde já tinha descido 'carradas' de vezes por ser a pouco mais de quilómetro e meio de casa...
Depois a perda do meu pai que, quando e vez, assola a minha mente. Vejo fotos e parece ainda que não aconteceu. Passaram cinco meses mas às vezes sinto que o meu pai está na casa dos meus pais e que apenas não temos falado ao telefone ou que não tem vindo à minha casa no Oeste. Mas como seria isto possível se a minha mãe está comigo e é a prova de que o meu pai não está mais por cá...?
Sinto também 'medos' e 'receios' em relação aos que me são mais próximos. Como se tivesse medo de os perder, o meu filho, a minha mãe e o meu marido, até a cadela e o gato, e depois todos decidiram 'ultra resguardarem-me' e isso ajuda a que me sinta assim, mais 'receosa'...
Nunca fui de me prender, de não seguir em frente e agora aqui estou eu, mais racional e ponderada, mais presa, mais 'indiferente' a certas emoções... 
Não me lembro de achar graça a nada nos últimos meses e isto é problemático quando a última coisa que nos fez rir com vontade, e deitada numa maca ainda por cima, foi o facto de na Fisioterapia estar a dar no rádio a música do António Variações - "Quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga" e eu dizer que aquilo devia passar em 'loop' o dia todo para os pacientes irem para casa reflectir naquilo, já que a maior parte dos 'sinistrados' está naquele estado porque a cabeça, salvo seja, não teve juízo...
Que raio de humor o meu hein...


1 comentário:

Vera, a Loira disse...

Estás a passar por uma fase difícil mas é só isso, uma fase, brevemente passa e com ela tudo de mau.

Um beijinho.