quarta-feira, 2 de julho de 2014

A constatação

A constatação chega quando nos estamos a exercitar e temos que trabalhar com e o ombro que, por sua vez, não deixa o braço esticar-se ou levantar-se, mesmo deitada no chão.
Naqueles segundos ou minutos irrita-me a minha limitação, fico frustrada, apetece-me mandar o ginásio e aqueles exercícios às urtigas porque não estou para aquilo. Estar ali a insistir em movimentos que me causam dor e mesmo que não causem dor, não os consigo fazer porque o braço e o ombro não o permitem.
Bah!!! Penso em pisgar-me e pegar na minha bicicleta que ainda que tenha sido a causadora destas limitações, quando ando nela não me recorda que sou... semi limitada... A pedalar não preciso de erguer ou levantar o braço. A pedalar não sinto dores no ombro e no braço.
Irrito-me. Fico irritada. Interiormente desato num turbilhão e numa miscelânea de assuntos que nada têm a ver uns com os outros mas que entretanto estão mais que interligados e ganham uma importância gigantesca.
O raio do braço e do ombro, os 40 anos, e umas tantas outras coisas...
Afinal não desisto e prossigo quase como um robot, afinal, nesta altura do ano, parece que é sempre tudo a mesma coisa.
Alonga e desalonga, pedala depressa e pedala devagar, com carga, sem carga, em pé, sentada.
Apetece-me novamente fugir montada na minha bicicleta e não naquela que não sai do mesmo sítio.
Vale pela aula, pela música, pela transpiração.
Tenho vontade de mandar calar as rapariguinhas sentadas nas bicicletas ao lado e que não se calam a conversar e a dar risinhos parvos, que estão numa aula super transpirável com cabelões enormes caídos pelas costas abaixo, que impressão!
Depois penso que se calhar levo tudo demasiado a sério, que não brinco nem relevo. Que estou ali mais parecendo que estou num emprego, só a pensar em melhorar, em superar e muito pouco em me rir ou divertir...
Raios...
 

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