terça-feira, 8 de outubro de 2013

Será como nas paixões, nos grandes amores

Às vezes pergunto-me se esta (minha) relação com a bicicleta não será como aquelas paixões ardentes que entretanto não correm muito bem, que fazem sofrer, magoam. Fazem doer e afinal volta-se para o 'objeto' que tanto nos melindrou e aleijou.
A bicicleta tem-me magoado tanto. Comecei a pedalar numa tentativa de emagrecer mais depressa, o que acabou por resultar. Ganhei-lhe o gosto mas, duma maneira ou doutra, acabei sempre a sofrer pela bicicleta. Com a bicicleta anterior tive muitos problemas mecânicos que levaram a problemas técnicos e no meu desempenho e isto sempre me enervou, sempre achei injusto, sofria, mas prosseguia. Até o tamanho dessa bicicleta não era o mais indicado para mim, era para aí dois tamanhos abaixo, um quadro de 17'' (polegadas) que me fazia encolher e ter dores na coluna.
Há cerca de um ano troquei de bicicleta. Agora sim, um quadro mais adequado ao meu tamanho, com 19'' (polegadas), da marca de que gosto, as pedaladas começaram a correr melhor mas sempre que ia a uma prova lá vinham os sentimentos de lentidão, de que toda a gente me passava à frente, até velhinhos, e mais uma vez sofria.
E, "por fim", a queda brutal que dei e as suas consequências. Foi mesmo algo violento, que me fez sofrer muito durante vários meses com dores, pela operação, por aquele dia nas urgências os ortopedistas terem que me endireitar o braço, ui que doeu-me mais do que a parir o meu filho...
Tanto sofrimento, o internamento, a fisioterapia, sempre as dores e depois as dores da alma. E tudo por causa da bicicleta... Mas nunca deixei de pensar 'nela', sempre ansiosa por saber quando seria possível voltar a pedalar. Tinha 'contabilizado' que só o poderia fazer uns seis meses depois mas afinal melhorei mais depressa do que era previsto e pude fazê-lo cerca de quatro meses depois da queda e da operação.
Mas... às vezes parece que o sofrimento continua. Gosto de pedalar mas se já não era muito rápida, com esta pausa forçada na minha atividade física, parece que fiquei 'pior' e estou ainda a recuperar.
Sempre a bicicleta a causadora de tantas angústias e tristezas e por muito que me digam que estou a recuperar, já nem ligo. Que é de louvar o meu esforço e o facto de pedalar e de ir a maratonas mas já não quero saber. Trago comigo uma placa e quatro parafusos e um braço que não roda nem se levanta totalmente mas também já não quero saber.
Por tanto amor e por tanto sofrimento ao mesmo tempo, por vezes sinto-me cansada da bicicleta. Quero pô-la de parte como se faz a alguém que nos magoa e faz mal mas que continuamos a adorar.
Parece um vício que não se consegue largar e abandonar mas tal povoa-me a cabeça constantemente. Quero largar a bicicleta e não consigo. Não consigo e não me deixam.
Estou cansada de 'sofrer' por uma paixão que só me tem dado dores, no corpo e na alma...
 

1 comentário:

Corre como uma menina disse...

Compreendo-te, estes "amores" trazem sempre a sua dose de sofrimento. Mas só vale a pena mantê-los enquanto, na generalidade, fores feliz. Faz uma pausa, reflecte. Só tu sabes se chegou a hora, mas ainda podem ter muitas histórias felizes, ainda que menos intensas.
Beijinhos