sexta-feira, 20 de setembro de 2013

E assim sem mais nem menos

A acabar o jantar começa a dar nas notícias uma reportagem sobre o Festival de Fado em Alfama.
E sem que eu conseguisse controlar o meu cérebro ou o meu coração, as lágrimas começaram a cair-me pela cara abaixo.
Inevitavelmente que a "culpa" destas lágrimas foi a associação imediata entre o Fado e o meu pai... O meu pai cantava Fado e na adolescência eu não suportava as secas que apanhava a ir ver o meu pai e outras pessoas a cantar fado... Dizia que detestava fado e nunca valorizei aquilo que o meu pai fazia. Ficaram vídeos e filmagens do meu pai a cantar mas não voltei a revê-los...
Quando vi e ouvi na televisão aquelas pessoas a cantar Fado lembrei-me que não dei a devida atenção, valor e carinho ao meu pai por causa dos fados... Só achava tudo uma chatice e nem quando o meu pai me levava a noitadas em casas de Fados, cheias de petiscos e boémia, eu achava alguma piada àquilo.
O meu pai nunca mais estará comigo e eu nunca cheguei a estar com ele a ouvir e a apreciar uma bela sessão de fados...
As lágrimas caiam e por isso rapidamente me levantei da mesa e fui enfiar as minhas lágrimas no alguidar cheio de roupa perfumada, acabada de lavar, e que rapidamente comecei a estender.
Senti muitas saudades e muita falta do meu pai. Não é que não o sinta todos os dias mas os fados de Alfama recordaram-me que nunca tive paciência para o meu pai com os seus fados e não é por ser meu pai mas cantava realmente bem. Tinha uma voz forte mas harmoniosa que fazia com que dispensasse microfone onde quer que cantasse.
Por que raios a vida é assim, leva-nos num instante aqueles que mais amamos e às vezes cedo mais. Bem sei que sou uma adulta 'estruturada' mas sempre pensei que iria perder os que mais amo muito mais tarde...
Enquanto as lágrimas caiam dei conta e que este ano tem sido realmente muito duro, de que este ano sofri mesmo muito e que assim de repente merecia uma 'folga' nas tretas menos boas da vida...


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