segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Levantei a minha cara para a chuva...

Na minha pedalada de ontem encontrei um pouco de tudo: pessoas conhecidas que passaram a pedalar por mim, sol, vento, alguma chuva, muita chuva, lama, um piso escorregadio no alcatrão e encontrei um pouco de mim mesma já que fui sozinha.
Nas pequenas incursões que tive no alcatrão pedalei devagar pois a lembrança de que me tinha estatelado no chão num dia chuvoso em que o piso estava escorregadio, invadiram-me a mente e fizeram-me ter... 'medo'... 'medo' de pedalar no alcatrão e por isso só o fiz quando teve mesmo que ser. Ansiava por voltar a entrar nas estradas de terra para que estes medos se dissipassem...
Por estranho que pareça, gosto realmente de pedalar sozinha. É certo que assim não vou para sítios mais recônditos ou isolados mas aprecio ir ali nos meus pensamentos, só eu e a bicicleta, o som do vento e dos pneus a rodarem sobre a terra...
A meio do caminho começou a chover mas foi coisa pouca. Aliás, pensei que aquilo comparado com as condições atmosféricas que tive durante uma maratona de BTT em outubro, não era mesmo nada...
Prossegui, vi o arco-íris da minha bicicleta e parei para lhe tirar uma foto antes que se dissipasse, não querendo saber de tempos, médias ou velocidades... Ainda pensei em pedalar atrás do arco-íris na esperança de que trouxesse mais cor para a minha vida mas achei que não seria muito viável pelo que prossegui montada na minha bicicleta que, curiosamente, fez ontem um ano. Nova em folha, fez então um ano que pedalamos juntas e o saldo tem sido muito positivo. É realmente uma bicicleta ágil e potente ao mesmo tempo, feita e desenhada para pedalar por esses montes e trilhos fora...
Quando estava quase a chegar a casa senti que 'precisava' de mais quilómetros e então desatei a pedalar um bocadinho "para os lados".
No regresso começa então a cair uma chuvada forte e intensa que se entranhou na roupa e pelo capacete adentro mas por instantes de segundo levantei a minha cabeça para o céu e deixei que a chuva me molhasse a cara, como uma inspiração, como uma maneira de 'limpar' os meus problemas...
E foi ali que senti, senti a liberdade de levar com a chuva na cara.
Foi ali que senti que a única maluqueira da minha vida tão certinha é pedalar e encher-me de lama, aos 40 anos... Senti que ao pedalar exorcizo quase todos os meus males...
E em momento algum me zanguei com a chuva ou vociferei palavrões por ir ali a levar com a água intensa e chegar a casa ensopada e enregelada.
Tomei um banho quente e nem sinais de constipações ou afins...

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