quinta-feira, 17 de maio de 2018

Viagens pela minha terra

Levantei-me às 5h30 e saí de casa por volta das 6h00.
Rumei do Oeste a Lisboa com alguns receios porque o carro já tem uns anos valentes, porque tem avariado com alguma frequência nos últimos tempos, mas pensei que ia correr tudo bem, e assim foi.
Primeiro passei na casa da minha mãe e depois lá fomos para o centro de Lisboa.
Nunca fui de me atrapalhar a conduzir em Lisboa e enquanto lá trabalhei, sempre me desloquei de carro.
No entanto, desde que vim para o Oeste, há quase nove anos (!), que não tenho conduzido assim tanto pela capital mas não me amedrontei. Apesar dos receios dos problemas mecânicos do carro e do trânsito, encontrei lugar num parque privado.
Como era coisa para umas horas lá ficou.
Caminhámos muito lentamente pelos 300 metros que separavam o parque do Hospital e às tantas constato que caminho sozinha.
Olho para o lado e a minha mãe ficou para trás. Custa-lhe a andar e sente-se cansada. E ainda que eu saiba disto tudo, não encaro com facilidade o envelhecimento e as limitações da e na minha mãe, que sempre foi uma mulher cheia de força, de garra e de energia.
Assim sendo, fomos parando pelo caminho e o caminho parecia interminável...
Chegadas ao destino, quase sempre em silêncio, que a minha mãe nunca foi muito de partilhar emoções, e eu também não, lá se tratou dos detalhes burocráticos e a minha mãe ficou internada para um breve procedimento, nada de grave, e só terá alta no dia seguinte.
Acompanhei-a até à cama onde iria ficar, trouxe os seus "pertences", e vim embora com mil e um pensamentos.
Talvez fosse da fome, afinal, tinha-me levantado há 4 horas atrás e o meu estômago continuava vazio.
Tomei o pequeno-almoço no bar do Hospital, que tinha pouca gente, e pude sentar-me numa esplanada no exterior que era até agradável.
Engoli o café ao balcão, pus os óculos escuros e vim embora.
Enquanto percorria e atravessava as ruas em Lisboa, pensei que se agora andasse por lá, que pouco ou nada usaria o carro, mas sim as minhas pernas, o Metro ou até uma bicicleta pois vi várias pessoas a pedalar, e carregadas com mochilas e materiais...
Rapidamente entrei na A8 rumo ao Oeste e aí sim, os meus pensamentos começaram a deambular e um pouco de Tristeza chegou e acompanhou-me na viagem de carro até ao meu trabalho.
Comecei a pensar se a vida seria isto... Ver a minha mãe envelhecida, sem a força doutrora e que tudo passou num ápice, que a sua vida não foi fácil e que assim de repente, quase tudo parece um absurdo, desde a morte do meu pai, ao desamparo e à distância entre nós, à minha vida e a alguns rumos que tomou, que isto não é quase nada do que imaginei.
A Tristeza esteve presente durante a viagem e chegou ao ponto de me fazer cair uma lágrima, ou outra.
Quando cheguei ao trabalho, arrumei o carro e disse à Tristeza que estava na hora de se ausentar.
Assim foi. Ainda que permaneça comigo, agora está semi desligada.
Penso que vai correr tudo bem com a minha mãe e que mais logo, quem sabe, darei uma volta de bicicleta muito bem acompanhada, e que ao serão terei o meu filho comigo.
A vida é realmente muito estranha.

2 comentários:

Margarida disse...

A vida é um ciclo...
Não seria uma solução, a mãe mudar-se para o Oeste?

Algures no Oeste disse...

Margarida: Obrigada pelo comentário.
A minha mãe não é muito fã do Oeste...
:-)