segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Inquietudes

Há momentos em que fico inquieta e inquientante. Momentos em que me recordo constantemente do meu pai. Suponho que seja normal lembrarmo-nos constantemente daqueles que amamos e que partiram mas a verdade é que eu penso muito no meu pai, no que ele era e foi, na sua vida enquanto homem, marido, amigo, trabalhador, pai, cantador de fado, borgas até determinada altura, que gostava do seu copito, que fumava, que esteve antes doente e que deixou de fumar.
Parece que analiso agora o meu pai como não o conseguia fazer ou perceber enquanto estava connosco. Vejo muitas vezes o meu pai na minha cabeça e às vezes lágrimas caem-me dos olhos e percorrem a minha cara levando-me a um arrepio triste e melancólico. Confesso que gostava de não pensar tanto no meu pai, no fundo é como se não o deixasse ir ou o libertasse para finalmente descansar em paz. É o que sinto, mesmo parecendo uma tonteria... Sinto-me agarrada ao meu pai, visualizando o seu corpo e a sua cara na minha cabeça e pensando que ele não se foi de verdade...
Tenho saudades suas, tenho ainda mais saudades da minha infância e da minha vida despreocupada com os meus pais.
Infantilidades, fraquezas, agarrada a um passado que já lá vai, medricas, criancices, egoismos, parvoíces, tanto se poderia dizer sobre este sentimento quando já se tem, afinal, 40 anos. Mas é isso, a vida continua, cheguei aos 40 e não tenho vergonha de assumir que aqueles foram os melhores tempos... Isto de ser adulto é uma treta, uma seca, uma chatice...
Ou talvez isto já seja um rescaldo de uma espécie de excesso de férias e de pouco em que pensar...

2 comentários:

Luísa disse...

Diria que é normal sentires saudades do teu pai ... afinal este é um dos nossos maiores problemas nesta vida e para o qual não temos solução :-(
Quanto às saudades da infância, nos últimos tempos também as tenho tido, talvez sejam fruto da idade :P
beijocas

Gaja Maria disse...

É a saudade... Bjs