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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Fotografia de família...

Por estes dias o filhote trouxe um recado para um trabalho da Escola, relacionado com o Natal.
Não é algo de carácter obrigatório mas foi a primeira vez, depois do divórcio/separação, que esta 'questão' se colocou: levar uma fotografia da família...
Assim de repente o filhote diz-me que não queria levar foto nenhuma e eu fiquei num misto de não saber bem o que fazer e dizer e de ter que ter uma solução 'rápida'.
Vai daí que sugiro que leve uma foto dele com o pai e outra de nós os dois e ainda uma foto dele com o mano.
Não quis nada disto. 
Vacilou com a foto do mano e anuiu a dizer que sim, que podia ser mas nem passados cinco minutos volta a dizer que não quer levar fotos.
E aí surge o (meu) discurso numa nova 'temática' na nossa vida: que por os pais estarem separados, ele continua a ter muita família que gosta muito dele.
Mas o seu ar contido e meio enjoado levou-me a pensar no que se passava naquela cabeça e que isto eram quase conversas como se de sexo estivéssemos a falar.
Ainda perguntei como faziam os coleguinhas que tinham os pais na mesma situação  mas a resposta foi que ninguém ia levar fotografias.
Presumi entretanto que isto também se devia à idade e ao ano na Escola, que os mais pequenos é que iriam levar fotografias e que eles, como mais 'crescidos', já não estavam para aquele tipo de 'trabalhos'...
Ainda assim, esta e muitas outras 'situações' irão proliferar pela nossa vida fora... 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O Natal e eu (post atrasado ou extemporâneo ou... qualquer coisa do género)

Nunca liguei muito ao Natal.
Desde criança que o associo a uma seca pegada ou não fossem as memórias dos meus Natais algo tão insípido como passar o serão da noite da consoada tão somente com os meus pais num sossego desmesurado.
Por vezes, o meu pai até adormecia antes da meia-noite e ali ficava eu com a minha mãe a ver televisão, a petiscar os inúmeros doces natalícios e a desejar que o tempo passasse para poder abrir as prendas que restavam debaixo do pinheiro de Natal.
Não sei se por minha causa mas a minha mãe nunca adormeceu na noite de Natal, ao contrário do meu pai que se estava positivamente a borrifar para a época e que adormecia em pé, ainda no corredor, a caminho do quarto. A propósito, acho que estou a ficar parecida com o meu pai nisso mas... adiante...
Por volta da meia-noite eu abria as prendas e a minha mãe ia fritar camarão à sua moda e era bem bom pois ainda hoje me delicio com este camarão frio, o pão, o molho, o pão no molho e por aí fora...
Bom, e vai daí que cresci e associei sempre a noite de Natal a um serão algo triste e solitário já que a nossa família éramos apenas nós, sem mais ninguém que viesse "da terra" ou sem irmos nós "à terra" que não tínhamos, pelo menos eu e o meu pai, já que a minha mãe também não tinha mais ninguém na sua... "terra"...
Depois cresci, construí a minha família, tive um filho, e durante uns anos os Natais até passaram a ser animados com mais gente, dos dois lados da família, o meu lado e a família do outro lado.
Mas até nisso as coisas se modificaram pois se durante alguns anos (poucos...) as noites de Natal até tinham "muita gente"), sem ninguém esperar, as pessoas que com quem passávamos a noite de Natal começaram a desaparecer.
A vida começou a levar aqueles de quem mais gostávamos, ou melhor, a morte levou-os...
E assim de repente, as noites de Natal voltaram a ser invadidas por alguma tristeza por não termos junto de nós aqueles que nos eram tão queridos.
De repente tinha o meu filho na noite de Natal mas já não tinha o meu pai.
E assim se passou o tempo, os anos e o Natal.
Até que chegou o meu primeiro Natal e a minha primeira passagem de ano enquanto mulher, pessoa e mãe divorciada.
E tudo mudou novamente.
A realidade que via nos outros passou a ser a minha.
Na noite de Natal tive o meu filho e a minha mãe comigo mas no dia de Natal não tive o meu filho durante a parte do dia que foi passada com o pai.
Na noite da passagem de Ano, pela primeira vez na minha vida, não tive o meu filho comigo. Desde que nasceu que nunca tinha passado uma passagem de ano sem o meu filho que esteve, desta vez, com o pai.
Assim é a vida, uma roda viva, de situações, momentos e pessoas.
Uma coisa é certa, o sentimento que me acompanha desde criança mantém-se: a noite de Natal é uma seca tremenda.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Eu nem sou (ou deixei de ser...) lamechas... mas...

Com o passar do tempo, dos anos e da vida, creio que me tenho tornado numa pessoa cada vez menos lamechas... Passei de sentimentalóide para dar pouca importância, ou ficar melindrada, com "coisas poucas"...
E isto também se aplica à maternidade... Como eu própria sempre fui muito sensível, tenho tentado educar o meu filho para também o ser mas não em modo lamechas como a mãe.
Mas isto tudo para dizer que, quando menos esperamos, há algo que afinal nos afeta...
Todos os dias de manhã, antes de deixar o filhote na Escola, vamos os dois beber café (quer dizer, eu é que bebo o café...), comprar pão e o filhote ou come mais qualquer coisa para além do pequeno-almoço tomado em casa ou leva mais qualquer coisa para juntar ao seu lanche.
E assim todos os dias de manhã temos um breve corropio entre a ida ao supermercado, as pequenas compras e o horário de entrada na Escola...
Hoje foi uma manhã diferente. Hoje o filhote teve o pai de manhã que o foi buscar pelo que fui ao mesmo sítio, com as mesmas rotinas mas... sozinha... Até aqui, nada de "anormal"...
Mas eis senão quando que a senhora do café, habituada a que todos os dias eu peça mais coisas (para o filhote levar...) me pergunta se "é só...?". E eu, deu-me um ataque de lamechice muito pouco habitual e usual... Os olhos encheram-se de água e respondi: "é sim, hoje não tenho cá o meu companheiro...".
E posto isto, mais duas pessoas que lá estavam e que também encontramos todos os dias, olharam para mim com um ar diferente, num misto de admiração com consternação...
Nunca pensei que o facto de me ver ali sozinha, desse origem a tamanha falta do meu filho...
Há dias em que já tenho os cabelos em pé com tantas teimosias e respostas tortas mas depois... depois afinal sente-se cá no fundo a ausência...