quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Duas lágrimas e gotas de suor

Duas lágrimas misturaram-se no meio das imensas gotas de suor que escorriam da minha cabeça, da minha cara, do cabelo, de todo o lado, e por isso ninguém reparou nelas porque na verdade, visto ao longe, eram só mais uns pingos que caiam.
Ainda que estivesse contente por estar a fazer uma aula de cycling, não pude deixar de me sentir triste ao pensar novamente no meu braço a fazer alguns abdominais. Exercícios diferentes, mas o braço voltou a não se esticar. Tento não pensar muito no assunto mas perturba-me, claro que perturba. Prossigo. Siga para bingo. Que se lixe. Afinal, não tenho nenhuma doença terminal, não perdi membros e posso dar-me por feliz por poder fazer a minha vida, inclusive pedalar. Tento interiorizar isto tudo e corro na passadeira e corro entre abdominais e a bicicleta estática.
O suor escorre fortemente, está por todo o meu corpo, pinga sobre a toalha, cai-me do queixo, escorre pela cabeça abaixo, as lágrimas tristes e pequeninas seguiram o caminho do suor e conforme apareceram, desapareceram. Pedalei com todas as ganas, com uma raiva misturada com tristeza, o meu pai, sempre o meu pai na minha cabeça, o braço e as suas limitações.
Siga que a música é da pesada e faz-me acelerar o ritmo, tanto que o meu pobre coração parecia ir explodir, da emoção e do esforço físico a que não está habituado. O pulsómetro bem apitou mas a dona do coração acelerou e transpirou.
Ainda que triste creio que sou uma vencedora. Venci medos, lutas, perdas e tristezas. Não baixei os braços, não caí no fundo e atirei-me a andar de bicicleta novamente e nas bicicletas que não saem do mesmo sítio.
E foi isso.
E depois de uma hora e meia de treinos, contabilizei a módica quantia de cerca de 1000 calorias gastas. Isto vê-se mesmo que não estou em forma.
O suor, tanto suor. Só pensava na gordura a desaparecer, no suor a efervescer.
Que se lixe. Eu gosto disto, quero dizer, daquilo, gosto do cycling.
Penso em tudo, penso em nada, afinal sou uma mulher desenrascada. Não há assim muitas mulheres 'sozinhas' no ginásio com um ar tão obstinado como o meu. Geralmente andam em grupos e conversam bués. Eu não estou ali para conversar bués. Estou ali para treinar bués e é isso que faço.
Suor e lágrimas, tudo sal do mesmo ser humano.
E agora vou ali estender roupa que a minha vida não é só exercitar-me...

2 comentários:

Vera, a Loira disse...

O exercício é um escape para todos esses pensamentos negativos, não podemos escolher simplesmente não os ter, mas eu acho que libertando todas as energias através do desporto ficamos mais saudáveis mentalmente.

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Estender roupa também é exercitar-te! :)